31 dezembro 2013

Cheers no iPad

Como abrir garrafas

Acontecimento do ano? As violações da Declaração Universal dos Direitos Humanos

Tanto a nível nacional (pensões e educação, por exemplo) ou internacional (vigilância da correspondência por NSA mas não só).

Exemplos retirados da Declaração Universal dos Direitos Humanos:
Artigo 12.º - Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a protecção da lei.

Artigo 22.º - Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos económicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país.

Artigo 23.º - Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego. (...) Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social.

Artigo 25.º - Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.

Artigo 26.º - Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional deve ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito.

27 dezembro 2013

Onde estudaram os líderes


This Map Shows What All The World's Leaders Studied In School: Ever dream of leading your country? You have the best chance of getting there with a major or advanced degree in economics, law, or politics.

Malala Yousafzai responde a Jon Stewart


In the key moment of the interview, Stewart asked her how she reacted when she learned that the Taliban wanted her dead. Her answer was absolutely remarkable:

I started thinking about that, and I used to think that the Talib would come, and he would just kill me. But then I said, 'If he comes, what would you do Malala?' then I would reply to myself, 'Malala, just take a shoe and hit him.' But then I said, 'If you hit a Talib with your shoe, then there would be no difference between you and the Talib. You must not treat others with cruelty and that much harshly, you must fight others but through peace and through dialogue and through education.' Then I said I will tell him how important education is and that 'I even want education for your children as well.' And I will tell him, 'That's what I want to tell you, now do what you want.'

26 dezembro 2013

Mensagem banal

Passos Coelho: como um povo orgulhoso, dono do seu próprio destino, que não receia o futuro e que sabe que, do alto de quase 900 anos de história, os seus melhores anos ainda estão para vir

Robert B. Zoellick, presidente do Banco Mundial: O Grupo Banco Mundial é uma das grandes instituições multilaterais criadas depois da 2ª Grande Guerra. Sessenta anos depois, tem de se adaptar a circunstâncias extraordinariamente diferentes, numa nova era de globalização. Penso que os seus melhores anos ainda estão para vir.

Rui Costa: acredito que os melhores anos ainda estão para vir

Rafael Benitez: Ele é claramente um atleta que inspira aqueles que trabalham com ele e está a jogar de forma fantástica, apesar de me parecer que os seus melhores anos ainda estão para vir

José Mourinho: Melhores dias ainda estão para vir

Better days to come? (nas Maurícias...)

25 dezembro 2013

A lei de Moore e a origem da vida (a sério...)


Moore's Law and the Origin of Life: it’s possible to measure the complexity of life and the rate at which it has increased from prokaryotes to eukaryotes to more complex creatures such as worms, fish and finally mammals. That produces a clear exponential increase identical to that behind Moore’s Law although in this case the doubling time is 376 million years rather than two years.
That raises an interesting question. What happens if you extrapolate backwards to the point of no complexity–the origin of life?

Sinais dos tempos

por Andres Serrano

Os brinquedos que as crianças querem

The Most Popular Toys Of The Past 50 Years: Kids don't want toys anymore. They want robots and computers.

17 dezembro 2013

Tempus Fugit

The expression was first recorded in the poem Georgics written by Roman poet Virgil: Sed fugit interea, fugit irreparabile tempus, singula dum capti circumvectamur amore, which means, "But meanwhile it flees: time flees irretrievably, while we wander around, prisoners of our love of detail."

08 dezembro 2013

Pensamentos convergentes

Quem disse isto?:“They’re the very same people who have a zealot-like faith in their own church, which happens to be the church of big government,” she continued. “That debt that’s rising and growing so large that our kids and grand kids are never going to be able to pay it back. No, no matter how they spin it, those Orwellian double-speaking words that we hear so often today.” (...)

“Our free stuff today is being paid for today by taking money from our children and borrowing money from China,” she opined. “When that note comes due — and this isn’t racist so try it anyway, this isn’t racist — but it’s going to be like slavery when that note is due, right? We are going to be beholden to a foreign master.”



