29 abril 2012

22 abril 2012

Alterações no trabalho

por Marshall Kirkpatrick

Sessão da tarde: My Best Friend's Birthday [1987 Short Film by Quentin Tarantino]

GIFs animados

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Dia da Terra

Earth Day 2012

Onde pára a academia?

"Portugal conseguiu a massificação da educação, mas o nível de qualidade que existe nas escolas é baixo. As pessoas saídas das universidades não têm competitividade. Não há excelência. Não admira a elevada taxa de desemprego junto da população jovem".

A declaração é de Miguel Soares, um investigador que “notou, por outro lado, que continua a verificar-se a fraca ligação entre os pólos científicos e a indústria, o que faz com que exista uma maior dependência do financiamento do Estado, para além de limitar a aplicação de inovações científicas junto das empresas”.

O português formado no estrangeiro não fala de uma outra “fraca ligação” entre os pólos científicos e a sociedade mas falo eu.

A universidade em Portugal é muito curiosa, age por reacção. A generalização é enorme, tantas são as suas faculdades, departamentos, secções, professores, investigadores ou alunos. Preenchidos os lugares para esses locais de investigação, o silêncio é enorme. O que faz a nossa academia? Onde estão as teses defendidas? Porque estão ocultadas da sociedade e das empresas e mesmo de outras instituições académicas? Não havia uma lei que obrigava a que essas teses fossem disponibilizadas online quando originadas nas universidades públicas?

De tudo isto me lembrei pela indignação da Associação Portuguesa de Sociologia (APS) contra umas “declarações, genericamente sobre a irrelevância para a comunidade nacional das ciências sociais e sobre a qualidade da formação dos seus profissionais”.


Ficou-se a saber que os “sociólogos portugueses são sujeitos a uma avaliação científica rigorosa, atestada por índices de qualidade e de produtividade nacionais e internacionais, cuja independência não pode ser posta em causa pela presunção de quem quer que seja e muito menos em jeito de atoarda”.

Onde pára essa avaliação, onde está para todos a vermos? E que raio tem a independência a ver com qualidade e produtividade?...

A APS reconhece ainda que o discurso na televisão “insensível ao contributo das ciências sociais, até para a economia real, se generalizou a outras áreas de profissionalização. De repente, e alegadamente, o País deixou de precisar de pessoas qualificadas, sejam arquitectos, engenheiros, enfermeiros, biólogos, informáticos ou economistas, sociólogos, antropólogos ou historiadores, entre outros”.

É bom ver a APS preocupada com toda esta gente. Eu desconhecia a existência da APS mas é lacuna minha, não imputável aos restantes 10 milhões de portugueses que a vêm intervir regularmente noutros assuntos que não televisivos.

Sou, assumo, um “insensível ao contributo das ciências sociais”.

Sou mas porque raramente o vejo – excepto às vedetas da sociologia que há anos transmitem a mesma posição nada crítica.

Sou, porque aquelas “pessoas qualificadas” são das que o país mais precisa para nos elucidar – porque foram formadas para isso e por isso devem saber mais que os outros e têm um contributo a dar ao país – mas não as consigo ouvir porque elas raramente falam. Claro que há algumas, poucas.


Cheguei a este comunicado da APS pelo Miguel Caetano, interveniente público em várias questões que afectam a cultura e a sociedade e a ela aporta um conhecimento académico. Mas é caso raro.

Alguém questionou o ministro Nuno Crato sobre o “apartheid provisório” (o termo é dele, em entrevista esta semana à TVI24) que está a querer gerar com as turmas de bons e maus alunos?

Ainda há dias, com o Luís António Santos, se colocava a mesma questão sobre os media: uma academia fechada, uns encontros porreiros sempre com os mesmos intervenientes em que pouco muda a agenda para estarem presentes sempre os mesmos a dizerem praticamente o mesmo, e a academia presta-se a isto sem qualquer actividade interdisciplinar ou “out of the box”, interessante e importante, que vá buscar gente de fora dos media – neste último caso.

E assim os alunos continuam a ouvir mais do mesmo (e cá fora também…): "o nível de qualidade que existe nas escolas é baixo. As pessoas saídas das universidades não têm competitividade. Não há excelência"…

Nem partilha de conhecimento com o exterior, nem debate no interior sobre tudo isto.

Há académicos participativos, além dos nomeados acima.

Por exemplo, se alguém percebe o que se está a passar hoje com a televisão digital terrestre (TDT) no nosso país, isso deve-se a Sergio Denicoli, da Universidade do Minho. Mas onde páram as outras instituições que estudam os media e/ou as telecomunicações?

