31 dezembro 2012

Bom 2013

Como fazer um laço

Filmes 2012

Coisas que é bom saber...

De acordo com os dados da Direcção-Geral do Orçamento, as despesas de pessoal na administração directa, institutos públicos, regional, local e segurança social representarão no final deste ano 15 mil milhões de euros, menos 14% do que em 2011. Enquanto isso, as aquisições de bens e serviços – viagens, telecomunicações, serviços de segurança, etc – atingirão os 22 mil milhões de euros, ou seja, mais 14% do que em 2011. E aqui não incluo os dados da Saúde porque é dirigida por um ministro que conhece muito bem a administração pública e tem os gastos efectivamente controlados. [...]

O Estado devia perceber que é urgente montar um sistema de regulação e controlo de gestão pública. Enquanto não perceber isso não controla o défice. Mas o Governo prefere cortar nas pensões, reduzir o subsídio de desemprego ou os salários. Os salários da função pública não chegam a 12% do PIB, quando a verba para aquisições e investimentos, ou seja, contratos com terceiros, ronda os 17%. Para reduzir a despesa pública, o Governo não deve ter a obsessão em reduzir os salários da função pública! A prioridade é controlar estas várias administrações públicas (indirecta, regional, etc).

(O problema do Governo é não conhecer a função pública)

28 dezembro 2012

Ainda Baptista da Silva

Questões que permanecem, mesmo após o novo comunicado da direcção do Expresso:

1) Ninguém desconfiou antes de um cartão de visita do PNUD com um endereço de correio electrónico no Gmail? 
Contexto: "Victor Ângelo, que foi secretário-geral adjunto da ONU antes de se reformar há dois anos, nota a originalidade do cartão de visita que o "técnico do PNUD" entregou ao director adjunto do Expresso - usa um velho logótipo da ONU, já em desuso, e tem uma morada de gmail [...]"

2) É normal o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) investigar entrevistas e alertar a comunicação social para casos destes? 

Contexto: "No Ministério dos Negócios Estrangeiros a entrevista também causou estranheza, pelas mesmas razões. Logo na segunda-feira, 17 de Dezembro, foram enviadas perguntas para Nova Iorque e para Genebra: o MNE queria saber se Baptista da Silva trabalhava de facto para o PNUD e se o observatório citado existia. A meio da semana chegaram a Lisboa respostas preliminares, dizendo que "tudo indicava ser falso", disseram ao PÚBLICO fontes diplomáticas. Na quinta-feira, numa reunião de coordenação, o assunto foi abordado, mas só de passagem: a equipa do departamento multilateral aguardava resposta formal sobre o caso. Antes do Natal, a resposta oficial chegou por telefone: não havia rasto daquele homem, era um impostor."

Contexto: "A SIC – que segundo Nicolau Santos foi alertada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros – desvendou, no domingo, a suposta farsa de Artur Baptista da Silva".

3) Após a entrevista ao Expresso a 15 de Dezembro, o MNE questiona a ONU a 17. A "meio da semana" (entre 18 e 20?) chegam "respostas preliminares", sendo o caso abordado a 21 mas "só de passagem" numa "reunião de coordenação" (do MNE ou da ONU?). 21 foi a sexta-feira da emissão na SIC do Expresso da Meia Noite com Baptista da Silva. A SIC revela que ele é "impostor" a 23 de Dezembro. A "resposta oficial" do MNE (ou da ONU) chegou assim entre dias 22 e manhã de 23?

4) Qual a razão da urgência do MNE (ou da ONU) trabalharem sábado 22 e manhã de domingo 23 para alertar a SIC sobre o "impostor"? E que equipa é esta do "departamento multilateral" que não existe na lei orgânica do MNE? Ou será da ONU - mas, mesmo assim, quem alertou a SIC sobre a "resposta oficial"?

Annie Leibovitz


One must take care, when writing about well-connected cultural figures, not to abuse the word iconic. But when one writes about the photographer Annie Leibovitz, one almost has to abuse it.

24 dezembro 2012

Noite de Natal

No reino do rei Artur (actualizada)

O agora famoso Artur Baptista da Silva pode ser um burlão.

Entre outras coisas, insinuava-se junto de organizações, participava em jantares-debate e conferências, como no VII Congresso Internacional "A Felicidade", anunciado no próprio Ministério da Saúde.