E quem "apontou a dívida como uma "forma moderna de escravatura", afirmando mesmo que, "de certa forma", Portugal está nessa fase. "Estamos, em grande medida, escravos da nossa dívida. Pois não é verdade que há dois anos fomos mais ou menos obrigados a assinar um acordo sem o qual não havia dinheiro para muitas coisas? Quem vai por ai depois sujeita-se", assinalou."

Sessão da tarde: 2013 Movie Trailer Mashup

06 dezembro 2013

Ainda Cavaco Silva e Nelson Mandela (ah, e a ONU e os nossos partidos em 2008...)

Nelson Mandela foi "um gigante do nosso tempo", afirmava Cavaco Silva em 2008.

Nesse ano, a 18 de Julho, a Assembleia da República debateu os votos de congratulação pelo 90º aniversário de Mandela.

A dada altura, o deputado António Filipe (PCP) lembrou: "quando, em 1987, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, com 129 votos, um apelo para a libertação incondicional de Nelson Mandela, os três países que votaram contra foram os Estados Unidos da América, de Reagan, a Grã-Bretanha, de Thatcher, e o governo português, da altura".

É verdade.

E num documento que pedia expressamente a libertação de Mandela, numa votação mais geral sobre "International solidarity with the liberation struggle in South Africa: resolution/adopted by the General Assembly".


A votação ocorreu a 20 de Novembro de 1987 (resultados: "Yes: 129, No: 3, Abstentions: 22, Non-Voting: 5, Total voting membership: 159"). Cavaco Silva era primeiro-ministro de Portugal desde 17 de Agosto de 1987, com João de Deus Pinheiro como ministro dos Negócios Estrangeiros, que agora diz de Mandela ter sido "um príncipe da Renascença".

Enfim, a escala de valores continua a ser interessante...

[Afinal, segundo Cavaco Silva explicou esta sexta-feira ao Expresso, Portugal votou contra e a favor...]

Para se perceber a posição dos partidos há pouco mais de cinco anos, esta é a transcrição do debate, efectuada pela Assembleia da República:

REUNIÃO PLENÁRIA DE 18 DE JULHO DE 2008
Presidente: Ex. mo Sr. Jaime José Matos da Gama

O Sr. Presidente declarou aberta a sessão às 10 horas e 20 minutos.

Foram também discutidos conjuntamente, e aprovados, os votos n. os 164/X (PCP), 167/X (CDS-PP) e 168/X (PSD) — De congratulação pelo 90.º aniversário de Nelson Mandela. Intervieram, além do Sr. Ministro dos Assuntos Parlamentares, os Srs. Deputados António Filipe (PCP), Telmo Correia (CDS-PP), José Cesário (PSD), Fernando Rosas (BE) e José Vera Jardim (PS).

Srs. Deputados, vamos passar à apreciação conjunta dos votos n. os 164/X (PCP), 167/X (CDS-PP) e 168/X (PSD) — De congratulação pelo 90.º aniversário de Nelson Mandela.

Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado António Filipe.

O Sr. António Filipe (PCP): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: Nelson Mandela faz, precisamente, hoje 90 anos e o PCP decidiu propor à Assembleia da República que aprovasse um voto de congratulação por este acontecimento, associando-se, aliás, a vozes que, por todo o mundo, manifestaram o seu júbilo pelos 90 anos de Nelson Mandela.

Não sabemos ainda como é que os partidos à direita vão votar o nosso voto, mas, seja como for, ele já cumpriu a sua função, porque, se o PCP não o tivesse proposto, decerto que a Assembleia da República não aprovaria nenhum voto de congratulação pelos 90 anos de Nelson Mandela.

Vozes do PCP: — Exactamente!

O Sr. António Filipe (PCP): — Assim, vai aprovar.

Aplausos do PCP.

Protestos do PSD e do CDS-PP.

O Sr. António Filipe (PCP): — Mas nós votaremos todos os votos. Estejam descansados!

