26 julho 2009

Terão as notícias algum valor?

Vários orgãos de comunicação social anunciaram nos últimos meses algum interesse em adoptar modelos de pagamento de conteúdos no online, uma alteração drástica no panorama estrutural dos media.

No início de Maio, responsáveis do MediaNews Group (mais de 50 diários nos EUA) reconheceram a “injustiça” de “criar a percepção de que o nosso conteúdo não tem valor” ao disponibilizá-lo gratuitamente online. Agora, tencionam “começar a afastar-se” dessa estratégia, mostrar o “valor real” das notícias e demonstrar ao leitor que “o jornal é um produto, impresso ou online, que se tem de pagar”.

A inversão da gratuitidade online para o pagamento relaciona-se com a conjuntura económica e com a premissa da publicidade sustentar a imprensa online. Ora o investimento dos anunciantes na Web cresceu de 1500 milhões para 3200 milhões de dólares entre 2004 e 2007 mas essa tendência positiva desapareceu no ano passado, segundo a Newspaper Association of America.

Entre soluções técnicas para vigiar por onde andam os conteúdos na Web (que pode nem ser errada mas não é lançada com a melhor estratégia), com a indefinição do direito de autor online em blogues e agregadores, o mercado publicitário online saltita entre opiniões com uma quase certeza: com o jornalismo ou o negócio dos media, também a publicidade online tem de ser mais criativa para cativar os utilizadores e as empresas.

No cenário actual, “o impacto da Internet, exacerbado pelo marasmo na publicidade, está a matar o jornal diário”, como referia uma recente edição da revista Economist.

No espaço de um ano, até Março passado, 23 dos maiores 25 diários nos EUA perderam leitores. As excepções foram o Wall Street Journal (WSJ) e o Denver Post. Este beneficiou do fecho do concorrente local, enquanto o diário financeiro acompanhou o bem estar do Financial Times, com mais de 100 mil assinantes pagos no online, ao contrário do que sucedeu no papel após um aumento do preço de capa.

O WSJ.com tem mais de um milhão de assinantes e o triplo nos acessos (apesar da necessária cautela com estas estimativas: exemplos 1 e 2) mas procura novos modelos. Pode integrar numa mesma conta, mas de valor mais substancial, o acesso a diferentes equipamentos (como telemóveis do tipo iPhone e leitores electrónicos como o Kindle) ou avançar para micropagamentos no Outono.

Nessa altura, prevê-se o aparecimento do Journalism Online, agregador com assinatura por quantidade de artigos (seguindo o modelo da TV por cabo) ou micropagamento por artigo. Este sistema tem algumas vantagens mas pode ser criticado pela relação directa entre pagamento e conteúdo: permite determinar facilmente quais as notícias que os leitores preferem e os jornalistas mais lucrativos.

Rupert Murdoch, presidente da News Corp., assegurou também que terá conteúdos pagos nos próximos 12 meses noutras marcas fortes, a par com o WSJ. Também o New York Times - provavelmente o jornal com mais visão para o futuro online, com resultados razoáveis apesar das contrariedades do mercado - abordou publicamente modelos de assinatura ou para o leitor navegar por conteúdos gratuitos até que, após a leitura de um certo número de páginas no site, as restantes são cobradas.

A dificuldade tecnológica deste sistema é grande mas, pelo menos, os meios estão a apostar em experiências (adaptando-se com sucesso aos novos gadgets) sabendo que até podem não dar retorno financeiro volumoso ou imediato, segundo a PricewaterhouseCoopers em “Moving into Multiple Business Models”.

O estudo da PwC envolveu 4900 consumidores europeus e americanos e revela que muitos estão dispostos a pagar pelos conteúdos online (nomeadamente financeiros e desportivos). Esses gastos vão aumentar nos próximos anos e alterar a perspectiva dos que “esperam ter tudo gratuito” - mas só se não existirem ofertas equivalentes grátis.

Essa foi a razão porque 22% de utilizadores da Internet nos EUA cancelou a sua assinatura de jornais ou revistas em papel, segundo um inquérito do Center for the Digital Future.

No entanto, “apesar do enorme potencial de crescimento online, o papel continua[rá] a ser a maior fonte de receitas” dos jornais, salienta a PwC.

Há vários exemplos recentes de como os jornais tentam fazer crescer o seu negócio empresarial e/ou aumentar as vendas - mesmo que temporariamente - mas um em Inglaterra mostrou como a qualidade dos conteúdos, das reportagens, pode fazer a diferença.