A culpa pelo seu célere mediatismo foi dos jornalistas que não validaram as suas credenciais - e dos meios de comunicação social que, à pressa, removem agora o espaço que lhe deram.

Dito isto, os bloggers bem podem dizer que os jornalistas foram "engrupidos" mas a verdade é que os tais engrupidos foram quem primeiro questionou e agora denunciou o caso. Isto enquanto lhe davam tempo de antena e outros apenas ficavam a olhar para um "fenómeno que me inquietou e pasmou nos últimos dias pelas dimensões que atingiu".

O que este caso prova não é apenas a fragilidade do jornalismo ou dos jornalistas que serão enganados perante quem os pretender ludibriar ou dos meios de comunicação por não terem mecanismos de validação anteriores ao que se emite/publica e de quem se convida para o fazer e opinar.

O que este exemplo demonstra é que nem milhares de almas que publicam em blogues ou no Facebook - muitos a elogiar e a citar anteriormente as entrevistas de Baptista da Silva - conseguiram ter a mínima suspeita. Isto não desculpa os jornalistas, que têm responsabilidades acrescidas. Apenas mostra que o "jornalismo do cidadão" é uma treta quando um cidadão resolve enganar o jornalismo e a sociedade. Nesse caso, são todos engrupidos...

Actualização:
O Expresso e [o cartão de visita de] Artur Baptista da Silva

O burlão e o jornalismo: Qualquer jornalista sabe - e isso consta no código de conduta e nos procedimentos gerais da profissão - que as informações devem ser confirmadas. Ora, não foram - e aqui estamos perante um erro que é mesmo isso - um erro, não devia ter sido cometido.

"Lamento muito mas fui mesmo embarretado", diz Nicolau Santos:“Tudo se resume a isto: cometemos um erro terrível, do qual me penitencio – não confirmámos se aquele senhor era quem dizia ser. Para além disto, qualquer conclusão é abusiva”, disse Nicolau Santos. [...] “Cometemos um erro, mas não foi sequência da pressa ou da precipitação”, refere Nicolau Santos.

Ninguém conhece Artur Baptista da Silva na ONU: o inexistente colaborador da ONU - como o DN ontem confirmou junto das Nações Unidas -, o falso consultor do Banco Mundial, o homem que sempre se apresentou como sendo economista, a figura que deu entrevistas a diversos órgãos de comunicação social e foi orador convidado por instituições prestigiadas, continua a ser o "burlão encartado" como era conhecido, nos bastidores, quando foi presidente do conselho de fiscalização do Sporting, no tempo de Jorge Gonçalves.

Falso coordenador da ONU inventa relatório e engana "Expresso", SIC, TSF e Reuters: foi o Ministério dos Negócios Estrangeiros que ao tentar confirmar o relatório que analisava a política de austeridade portuguesa deparou-se com uma fraude: nem o homem trabalha na ONU nem o observatório referido existe.

Burlão plagiou tese de quadro do Banco Mundial

Os peritos que afinal não o eram: Como a BBC, New York Times, ou ABC foram enganadas por pessoas com carreiras inventadas no mundo da finança ou dos assuntos militares.

Actualização 1:

Burlão mantém que é "colaborador voluntário" da ONU: Afirma Baptista da Silva que "tal como o poder político, também alguma comunicação social é muito forte com os que lhe parecem ser fracos e cobardemente fraca com os fortes cujos poderes a manietam".

E exemplifica: "Chamar-me burlão têm sido fácil! Mas nunca, até agora, os vi chamar burlões aos 50 maiores devedores do BPN que, esses sim, burlaram o Estado Português, num montante equivalente a 1% do PIB, nem aos que transferem capitais, limpos e sujos, para paraísos fiscais, delapidando os interesses do Estado fugindo ao pagamento dos impostos e que paulatinamente, e no silêncio cúmplice da mesma comunicação social, aproveitam as janelas de oportunidade concedidas periódica e discriminatoriamente, pelos diversos governos que lhes perdoam o crime fiscal em troca do pagamento de uma taxa de 7,5%, ou seja, um terço da dos cidadãos sérios que aplicam as suas poupanças em Portugal e pagam 22,5%. A isto chama-se cumplicidade silenciosa do benefício não ao infrator mas ao criminoso", refere em comunicado.

O impostor e as imposturas: Artur Baptista da Silva é um burlão. E o que disse, é intrujice?