Outro exemplo da ausência pública das universidades em temas prementes: quem vigia os cargos públicos?

Vai surgir um novo projecto, o Parlamento Online: “Eles votam na Assembleia da República, nós votamos online e depois vamos comparar os resultados. Será que os deputados, com este sistema eleitoral, realmente nos representam?”

Aquilo, como se apresenta, vai ser um “reality show”, mas nenhuma universidade olhou para isto, de forma diferente, e se posicionou para um papel mais sério.

Realmente, onde é que está a universidade que nos possa dar dados, informação, conhecimento e elucidar sobre a sociedade em que vivemos? Independente dos partidos e das vitórias eleitorais? Independente, analítica e divulgadora de conhecimento para a sociedade. É pedir muito?

05 abril 2012

the old man and the sea

Princípios

Principles of Journalism
1. Journalism's first obligation is to the truth
2. Its first loyalty is to citizens
3. Its essence is a discipline of verification
4. Its practitioners must maintain an independence from those they cover
5. It must serve as an independent monitor of power
6. It must provide a forum for public criticism and compromise
7. It must strive to make the significant interesting and relevant
8. It must keep the news comprehensive and proportional
9. Its practitioners must be allowed to exercise their personal conscience

01 abril 2012

Notas sobre “Jornalismo em tempos de crise”



Da conferência de ontem, algumas notas soltas:

Pedro Guerreiro (Jornal de Negócios)
É sobre a marca Negócios que montamos o resto [como eventos], com qualidade.

Edições gratuitas têm de ser melhores do que as pagas [para cativar na exposição. [E tem razão, lembrou-me a companhia aérea norte-americana que, quando os voos se atrasavam, telefonava para os clientes não habituais – porque precisava de os agarrar, enquanto os passageiros frequentes já estavam ganhos…]

Jornalismo em Portugal é de qualidade para os meios que temos. Os patrões dos media ainda protegem o lado editorial mas as actuais alterações accionistas nos OCS podem mudar este panorama.

Quero patrões que queiram ganhar dinheiro, senão é porque querem coisas piores.

42% das receitas de publicidade do Negócios já é no online. Mas preço é diferenciado (papel vs online) quando tipo de audiência é o mesmo.

No Negócios, diferença não é entre papel e online mas entre gratuito e pago.


José Manuel Fernandes
60 a 65% da publicidade online em Portugal é Google. [não revelou fonte]

Temos jornalismo ping-pong, com perguntas a intervenientes mas sem contextualização e aprofundamento das questões.  


Pedro Norton (Impresa)

Em 2011, o mercado da televisão foi comparável a valores de 2000. De 2008 a 2011 desapareceram 200 dos 700 milhões de euros deste mercado, que caiu mais 40% em 2011 e vai continuar a cair em 2012. Em Janeiro e Fevereiro deste ano, quebra foi de 20%.

Quando PIB cai, a publicidade cai 12% acima do PIB.

Os minutos de publicidade em TV são os mesmos, os preços é que se ajustam [ou seja, há publicidade mas valor pago por anunciantes é menor?].

A publicidade está a ir para “players” não tradicionais.

Mudanças fundamentais:
1) nas tecnologias, com passagem do analógico para o digital, do fixo para o móvel e quando a tecnologia é crítica para o negócio [pelo que não se percebe como as empresas de media não se juntam a tecnológicas…];
2) nos hábitos do consumo de medias, passando de consumidor a editor, consumindo informação quando quer e desencapsulada – como a música, não se lê jornal ou vê telejornal inteiro mas trechos, notícias desagregadas do todo;
3) na estrutura do negócio: é hoje mais fácil ser actor nos media, com concorrência não tradicional (por exemplo, de fabricantes de televisores), quando OCS estão obrigados a estratégias multi-ecrã e multiplataforma.

Há necessidade de correr mais riscos – o que é caro – e desenvolver criatividade, com novas narrativas.

Em resumo, uma tempestade perfeita que gera um caldo perigoso [com pressão dos anunciantes].

Dependências das receitas publicitárias na Impresa é menor do que há 15 anos.

10% da circulação paga do Expresso já é em iPad.

Não estou preocupado com futuro dos jornais mas com o do jornalismo.

Vendemos jornais e canais de televisão mas não sabemos a quem – é crucial saber, para o nosso futuro.  


Azeredo Lopes
A crise económica acelerou a crise dos media, não a criou.