Num país onde fecharam 80 jornais desde o início de 2008, o Daily Telegraph revelou o escândalo das despesas abusivas dos parlamentares, estabeleceu uma equipa de 25 jornalistas para tratar do tema, divulgou novas revelações e conseguiu somar diariamente centenas de milhar às habituais vendas de 800 mil exemplares.

Estas movimentações e estratégia dos meios impressos para o online deverá ser acompanhada atentamente pela comunicação social em geral, incluindo as televisões. Aliás, quando se fala de crise, são os jornais que assumem as fragilidades mas as cadeias televisivas, que pouco abordam este assunto, estão igualmente a atravessar uma forte recessão .

Não estão muito interessadas em falar sobre os problemas das televisões”, assegurou Michael Carpini, da Annenberg School of Communication, co-autor de um recente trabalho sobre estas diferenças (“Print covers its own woes, TV does not”), divulgado em Maio.

Numa análise a 26 jornais entre 2000 e 2009, foram contabilizados 900 artigos sobre quebras nas tiragens e 95 sobre perdas de audiências televisivas. Nas referências noticiosas das oito principais estações, baixaram para apenas 38 e seis, respectivamente.

Isto sucede quando perdem audiências mais rapidamente do que os jornais. No prime time, as televisões passaram de 32 milhões em 2000 para 23 milhões, segundo o New York Times. No mesmo período, a venda das edições diárias caiu de 56 milhões para 47 milhões.

Por tudo isto, a evolução dos media para cobrarem pelos conteúdos online permitirá clarificar se as notícias ainda têm algum valor económico pelo qual as pessoas estão dispostas a pagar ou se, pelo contrário, se banalizaram e desvalorizaram para quase zero. Qualquer que seja a resposta, será "uma alteração drástica no panorama estrutural dos media".

24 julho 2009

Regressos ao futuro

100 Things Your Kids May Never Know About:
1. Inserting a VHS tape into a VCR to watch a movie or to record something.
9. Vinyl records. Even today’s DJs are going laptop or CD.
16. Watching TV when the networks say you should.
28. Counting in kilobytes.
37. Finding out information from an encyclopedia.
50. Privacy.
51. The fact that words generally don’t have num8er5 in them.
98. Omni Magazine

Regressos ao passado

Back to the Future 1 and 2 Comparison: Can YOU spot the differences? 'Back to the Futures' Finally Compared

Algumas das novas regras

How to Behave: New Rules for Highly Evolved Humans:
Don't Google-Stalk Before a First Date
Don't Blog or Tweet Anything With More Than Half a Million Hits
Texting in the Company of Others Is OK
If You Can't Buy It Online, Feel Free to BitTorrent
Ignore Your Ex on Facebook

22 julho 2009

Ainda os conteúdos online...

...a propósito disto:

Publishers vs Google: what are the issues? Can a solution be found?
Peter Osnos questions the often-cited phrase "information wants to be free," pointing out that the original quote from which this sound bite is taken is not so straightforward. In fact, Stewart Brand, the man who coined the line, followed it in his 1987 book with "information also wants to be expensive." Brand highlights the tension between these two opposite ideas: information wants to be free "because it has become so cheap to distribute, copy, and recombine" but expensive "because it can be immeasurably valuable to the recipient." Brand's assumption that this tension would lead to "endless wrenching debate about price, copyright, 'intellectual property,' the moral rightness of casual distribution" has become increasingly accurate.

A Declaração de hamburgo vista por uma leiga: Não há uma internet papão, feita de parasitas de um lado e os desgraçados aflitos (até admito que estejam, hello, nas outras áreas todas da economia, anda tudo desgraçado e aflito, é a vida na crise!) dos tipos dos jornais que têm que ter os direitos de autor protegidos. Quando eu linko uma notícia sou uma parasita? Ou comentando-a, acrescentando valor (seja um valor bom ou ranhoso) e chamando a atenção para ela, não dou mais cliques ao jornal? Mais leitores, mais visibilidade? Cabe ao jornal arranjar formas de viabilizar e tirar proveitos dessa maior visibilidade, não é?

19 julho 2009

A acareação de Hamburgo 5/5

Abordada a crise dos media, a Declaração de Hamburgo, as posições de editores e da Google, visões e alguma especulação, vamos ao que interessa: qual o impacto disto tudo em Portugal?