O Sr. Pedro Mota Soares (CDS-PP): — Voltámos aos processos de intenção. Isto é o PCP de 1975!

O Sr. António Filipe (PCP): — O que é interessante é a necessidade que os partidos à direita sentiram de apresentar votos próprios, demarcando-se do voto apresentado pelo PCP sobre esta matéria. Fazem-no para se desembaraçarem de embaraços que a vossa própria história vos cria.

Protestos do PSD e do CDS-PP.

Isto porque aquilo que os senhores não querem que se diga, lendo os vossos votos, é que Mandela esteve até hoje na lista de terroristas dos Estados Unidos da América. Mas isto é verdade! É público e notório — toda a gente o sabe!

O Sr. Jerónimo de Sousa (PCP): — Não sabiam!

O Sr. António Filipe (PCP): — Os senhores não querem que se diga que Nelson Mandela conduziu uma luta armada contra o apartheid, mas isto é um facto histórico. Embora os senhores não o digam, é a verdade, e os senhores não podem omitir a realidade.

Os senhores não querem que se diga que, quando, em 1987, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, com 129 votos, um apelo para a libertação incondicional de Nelson Mandela, os três países que votaram contra foram os Estados Unidos da América, de Reagan, a Grã-Bretanha, de Thatcher, e o governo português, da altura.

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Foi o PSD!

O Sr. António Filipe (PCP): — Isto é a realidade! Está documentado!

Não querem que se diga que, em 1986, o governo português tentou sabotar, na União Europeia, as sanções contra o regime do apartheid.

Não querem que se diga que a imprensa de direita portuguesa titulava, em 1985, que: «Eanes recebeu em Belém um terrorista sul-africano». Este «terrorista» era Oliver Tambo!

São, portanto, estes embaraços que os senhores não querem que fiquem escritos num voto.

Não querem que se diga que a derrota do apartheid não se deveu a um gesto de boa vontade dos racistas sul-africanos mas à heróica luta do povo sul-africano, de Mandela e à solidariedade das forças progressistas mundiais contra aqueles que defenderam até ao fim o regime do apartheid.

Aplausos do PCP e de Os Verdes.

Congratulamo-nos vivamente com os 90 anos de Nelson Mandela e queremos saudar, na sua pessoa, a luta heróica do povo sul-africano pela sua dignidade, pela igualdade entre todos os seres humanos e contra o hediondo regime do apartheid.

Aplausos do PCP e de Os Verdes.

O Sr. Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Telmo Correia.

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): — Sr. Presidente, Sr. as e Srs. Deputados: Em boa hora, um conjunto de Deputados, entre os quais eu próprio, pediram que este voto fosse aprovado hoje, no dia em que os telejornais do mundo inteiro noticiaram o aniversário dos 90 anos de Nelson Mandela.

Vozes do CDS-PP: — Muito bem!

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): — Não se pode, Sr. Deputado António Filipe, em caso algum (nem no meu aniversário nem no seu), presumir que, porque alguém não deu os parabéns uma semana antes, não os vai dar até ao dia do aniversário.

Vozes do CDS-PP: — Muito bem!

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): — Não pode V. Ex.ª ter essa presunção,…

Risos do CDS-PP.

… porque nós iríamos apresentar o voto para ser aprovado hoje, que é o dia do aniversário de Nelson Mandela.

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Está mesmo a ver-se!

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): — Nelson Mandela é também um grande lutador pela liberdade.

O Sr. António Filipe (PCP): — O vosso voto mais parece um decreto!

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): — Foi um homem da luta armada, esteve preso 30 anos, foi um combatente contra o segregacionismo. Nelson Mandela é uma grande figura.

Mas, Srs. Deputados, porque é que não acompanhamos, como poderíamos fazer de forma simples, o voto apresentado pelo PCP? Era possível termos acompanhado o voto do PCP. Porque é que não o fizemos? Por uma razão simples: porque VV. Ex. as , justiça seja feita à vossa coerência, baseados nos vossos princípios absolutos do materialismo dialéctico e do centralismo democrático,…

Risos do CDS-PP.