Actualização 2:
ONU diz que Artur Baptista da Silva “não está autorizado” a falar em nome da organização

09 dezembro 2012

Sessão da tarde: Solus

Depois de se ver isto, já podemos falar do papel dos fotojornalistas e da capa do New York Post?

A Tibetan man screams as he runs engulfed in flames after self-immolating at a protest in New Delhi, India, ahead of Chinese President Hu Jintao's visit to the country, on March 26, 2012. The Tibetan activist lit himself on fire at the gathering and was rushed to hospital with unknown injuries, reports said. (AP Photo/Manish Swarup)
Unidentified people beat Svyatoslav Sheremet, head of the Gay-Forum of Ukraine public organization, in Kiev, on May 20, 2012. Sheremet was attacked after meeting with members of the media to inform them that a scheduled gay parade was cancelled. The attackers ran off when they realized members of the media were documenting the attack. (Reuters/Anatolii Stepanov)
Palestinian gunmen ride motorcycles as they drag the body of a man, who was suspected of working for Israel, in Gaza City November 20, 2012. Palestinian gunmen shot dead six alleged collaborators in the Gaza Strip who "were caught red-handed", according to a security source quoted by the Hamas Aqsa radio.
Fashionistas pose for photographs in front of a homeless man outside Moynihan Station following a New York Fashion Week show in September. (Lucas Jackson/Reuters)
An employee from a government-owned company in Athens, Greece, threatens to jump from her office window after being told she would likely be laid off. (Panagiotis Tzamaros/Reuters)
Polish and Russian fans clashed during a parade by Russian supporters to the National Stadium in Warsaw on June 12, before the Group A preliminary match between the two countries during UEFA EURO 2012 (Rafal Guz/European Pressphoto Agency)

Free Syrian Army fighters watch a regime army position through a hole in a wall in Aleppo, Syria's most populous city. (CNN)


Who Let This Man Die on the Subway? Why didn't anyone help him?

Tabloid Photographers Defend Man Who Snapped 'Post' Subway Horror: "People are very quick to see a photo of a tragedy and immediately blame the photographer for 'not helping.'"

Anger at New York Post cover photo of subway passenger seconds from death: Picture of man in the moments before being fatally struck by train prompts questions photographer's role in helping him

New York Post cover photo: Man shown moments before his death: "There is a danger that this publication decision could encourage potential rescuers to decide instead to snap photos"

5 Keys to the Controversy Over NY Post Photographer's Subway Death Photo:
2. He took a really good photo. Who knows why Abbasi’s first instinct after seeing Han on the subway tracks was to run down the platform, taking pictures to alert the subway driver with flashes? (Although according to him it worked. He told The New York Times that the driver told him he slowed down after seeing the camera’s flashes.)

4. He made no editorial decision. If there’s one thing we can all agree on, it’s that the worst part of this whole story is the New York Post. They ultimately decided to run the photo, with the most disgusting headline imaginable: "DOOMED! Pushed on the subway track, this man is about to die." It seems impossible to come up with a more insensitive headline than that.

Train Wreck: The New York Post’s Subway Cover: “It all happened so fast.”

We All Have Photographic Memories: The digital age gives a new (and almost opposite) meaning to having a photographic memory. The experience of the moment has become the experience of the photo.

07 dezembro 2012

Nobel em directo, com quiz

Noam Chomsky e media

Australian social scientist Alex Carey, argues persuasively that “the 20th century has been characterized by three developments of great political importance: the growth of democracy, the growth of corporate power, and the growth of corporate propaganda as a means of protecting corporate power against democracy"

"You don’t have any other society where the educated classes are so effectively indoctrinated and controlled by a subtle propaganda system – a private system including media, intellectual opinion forming magazines and the participation of the most highly educated sections of the population. Such people ought to be referred to as “Commissars” – for that is what their essential function is – to set up and maintain a system of doctrines and beliefs which will undermine independent thought and prevent a proper understanding and analysis of national and global institutions, issues, and policies."

Há mais em 10 Brilliant Quotes by Noam Chomsky on How Media Really Operates in America

Tina & Baba despedem na Newsweek



Newsweek Layoffs Coming Today, Tina Brown Confirms:

To: All Staff
From: Tina Brown / Baba Shetty

The sad moment has arrived when we must go forth with the editorial staff reductions that we discussed in person with all of you several weeks ago. Employees in the affected positions will be notified today. Much of this has already happened on the business side, and today we will be letting staff on the editorial side know where we will be eliminating positions. This is a very difficult day, and one that we approach with enormous regret.