A interacção entre o papel e o online pode ser tão devastadora como benéfica para leitores e editoras. Permite uma re-alimentação fantástica entre meios. Átomos e bits aos saltos perante uma audiência interessada - mas nada disso é abordado na declaração de Hamburgo.

O documento marca uma posição concertada para generalizar a convicção de que os conteúdos jornalísticos na Web vão ser pagos. “Get Your Free Online Newspaper! While You Can”. Estabelecer a ideia de que um conteúdo gratuito será bizarro, “idiotic”.

Os anúncios (de Berlim e em Portugal) são feitos com as empresas concertadas, para evitar avanços isolados, falhanços e recuos conhecidos.

Como as propostas são vagas, deixam cada um livre para fazer o que bem entender. E, por cá, vão ser feitas... à portuguesa.

Será criada uma cooperativa de fiscalização de conteúdos jornalísticos na Internet, com intenção de avisar primeiro e cobrar depois a indivíduos ou empresas que os usem sem pagar. Sim, fala-se de indivíduos.

A cooperativa Agemedia “vai ‘escrever’ aos que utilizam indevidamente os conteúdos a avisar ‘de que não o devem fazer ou como o podem fazer’, através do pagamento de direitos de autor”. Se a situação persistir “será resolvida em tribunal”, segundo João Palmeiro, presidente da Associação Portuguesa de Imprensa.

A cooperativa vai começar pelos “utilizadores indevidos nacionais”, “aqueles que disponibilizam nos seus sites notícias divulgadas pelos órgãos de comunicação social sem o devido pagamento”. Feito o pagamento, a Agemedia distribuirá o recolhido pelos cooperantes – e assim se explica como tantos grupos de media se juntem na “declaração de Lisboa”.

Então e o bandido Google? “A actuação contra motores de busca e portais agregadores de notícias, como o polémico Google News, será feita a nível europeu”...

Então e vão usar o REP? “Palmeiro frisou que o bloqueio do acesso só faz sentido em países como a Dinamarca, por ter uma língua que não é falada em mais lado nenhum”.

Então mas “tem de haver sanções a quem utiliza o que não lhe pertence”, como disse Pinto Balsemão? Tem mas os pequeninos dão menos problemas, até porque “o segundo passo é conseguir que os operadores de telecomunicações e de Internet desliguem esses prevaricadores e retirem-nos da rede”. “Em causa, estão motores de busca como o Google News ou o YouTube, mas também portais que agregam conteúdos que não são deles e empresas que compram clipping (serviços de selecção de notícias em jornais, revistas ou sites), explicou João Palmeiro”.

Vão desligar da Internet motores de busca, portais e empresas? Sim, com a ajuda da Inspecção-Geral de Actividades Culturais, da Entidade Reguladora para a Comunicação Social e da Anacom.

Quanto ao clipping, a declaração de que as “empresas que compram clipping” é que estão em causa deve ser engano. Senão, é uma curiosidade: penaliza-se quem compra mas não quem produz e vende essa agregação de conteúdos?

Sobre esta “selecção regular de artigos de imprensa periódica, sob forma de revista de imprensa”, os grupos de media não emitem opinião nem se altera a lei. Não se percebe porquê, quando é um negócio pernicioso para elas. Não se pode chamar roubo porque é legal mas o que diriam os merceeiros ou os hipermercados se eu lá fosse todos os dias, seleccionasse gratuitamente umas peças de fruta e as agregasse num saco para depois as vender a terceiros?

Não se metem com as empresas de clipping mas sugerem-se “medidas práticas, como ‘a aplicação de uma taxa a todos os equipamentos de reprodução digitais’”.

Assim, dificilmente os princípios da declaração de Hamburgo assinada em Berlim, filtrados pela esperteza em Lisboa, vão trazer melhorias ao jornalismo português.

Sim, os conteúdos jornalísticos online podem vir finalmente a ser pagos mas isso já podiam antes. A concertação de Lisboa garante que avançam todos unidos? De pouco servirá, na prática, porque a lei nacional sobre o direito de autor isenta de protecção as notícias do dia.

Sim, os editores de media vão finalmente confrontar os gigantes da Internet – mas primeiro vão ao peixe miúdo. Quem acompanhou as reviravoltas da indústria discográfica nos últimos anos já deve estar a antecipar a galhofa que aí vem. Mas quem gosta do jornalismo, dificilmente achará piada.