… estão, obviamente, distantes de tudo aquilo que é uma perspectiva mais cristã do mundo e da vida.

O Sr. João Oliveira (PCP): — Isso é uma contradição!

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): — Ora, a oração mais importante para todos os cristãos tem como recomendação essencial «não cairás em tentação».

O Sr. João Oliveira (PCP): — Ah, então este voto é um acto de contrição!

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): — Nós sabemos que não devemos cair em tentação, mas o PCP não consegue e, mais uma vez, mesmo a propósito do aniversário de Nelson Mandela, deixou-se cair em tentação.

Ou seja, ao fazerem o voto, disseram: «Vamos felicitar Nelson Mandela». E alguém terá dito, caindo em tentação: «E se aproveitássemos para dizer mal dos americanos».

Risos do CDS-PP.

O Sr. Jorge Machado (PCP): — Não é verdade!

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): — Ora, aí é que está!

Protestos do PCP.

Dizer mal dos americanos era o que vinha mais a propósito.

O Sr. Jorge Machado (PCP): — Diga que não é verdade!

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): — Quer falar de organizações terroristas? Vamos debater as FARC, Sr. Deputado!

Vozes do CDS-PP: — Muito bem!

Protestos do PCP.

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): — Deixe-se dessas coisas!

Protestos do PCP.

Perante a exaltação dos «democratas» do PCP,…

Risos do CDS-PP.

… termino, Sr. Presidente, referindo-me ao que é talvez o mais extraordinário na figura de Mandela,…

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Ah, agora já não é terrorista?!…

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): — … como é o mais extraordinário noutras figuras — e estou a pensar, por exemplo, em Timor —: é que Mandela, que foi também um homem de armas, um homem de guerra, um homem da luta armada, que sofreu a prisão, no momento da reconciliação, foi também o homem do perdão, o homem da unidade nacional, o homem da paz, o homem que foi galardoado, juntamente com Frederik de Klerk. Isto é talvez o mais extraordinário em Mandela, uma grande figura da África do Sul, uma grande figura de África e, politicamente falando, talvez uma das maiores figuras do mundo do século passado.

Parabéns a Nelson Mandela!

Aplausos do CDS-PP.

O Sr. Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado José Cesário.

O Sr. José Cesário (PSD): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: Aprendi a conhecer Mandela na África do Sul e entendo que lhe devemos um respeito enorme, respeito esse que não permite instrumentalizações de qualquer tipo.

Felicitamos, hoje, Nelson Mandela pelo facto de fazer 90 anos — por coincidência, no mesmo dia em que se celebra o 10.º aniversário do seu casamento com Graça Machel.

Evocamos, hoje, o grande Madiba (para os sul-africanos) e, em nome dele, a mensagem de tolerância, a mensagem, que deixou a este mundo, de resistência, de luta por uma África do Sul multirracial, moderna, mais desenvolvida, em que todos cabem e que é hoje um grande factor de desenvolvimento não apenas para África mas para todo o mundo.

O Partido Social Democrata pretende hoje, fundamentalmente, felicitar Nelson Mandela e, através dele, deixar ao mundo uma mensagem da tal tolerância e da tal resistência que ele tanto quis divulgar e que tanto defendeu.

Aplausos do PSD.

O Sr. Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Fernando Rosas.

O Sr. Fernando Rosas (BE): — Sr. Presidente, Nelson Mandela é, sem dúvida, a principal bandeira do combate político-militar dos movimentos de libertação nacional de África contra o que foi a última forma do colonialismo e da segregação subsistente, após a derrota do colonialismo português em África.

Foi acusado de terrorista, condenado a prisão perpétua, indexado como elemento perigoso e a abater por todos os serviços de informação das principais potências ocidentais, principais potências ocidentais que, durante muitos anos, foram o principal baluarte de sustentação da África do Sul racista e segregacionista, designadamente contra Nelson Mandela e o ANC.

Nesse sentido, recordar Mandela é recordar uma época histórica, a primeira fase da luta de libertação dos povos de África.