Anyone whose job (or job category) is affected will meet today with a senior member of the editorial team. No one will be asked to leave before December 31st (and many will stay at least into mid-January). Managers will be getting in touch later this afternoon with groups of affected employees to let them know when and where their particular meeting will take place. After the meetings with management, you should feel free to speak with Holly Antiuk or Lauren Strada for more specifics on all aspects of this transition. We are working to ensure that the process is handled as sensitively as possible.

Tina & Baba

03 dezembro 2012

Cavaco Silva e os outros


O Público tentou aceder ao processo de avaliação da casa de Cavaco Silva no Algarve, junto das Finanças de Albufeira.

"A 31 de Janeiro, a administração fiscal recusava-lhe [ao jornalista] o acesso invocando o sigilo fiscal. "Tal dever de sigilo apenas cessa em caso de autorização do contribuinte, cooperação legal da administração tributária com outras entidades públicas, assistência mútua e cooperação da administração tributária com as administrações tributárias de outros países e colaboração com a Justiça", referia a resposta.

Contestando que os dados da avaliação fossem de natureza pública, como sustentava o jornalista, defendia-se que "o processo de avaliação integrava não apenas dados de natureza pública, mas também dados suceptíveis de revelar a situação tributária dos contribuintes, protegidos pelo dever de sigilo".
Se assim é, com que legalidade é que as Finanças publicam online a lista dos devedores fiscais, sem a autorização destes? Não são igualmente "dados suceptíveis de revelar a situação tributária dos contribuintes, protegidos pelo dever de sigilo"?

O inquérito Leveson e Portugal


Lord Justice Leveson opened the hearings on 14 November 2011, saying: “The press provides an essential check on all aspects of public life. That is why any failure within the media affects all of us. At the heart of this Inquiry, therefore, may be one simple question: who guards the guardians?


Do Executive Summary: There were many other examples of egregious behaviour on the part of the press each one seen, at the time, as free-standing. The most serious were the treatment of Drs Kate and Gerry McCann following the disappearance on 3 May 2007 of their daughter, Madeleine, in Praia da Luz, Portugal...

Do Relatório, o volume dois tem várias referências ao caso McCann (o três tem algumas sobre Portugal, num outro caso), algumas curiosas (negritos meus):
- In short, the NoTW had come into possession of the personal diaries of Dr McCann, via a Portuguese journalist who had, himself, acquired them from the Portuguese police. It chose to publish highly personal excerpts from the diaries without the consent of Dr McCann.

-  The diary was seized by the PJ in August 2007 pursuant to its investigations, but the Portuguese court ordered its return to Dr McCann, as well as the destruction of all copies in its possession. The PJ had translated the diary into Portuguese and unfortunately one of the copies of the translated version found its way into the hands of a Portuguese journalist.
A former NoTW journalist told the Inquiry how a copy of the diary was acquired by the paper on payment of a substantial sum
and then translated back into English. As Dr McCann pointed out in her evidence, the re-translated text did not completely match the wording of the actual diaries...


- By the summer of 2007, however, what had begun as a sympathetic approach by the press to an ongoing personal tragedy had altered; this change had been prompted by ‘leaks’ from the Portuguese police to the local and British media representing their version or speculation of what might have happened to Madeleine. [...] One title prided itself in the fact that it was apparently fair minded because on one day it would print a hostile story while the next it would provide a more sympathetic portrayal. The defamatory reporting continued for approximately four months...

- It is well known that British newspapers were relying on reports in Portuguese journals and other sources which were either associated with, close to, or directly part of the PJ.



- For present purposes it is necessary to draw attention only to a short extract from the witness statement of one of the journalists: “Although I was confident of the veracity of the reports I was writing, due to the secrecy of justice laws they were impossible to prove, to any satisfactory legal standard, at that time...Due to the restrictions of the Portuguese law, anyone who was unhappy about something that had been written or said about them and wished to take action would almost certainly have been successful. As a journalist this is a wholly unsatisfactory position which, in my view, leaves news organisations at the mercy of potential litigants. They simply are unable to defend themselves.”


Segunda-feira