A acareação de Hamburgo 4/5

Yes, News Sites Are Facing A Crisis, But Aggregators Aren’t The Problem

Os grupos de media querem a partilha de remuneração pelos acessos através do Google News mas não querem ser desindexados dos motores de busca via REP. É legítimo.

A resposta do Google é “usem o REP, saiam dos motores de busca, nós damo-vos tráfego e só têm de aceitar a nossa posição”.

Os media provavelmente nem desejam sair das News mas não querem que a Google fique sózinha com o negócio. Posição destrutiva? Talvez, porque a Google pode ver que dificilmente ali terá um gerador de receitas e se desinteresse do modelo. Por enquanto, espera para ver, sem arriscar um confronto directo com os media.

Por isso, um site com conteúdos de “mais de 25 mil organizações noticiosas”, gerador de “mil milhões de visitas”, não tem publicidade. Isto quando até o próprio Blogger já a tem internamente...

Uma outra vertente pouco discutida é a posição da Google e dos media sobre os conteúdos de arquivo.

É tentador tê-los indexados numa porta de entrada global como o Google mas por onde se fará o acesso ao conteúdo integral?

Se for no motor de pesquisa, a Google - que criou todo o sistema - paga pelos acessos externos aos textos. É o que os media querem para as News. Mas é possível delimitar uma janela temporal após a qual o título desses conteúdos está no motor de busca mas o conteúdo está acessível no arquivo digital do jornal. Se o utilizador o quiser, paga ao jornal – e a Google não recebe nada?

Neste impasse, a posição dos media é de arrogância impotente e a da Google é de impotência estratégica. Os media detém os conteúdos mas não sabem como triunfar online (principalmente sem os motores de busca...); o Google sabe mas não o pode fazer com os conteúdos de outrém. Falta uma terceira via que não será fácil de atingir.

No referido artigo “Put up or shut up”, a posição dos media é descrita de forma clara: “If all of the newspapers in America did not allow Google to steal their content, how profitable would Google be?

É assim que, em plena crise, os editores olham sofregamente para uma empresa com receitas “acima do esperado pelos analistas”. “De outra maneira, não há jornalismo profissional independente, porque eu para ter jornalistas tenho de lhes pagar os salários e para lhes pagar os salários tenho que vender conteúdos”, argumenta Pinto Balsemão. “Fazer informação não é barato, se se degrada numa oferta sem controlo, os próprios grupos perdem aí um suporte que lhes permita ter, progressivamente, maior qualidade”, refere João Aguiar, presidente do Grupo Renascença.

Realmente, “newspaper and magazine publishers have to be the first industry in history that’s rebelled against another business sending them customers”.

A acareação de Hamburgo 3/5

Os media continuam atrasados para chegar ao futuro?

Apesar de nunca ser nomeada na declaração de Hamburgo, a Google (e apenas ela, de tantos motores de busca...) resolveu mostrar que está “Working with news publishers”.

A empresa explica que os direitos de autor nunca estiveram em questão (pertencem aos grupos de media) e lembra que duas pequenas linhas de código do Robots Exclusion Protocol (REP) garantem a esses grupos a inacessibilidade. Mais: “REP isn’t specific to Google; all major search engines honor its commands”.

Realmente, é difícil conter um sorriso. Uma empresa que não adere à solução tecnológica ACAP defendida pelos media, propõe uma resolução técnica.

E, naturalmente, lembra como “more than 25,000 news organizations across the globe make their content available in Google News and other web search engines”, sendo que “delivers more than a billion consumer visits to newspaper web sites each month”.

Como escreveu um David nos comentários ao texto, “This is a very nice way of saying, ‘You guys in the newspaper industry are dingbats. If you don’t want us to send you traffic, we wont. Stop complaining”. Ou, dito de outra forma, “Put up or shut up”.

Tradução: “Assumam ou calem-se!

A frase é boa e resume tudo o que deve ser dito sobre os jornais e outros media que querem chatear o Google por causa de agregar notícias”, diz António Granado. O texto “até inclui as duas linhas de código que os sites têm de pôr nas suas páginas para não serem indexados nos motores de busca. Simples. Muito simples. Mas até aposto que ninguém se atreve…

Os jornais não têm de se atrever, nem querem “uma lei que obrigue alguém (neste caso, o Google) a comprar um produto...