Infelizmente, recordar Mandela é recordar também que a África tem hoje pela frente desafios provavelmente bem mais difíceis do que aqueles que soube vencer na época da libertação nacional: o desafio do desenvolvimento sustentado, com independência, com respeito pela soberania, contra as novas formas de ingerência daqueles que hoje elogiam Mandela para o pôr numa redoma e fingir que ele não teve papel nenhum na história e, hoje, na história actual de África.

Vozes do BE: — Muito bem!

O Sr. Fernando Rosas (BE): — Recordar Mandela não é fazer dele uma espécie de essência inodora e incolor, que serve para toda a espécie de operações.

Recordar Mandela é lembrar que ele é uma bandeira da luta pela libertação de África contra muitos dos que, hoje, o incensam com vista a anular o seu exemplo e o seu papel histórico.

Aplausos do BE.

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Muito bem!

O Sr. Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado José Vera Jardim.

O Sr. José Vera Jardim (PS): — Sr. Presidente, naturalmente que nos felicitamos e felicitamos o Presidente Mandela pelo seu aniversário.

Líder incontestado da resistência anti-apartheid, Mandela foi uma das figuras mais marcantes da luta pelos direitos humanos no século XX. Tendo passado quase 30 anos na prisão, foi o obreiro, em conjunto com de Klerk, da abolição dessa mancha maior da discriminação rácica que era o apartheid.

Mas foi também, e é, talvez acima de tudo, um homem de paz e tolerância que guiou o seu povo para soluções que foram capazes de pôr de pé uma transição pacífica para a democracia inclusiva e para a estabilidade e co-existência rácicas.

Vozes do PS: — Muito bem!

O Sr. José Vera Jardim (PS): — Precisámos, e precisamos ainda, do Presidente Mandela.

Ainda há poucos dias — o que não vem citado em nenhum dos votos, nem mesmo no do PCP, que tão activo é a denunciar pretensos esquecimentos nos votos de outros! —,…

Vozes do PS: — Muito bem!

O Sr. José Vera Jardim (PS): — … o Presidente Mandela, em intervenção a propósito da celebração do seu aniversário, denunciava «o trágico falhanço da liderança de Mugabe»,…

Vozes do PS: — Muito bem!

O Sr. José Vera Jardim (PS): — … que é o exemplo (agora são palavras minhas) do caminho errado, contrário e oposto ao seu. É pena que o PCP não se tenha lembrado desse acontecimento!

Aplausos do PS.

Sr. Presidente, Srs. Deputados: Vamos votar a favor dos votos apresentados, porque nos congratulamos e felicitamos o Presidente Mandela, mas não pactuamos com instrumentalizações e com inoportunas parasitagens do voto do PCP. Há que celebrar e congratular, mas não há que usar e instrumentalizar os votos para atacar países terceiros.

Protestos do PCP.

Por isso, vamos votar a favor dos votos apresentados, mas queremos que este ponto fique bem claro!

Aplausos do PS.

O Sr. Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Ministro dos Assuntos Parlamentares.

O Sr. Ministro dos Assuntos Parlamentares: — Sr. Presidente, não posso deixar de me associar, em nome do Governo, a este voto de felicitação a Nelson Mandela pelo seu 90.º aniversário.

Não quero alongar-me, gostava apenas de citar um verso de Emily Dickinson que, penso, calha muito bem em Nelson Mandela. Esse verso diz o seguinte: «Habito a possibilidade».

É isso que Mandela é: aquele que sabe habitar a possibilidade e que soube tornar essa possibilidade real. A possibilidade de à luta de libertação não se suceder a guerra civil; a possibilidade de encontrar uma solução política e de forçar uma solução política para um conflito que se arrastava; a possibilidade de lutar denodadamente pelos seus ideais e de ser firme na defesa dos mesmos; a possibilidade de uma transição pacífica na África do Sul; e, sobretudo, a possibilidade de tornar a África do Sul numa grande nação, multirracial, uma grande nação em que todas as pessoas, independentemente da sua cor e da sua raça, são igualmente homens e mulheres.