Consumo seis a sete jornais por dia mas não os leio. Por exemplo, gosto muito da página de media no Correio da Manhã. E vejam a quantidade de notícias, muito grande, que [CM] publica.

Há distância dos OCS com os seus consumidores, há uma cegueira em não querer saber o que o consumidor quer. Não admira que as pessoas deixem de consumir informação jornalística.

Jornalista em blogue e respeitabilidade: quando o leio no jornal, é jornalista; quando a sua escrita ocorre em blogue, passa a ser meu par, não jornalista. [Há alguma razão nisto mas pode a alternativa ser viável: jornalistas não escrevem em blogues ou não emitem opinião publicamente?]

Mercado de media em concorrência: posso sempre comprar algo semelhante.

Há pouca coerência editorial, jornais querem ser ONU dos pequeninos, agradar a todos, a direita e esquerda – na opinião, porque nos factos é Deus (a direcção editorial) que manda. [A defesa de uma linha editorial política definida, que poderá degenerar num jornalismo em que meios defendem o candidato eleitoral A ou B, parece tentadora – compro aquele conteúdo com que me identifico. E se não me identificar com nenhuma linha política, leio o quê? E, quando as notícias não são lidas num todo mas atomizadas, fará sentido?...]

Outro erro sistemático é a relação quase obscena entre papel e digital (desvalorizando um perante o outro) e quando a publicidade online ia ser uma coisa nunca antes vista e há dificuldade em desmamar dos conteúdos gratuitos e avançar para os pagos.

Na distinção entre jornalistas e cidadãos, não serão os cidadãos a desaparecer.  


Ana Suspiro (estudo sobre media - cerca de uma dúzia de jornais, canais de TV e rádios - em Portugal, com dados entre 2006 e 2010)
Perderam-se quase 500 postos de trabalho.

Quase 70% dos efectivos estão em empresas públicas (RTP/RDP e Lusa).

O aumento dos vencimentos para jornalistas foi de 7%, enquanto as administrações se aumentaram 13,2%.

Sol perde cerca de sete milhões de euros em 2009 e outro tanto em 2010.

I também perdeu quase sete milhões de euros em 2010.


Francisco Pinto Balsemão (Impresa)
Como explicar os jornais que sobrevivem com prejuízo? Dois exemplos, antigos: Dia e Semanário…

O “infotainment” veio para ficar.

Temos de acabar com as torres de marfim.

Os motores de busca são meios de comunicação social? Não, mas são nossos concorrentes.

A lixeira que é a Internet [citando Eric Schmidt, do Google, mas concordando, embora mais tarde reconheça que tem coisas boas].

É preciso defender o direito de autor perante a pirataria [preocupação pareceu ser mais com o YouTube, por se pagarem direitos sobre golos no futebol, por exemplo, e os ver ali reproduzidos e acedidos sem qualquer retribuição por esses direitos].

Quem de nós nunca acedeu a conteúdos pirateados? Mas é concorrência desleal.

Tem de existir jornalista multimédia, que escreve, fotografa, edita, faz TV e infografias,…

Clipping? É roubo organizado que deve ser punido.  


Rui Borges
Constatação: conteúdos com sucesso não são editados por meios tradicionais: revista do Continente com 50 mil exemplares ou maior revista de saúde, no Reino Unido, editada por parafarmácias.

Vamos editar nova revista de economia em Moçambique, no fim deste mês.


André Freire Andrade (Carat Portugal e Espanha)
Há correlação entre PIB e publicidade: o primeiro sobe, o outro também – em todo o mundo.

Tendências:
- consumo de conteúdos é agora muito maior
- mobilidade e marketing localizado
- medias sociais

Há quatro grandes ecossistemas (Google, Facebook, Amazon e Apple). Desafio é como produtores de conteúdos conseguem entrar nestes “buracos negros” que tudo sugam.

Trabalho directamente com os três maiores anunciantes mundiais e quem quer falar comigo sobre novas estratégias são a Google ou o Facebook, não os media tradicionais.

[Ver também o Indústrias Culturais e um outro "Jornalismo em tempo de crise: ascensão, glória, agonia e ressurreição".]

Sessão da tarde: Manufacturing Consent - Noam Chomsky and the Media


Manufacturing Consent curates instances of Chomsky going from interview to interview, debate to debate, forum to forum, making sharp-sounding points about the relationship between business elites and the media and what it does, in his view, to make democracy malfunction.

A história do 1 de Abril