É bom recordar que a Google já perdeu, pelo menos, na Bélgica e na Alemanha pelas suas práticas de uso de conteúdos de terceiros.

À época, a resposta da Google foi divertidíssima: “If a newspaper does not want to be part of Google News, we remove their content from our index—all the newspaper has to do is ask. There is no need for legal action and all the associated costs”.

Esta lógica, uma visão digital do bem contra a estupidez analógica dos jornais, atravessa a defesa da empresa e das suas News. Ela é partilhada em detalhe num bom artigo de Paulo Querido que merece alguma análise.

O Paulo escreve que “os media não têm nada para dar à Google em troca de uma percentagem do que supõem ser os lucros por indexar os conteúdos deles”. Bom, quer dizer, têm... as notícias, os tais conteúdos.

Ou que a Google “não produz, emite, copia, ou republica um único todo coerente”. Claro que emite (está na Web), copia (nem que seja o título) e agrega publicamente e de forma coerente. É ver o Google News.

Ou ainda que “O valor que o motor de pesquisa Google gera é fabricado a partir da sua própria actividade — encontrar o mais relevante resultado para cada pesquisa — e não depende um milímetro, ou fracção, do valor dos conteúdos de que são proprietários legítimos e reconhecidos os ocupantes do comboio ‘Declaração de Hamburgo’”. Não. Neste caso das notícias, o Google não encontra o mais relevante mas procura quem deu a notícia primeiro e é esse que é atirado para a linha da frente. E mesmo que não seja o caso, como é que o valor da Google “não depende um milímetro” dos conteúdos no News se estes conteúdos não são seus. Incongruência.

Também por isso, não é verdade que “o Google é cego” e muito menos “neutral”. A cegueira de um algoritmo será sempre difícil de determinar, mas nem preciso de o afirmar. Diz o Paulo: a “Google não se alcandorou à tarefa de tornar os conteúdos existentes mais interessantes e promover novos conteúdos [...] mas atribuiu-se a si próprio a incumbência de indexar o maior número possível deles e aplicar-lhes valor através de um algoritmo. Este algoritmo não mede o valor intrínseco de uma página ou conteúdo (paradigma old media) mas sim o seu valor exógeno — isto é, como é percepcionado e “avaliado” pelos pares (peering) do meio que o enquadra (paradigma new media)”.

Finalmente, também não é verdade que “o Google não quer saber — não quer mesmo, é um conceito alienígena para ele — o que pensam os produtores de conteúdos do que produzem, e uns dos outros”. Tanto quer saber que assina acordos com alguns deles como a Lusa, agência que também integra o grupo de assinantes da declaração de Hamburgo...

Apesar do Google ter dado a cara perante a visão digital para a Europa dos media, é bom ter em conta que a empresa pode ser ultrapassada no campo das buscas em tempo real.

Ou que ela pode ser secundária nas pesquisas nos equipamentos móveis e os conteúdos nem estarem principalmente no Google News. “People in the developing world can get as much utility out of Twitter as we do because they can use it on their cell phones”.

Para que serve o Android senão para fincar um pé nesse negócio?

A acareação de Hamburgo 2/5

Se é possível ter novos jornais e novos leitores, o que fazer aos antigos?

Olhar pela sua sobrevivência, presos num mundo que já não é o deles. Alguns meios precisam de ânimo, de uma declaração de Hamburgo contra o mundo online. É deslocada dos tempos, como o seu título: uma declaração de Hamburgo assinada em Berlim.

A 26 de Junho, o European Publishers Council (EPC) e a World Association of Newspapers reuniram-se em Berlim para preparar o documento que foi entregue a 9 de Julho à comissária para a Sociedade da Informação Viviane Reding, no âmbito da apresentação pública da estratégia para uma “Digital Europe”.

A “marcante declaração adoptada para os direitos de propriedade intelectual no mundo digital” tem dois objectivos, segundo Mathias Döpfner, o CEO do grupo Axel Springer: “a fair share of the revenues, which are already being generated through the commercial exploitation of our content by others, as well as the development of a market for paid content in the digital world”.

Estas legítimas aspirações eram dirigidas aos “motores de busca e outros agregadores”, segundo Döpfner, que não são nomeados no documento. O segundo parágrafo da declaração diz apenas: “Numerous providers are using the work of authors, publishers and broadcasters without paying for it. Over the long term, this threatens the production of high-quality content and the existence of independent journalism”.