Esta é a grande lição de Nelson Mandela: «Habito a possibilidade». Isto é, é possível, é verdadeiramente possível tornar possível as coisas em que acreditamos, se acreditarmos a sério nessas coisas.

Aplausos do PS.

O Sr. Presidente: — Srs. Deputados, vamos proceder à votação do voto n.º 164/X — De congratulação pelo 90.º aniversário de Nelson Mandela (PCP).

Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do PCP, do BE, de Os Verdes e de 1 Deputada não inscrita e abstenções do PSD e do CDS-PP.

É o seguinte:
Nelson Mandela, dirigente histórico do ANC e da luta contra o apartheid na África do Sul, completa 90 anos de vida no próximo dia 18 de Julho.

Nascido em 18 de Julho de 1918, Nelson Rolihlala Mandela envolveu-se desde jovem na luta contra o regime de apartheid que vigorava na África do Sul, tendo aderido em 1942 ao Congresso Nacional Africano e tendo sido fundador, em 1944, com Walter Sisulu e Oliver Tambo, da Liga Juvenil do ANC.

Na sequência do massacre de Sharpeville, de 21 de Março de 1960, em que a polícia sul-africana assassinou 69 manifestantes anti-apartheid e feriu 180, Nelson Mandela passou a liderar a luta armada conduzida pelo ANC.

Em Agosto de 1962, numa operação conjugada entre a CIA e a polícia sul-africana, Nelson Mandela foi preso e viria a ser condenado a prisão perpétua, sob a acusação da prática de actos de terrorismo.

Nelson Mandela passou 28 anos nos cárceres do apartheid. Em Fevereiro de 1985, foi-lhe negada a liberdade condicional por se recusar a renegar a luta armada do seu povo, até que finalmente, em Fevereiro de 1990, culminando a heróica luta anti-apartheid do povo sul-africano e uma campanha de solidariedade mundial pela sua libertação, Nelson Mandela viria a ser libertado, passando a liderar, na legalidade, o processo político que conduziria ao fim do regime de apartheid.

Nelson Mandela foi galardoado, em 1993, com o Prémio Nobel da Paz e, em Maio de 1994, seria eleito Presidente da República da África do Sul, tendo exercido essas funções até 1999.

Apesar de permanecer, até aos dias de hoje, integrado na lista das personalidades consideradas terroristas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos da América, Nelson Mandela, aos 90 anos de idade, é uma das personalidades mais respeitadas em todo o mundo, pela sua integridade política e moral, pelo seu exemplo universal de coragem em defesa da liberdade, da justiça e da igualdade entre os seres humanos, pelo seu abnegado empenhamento nas causas mais nobres da Humanidade.

A Assembleia da República manifesta o seu júbilo e congratulação pela passagem do 90.º aniversário de Nelson Mandela e envia-lhe as mais calorosas felicitações, extensivas aos seus familiares, aos órgãos de soberania e ao povo da República da África do Sul.

O Sr. Presidente: — Srs. Deputados, segue-se a votação do voto n.º 167/X — De congratulação pelo 90.º aniversário de Nelson Mandela (CDS-PP).

Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.

É o seguinte:
Nelson Rolihlahla Mandela nasceu em Transkei, na África do Sul, a 18 de Julho de 1918. Formou-se em Direito pelas Universidades de Fort Hare e Unisa, em 1942, tendo em 1943 ingressado no Congresso Nacional Africano (ANC), movimento oposicionista ao Partido Nacional, no poder a partir de 1948.

O seu envolvimento no combate ao segregacionismo e ao regime do apartheid conduziu-o pela primeira vez à prisão em 1960, após a ilegalização do ANC.