A necessidade de manter uma elevada qualidade nos conteúdos é também atirada à cara dos governos. Como disse Pinto Balsemão, CEO da Impresa e presidente do EPC, “without control over our intellectual property rights, the future of quality journalism is at stake and with it our ability to provide our consumers with quality and varied information, education and entertainment on the many platforms they enjoy. In this declaration we call on governments worldwide to support the copyright of authors, publishers and broadcasters on the net”.

Neste mundo e futuro perfeito, uma empresa de media controla os seus direitos de propriedade intelectual na Internet, garante jornalismo de qualidade e dá aos “consumidores” informação, educação e entretenimento nas plataformas à escolha do freguês.

Tudo aquilo que já é possível hoje, notaram bem, e por isso é difícil conter um sorriso. Reforçado quando Balsemão insiste: “Se não houver remuneração dos conteúdos com credibilidade o jornalismo corre graves riscos, a democracia corre graves riscos”.

Mas a salvação de Hamburgo é apenas um agregado de intenções para pavimentar regras num terreno muito desregrado.

A acareação de Hamburgo 1/5

A imprensa está numa encruzilhada.

As edições em papel vendem menos exemplares a cada trimestre.

A publicidade online não sustenta uma redacção online agregada ao negócio da impressão e distribuição em papel. A publicidade online não sustenta sequer uma redacção online benemérita.

A ideia dos leitores a migrarem do papel para o online pode ser um erro. Num inquérito sobre os anos 2003 e 2006, constatou-se que 75,1% não lia jornais na Internet, “enquanto 21,8% assume fazê-lo”. 39,3% afirmava em 2003 consultar notícias da imprensa geral, em 2006 baixaram para 35,4%.

Há um número reduzido de acessos à Internet (1/5 da população?), com tendência para estabilizar.

Os patrões dos media aproveitam a crise para reduzir custos e emagrecer as redacções, esperando ter jornais em papel e no online com notícias de agência. Ficam todos a falar (d)o mesmo. O termo “agenda” é igual a “agência” que é igual a uma voz única em dezenas de meios de informação (rádios locais e imprensa regional incluídos).

No online, a agência nacional que fornece os media concorre directamente com estas publicações que a financiam e lhe compram os artigos, associando-se a motores de busca como o Google para garantir preponderância no ranking das “breaking news”.

Em jornais com as mesmas notícias de agência e redacções com menos jornalistas, de menor idade e sem apoio de editores consistentes (com efeitos perniciosos na política e na economia), é impossível a qualidade não diminuir.

O resultado é ampliado pelas críticas online – muitas ferozes, injustas e de oportunistas (no combate político, por exemplo).

Uma classe política ou empresarial culta olha para os media e vê uma oportunidade democrática. Os outros vêem problemas. Uns porque são escrutinados, os outros porque lhe podem estragar o negócio. Ambos perceberam como dificultar a vida à imprensa, até pela via legislativa. Ambos o fazem com o corte cirúrgico da publicidade e a divulgação selectiva de informação.

Neste caldo, o leitor afasta-se de um bem que perdeu “panache”, estilo, o saber ser importante para a sociedade que relata todos os dias, se tabloidizou e gratuitizou.

O referido inquérito da Obercom nota como “existe uma forte tendência para a leitura de jornais pagos ser mais valorizada”. Os media seguiram o caminho inverso e a fraca e gratuita oferta televisiva ocupou o terreno publicitário e dos consumidores.

A crise económica agudizou esta tendência – mas os jornais económicos aumentam as vendas. São os únicos que satisfazem as necessidades informativas?

Martim Avillez Figueiredo – que não aposta no online porque não dará retorno nos próximos anos - assegura que o seu i foi buscar 22% de leitores que antes não pegavam em jornais.

Em resumo, é possível levar as pessoas a ler jornais, mesmo em tempos de crise.

09 julho 2009

20 minutos para a história da fotografia


Niagara Falls, 1840: How academics found the first photograph to be taken in Canada

Escolha difícil?

Bing vs Google Can't choose default search engine? Want to compare Bing & Google results?

Ver também:
BlindSearch, the search engine taste test.
Bing vs Google vs Yahoo: the Blind search engine test
[Obrigado, Hugo]

Porque não é uma surpresa o Donut, o (ainda vaporware) Chrome OS da Google?


Em 1996! Netscape's Internet OS: The only difference technically between Netscape's Navigator browser and a traditional operating system is that Navigator will not include device drivers

Doug Rushkoff is bullish on Google's plans: In a sense, Google is just bringing computing back to the way it was supposed to be.

Google Chrome OS: Shiny and New

Google Set to Take On Microsoft With Desktop OS: Google's announcement of its Chrome desktop OS should come as no surprise, particularly in Redmond.

Google / Microsoft: there is no clear reason why Microsoft should quake over Wednesday’s announcement that Google intends to launch a free, fully fledged operating system by next year.
Google’s web browser Chrome, around which the new operating system will be based, has a mere 2 per cent market share

Google Chrome OS: five things you need to know
1) Is it all about the user?
2) Is it going to hurt Microsoft?
3) Will it make search the centre of everything?
4) Will it bring mobile and the desktop together?
5) Will it put Google at the centre of everything?

Five Reasons Google Chrome OS Will Fail

Five Reasons Chrome OS Will Succeed

Google's new platform Chrome aims to show Microsoft's Windows the door

Google's Marissa Mayer on the importance of real-time search: could change the way we navigate the internet

Next Android OS Nickname is Donut

Promatórios

Decomposting Bodies: What’s the greenest way to dispose of human remains?

Wiigh- Mäsak has finally figured out how to discreetly turn our earthly remains back into, well, earth.

The technique is called promession, the facilities that will do the job are called promatoriums, and the first one will open early next year in a converted crematorium in Jönköping, Sweden.

[imagem daqui]

Da mais recente edição do Observatorio (OBS*)

France, Italy, Portugal and Spain: four differentiated models from euromediterranean press: the creation of models differentiated of press the Second World war in France and Italy and the Dictatorships, and later Transitions to the democracy, in Spain and Portugal.

Blogging the 2003 Iraq War: Challenging the Ideological Model of War and Mainstream Journalism?: the role of the internet in 2003 Iraq war from the perspective of the challenges it poses to the practices and formats of mainstream journalism and to the hegemonic articulations of war.

What is Public Service on the Internet? Digital Challenges for Media Policy in Europe: The core challenge facing public service broadcasting today is the transition to public service media.

Why Some Wikis are More Credible than Others: Structural Attributes of Collaborative Websites as Credibility Cues: Recent technological advancements have helped giving rise to a variety of websites offering user-generated content through collaborative efforts. This study used focus groups to identify what features might influence credibility assessment of such websites. The findings revealed that editing features, discussion board and edit history were the collaborative features affecting credibility judgment of collaborative websites.

Uma questão de domínio

www.thosenewdomainnames.areforsuckers: Soon you'll be able to buy any top-level domain you want: .yourname, .america, .whatever. Don't do it.

08 julho 2009

Esquecimentos...


You didn’t Plagiarize, Your Unconscious Did: Is cryptomnesia—copying the work of others without being aware of it—to blame for journalism's ultimate sin? Um, maybe not.

Because The Mainstream Press Never Copies Stories From Bloggers Without Credit...: We've already joked that newspapers (by their own definition) are simply parasites of the people who actually make the news they cover, but newspapers have a long history of getting their stories from other publications and rarely given credit.

Spam e encurtadores de URLs


Spammers Shorten Their URLs: the presence of shortened URLs in spam had skyrocketed over the last few days and now appears in more than 2 percent of all spam.

Coisas para se entreter num avião...

Esta madrugada, noutras paragens

Por cá, ocorre a 7 de Agosto (ver comentários a discordar naturalmente da última frase)

06 julho 2009

Fui suspenso - mas porquêeeeeeeee, Twitter?....


A minha conta no Twitter foi suspensa ontem. Porquê?

Primeiro julguei ser isto: "If your updates consist mainly of links, and not personal updates". Era exagerado, qualquer alminha percebia isso, mas eu sei lá quem é o Twitter - em sentido inverso, ele sabe quem eu sou e até pode cancelar-me a actividade tuística sem consulta prévia...

Depois, apareceu o Mikeyy na minha "timeline", sem razão justificada para um artigo de Abril. Pensei: já me lixei. Mas nada, não foi dali. Verifiquei.

Entretanto, fui ver o "status do Twitter" e recomendava-se. Também dei uma vista de olhos pelo blogue e nada de mais. Estranho era terem-me cancelado a continha, a mim, com tantos infractores à mão, que eu bem os vejo nos followers.

Não me apetecia ficar sem uma conta com meses de interacções, hiperligações e umas pitadas de mensagens que me fazem falta (há backups para o Twitter, eu sei, mas como qualquer backup, há-de-se fazer por si...).

Nesta altura - passados alguns minutos - a paranóia instalou-se. É que não haviam razões óbvias para me suspenderem (isso não acontece desde a 4ª classe, pelo menos, e nessa altura a culpa era das ambulâncias - mas é outra história).

A única acção recente fora do normal foi a mudança do fundo de ecrã (já repararam? Vão, vão ver, eu espero... Está bem melhor, hã?). Será possível que os cavalheiros do Twitter não tenham gostado?

Em pânico, procurei um sinal, vasculhei o ecrã e, ups, lá estava ele. Não um, nem dois mas três! Três sinais!!! Então, foi tão óbvio.

Naquele momento, os números das acções que dependiam de mim estavam como agora vos apresento:
184 Following
879 Followers
7,648 updates

Perceberam? É tão simples de entender quando se vê a luz ao fundo do Twitter (é mais para o canto superior direito mas serve). E o que detectei eu? Façam as contas:

1+8+4=13=1+3=4

8+7+9=24=2+4=6

7+6+4+8=25=2+5=7

É tão cristalino, não é?

Alguém no Twitter anda a brincar com a numerologia e cancela contas quando elas chegam a um determinado patamar, a uma combinação própria e desconhecida dos leigos.

No meu caso, como atrás ficou provado, foi no número das actualizações: a sequência 4-6-7 está invertida nos primeiros três algarismos desses "updates". O último 8 aponta o único número que se repete nas contas anteriores, das pessoas que sigo ou nas que me lêem.

O que quer isto dizer? Não sei mas há obviamente uma ligação nisto tudo, tão forte que me assustei e escrevi um mail ao Twitter.

Nestes casos, o ponto de contacto - após se penar muito para perceber como se lá chega e funciona - é no ZenDesk. "We're here to help", é a declaração de intenções.

A ajuda vem num formulário para inscrever a queixa. "Fui cancelado, seus cabrões!" funciona porque o que eles realmente querem é o nome da conta - @contrafactos, no meu caso.

Mal o registo é feito no formulário, é gerado e registado um número de pedido (sempre os números...). Verifiquei que o meu era o #411662. Splash!! *+ºx%&!! Somem os três primeiros números, associem-no aos dois seguintes e vão perceber a minha preocupação (o último 2 é só para disfarçar).

Estou eu nestas andanças quando me chega não um, nem dois mas três emails do Twitter. Leram bem: três. Novamente. Splash!! *+ºx%&!!

Pediam para fazer tudo o que já tinha feito e, basicamente, me deixar estar sossegadinho porque estas "cancelas" de contas podem demorar até 30 dias a resolver! (repararam concerteza no três do 30? Claro...)

Nesse momento, uma sensação de alívio trespassou-me. O Twitter tinha acabado, para mim!! O fim! Para mim, o fim! The end. O regresso à calma do blogue. O Fluxo tinha-me expulso, sem apelo. Em paz, aprestava-me a desligar o ecrã quando leio o último tuíte. Não o penúltimo mas o último.

"Breaking", sem dúvida. Li que "Twitter Suspending Accounts in Droves". Assisti ao amontoar rápido de mensagens, todas a dizer o mesmo: o Twitter está a cancelar contas, feito maluco; ninguém percebe porquê nem consegue confirmar mas retransmitam, sff.

Alguns estavam ainda no início da árdua caminhada, como me tinha sucedido, e apenas lhes dava para um "thinking why Twitter suspended my account :("

Why meee? Twitter, "What are you doing?"

Talvez o descalabro termine esta manhã. Talvez. Mas vou olhar para os números com atenção. O Twitter não me engana. Tenho de ir, tenho de abrir a porta da rua. Já bateram três vezes.

[act.: ver também The Ultimate Fail Whale, via O que acontece quando a conta do Twitter é suspensa]

04 julho 2009

Quer ver a Estação Espacial até dia 16?

Space Station Marathon: The International Space Station (ISS) is about to make a remarkable series of flybys over the United States. Beginning this 4th of July weekend, the station will appear once, twice, and sometimes three times a day for many days in a row. No matter where you live, you should have at least a few opportunities to see the biggest spaceship ever built.

Check NASA's ISS Tracker for flyby times: Portugal

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