Quatro anos mais tarde, foi sentenciado com pena perpétua com acusações de sabotagem, conspiração e incentivo à rebelião armada. Esteve, até 1982, em Robben Island, cumprindo mais oito anos em Pollsmoor, ambas perto da Cidade do Cabo, até ser libertado, a 11 de Fevereiro de 1990, por decisão do então Presidente sul-africano Frederik de Klerk, após intensa pressão internacional. A sua reputação foi-se globalizando. A sua capacidade de gerar consensos internacionais gerou movimentos pela sua libertação e contra o regime sul-africano. Nunca cedeu aos propósitos do apartheid em troca da sua libertação, o que o tornou num dos políticos mais respeitados do século XX. Nas palavras do próprio: «Lutei sempre contra todo o tipo de dominação branca, como lutei sempre contra todo o tipo de dominação negra. Carreguei o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas possam viver juntas em harmonia e com iguais oportunidades».

Em 1990, De Klerk, o último líder do regime do apartheid, abriria o caminho das negociações e o ANC seria legalizado em 1990, pouco antes da libertação de Mandela. A transição democrática estava assim em marcha.

Mandela seria eleito líder do ANC em 1991 e, nas eleições de Abril de 1994, o seu partido obteria uma vitória histórica. Nelson Mandela acabaria por se tornar no primeiro Presidente negro da África do Sul, tendo como um dos seus Vice-presidentes Frederik de Klerk. A era do apartheid estava formalmente abolida. Receberiam ambos o Prémio Nobel da Paz em 1993, como corolário deste longo processo.

A presidência de Nelson Mandela, que terminaria em 1999, simbolizou a vitória da democracia e da negociação como formas de resolução política. Após este mandato, envolveu-se na criação de inúmeras associações e movimentos cívicos de acção humanitária e defensora dos direitos humanos, das quais se destacam a Fundação Nelson Mandela e a campanha 46664 — o seu número de cárcere —, centrada no combate à SIDA, uma epidemia que mina não só a sociedade sul-africana como se estende por todo o continente africano. Madiba, nome pelo qual Nelson Mandela é popularmente conhecido, cumpre hoje o seu 90.º aniversário.

Assim, a Assembleia da República manifesta o seu profundo respeito e admiração por Nelson Mandela e pelo combate por valores de justiça e liberdade que é a historiada sua vida, felicitando-o particularmente, hoje, na data do seu nonagésimo aniversário.

O Sr. Presidente: — Srs. Deputados, segue-se a votação do voto n.º 168/X — De congratulação pelo 90.º aniversário de Nelson Mandela (PSD).

Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.

É o seguinte:
Nelson Rolihlahla Mandela, advogado, líder histórico do movimento ANC e antigo Presidente da África do Sul, nasceu a 18 de Julho de 1918, na província sul-africana do Cabo Oriental, completando hoje 90 anos de vida.

Figura proeminente na luta contra o apartheid, é um símbolo universal da defesa dos direitos humanos e do combate pelo fim da segregação racial. Considerado pela maioria das pessoas como um guerreiro pela sua luta a favor da liberdade e da igualdade, é, de facto, um modelo de político e de governante, que sempre soube congregar simpatias e boas vontades.

Dotado de uma capacidade política ímpar e de um forte carisma, Nelson Mandela cedo se envolveu na luta contra o regime de apartheid, que vigorava na África do Sul e que negava aos negros, a população maioritária, o acesso igualitário a direitos políticos, sociais e económicos.

Em 1942, Nelson Mandela junta-se ao ANC, fundando, dois anos mais tarde, com Wallter Sisulu e Oliver Tambo, a Liga Jovem do mesmo organismo, um movimento mais dinâmico e com maior capacidade de mobilização.

Em Agosto de 1962, Nelson Mandela foi detido pela polícia sul-africana, sendo condenado a 5 anos de prisão por viajar ilegalmente para o estrangeiro e por incentivar a instabilidade interna, nomeadamente através da organização de greves. Em 12 de Junho de 1964, voltaria a ser condenado, agora a prisão perpétua, pelo planeamento de acções armadas e de conspiração junto de países terceiros, o que foi sempre negado pelo próprio.

Durante os 28 anos de cativeiro, Mandela procurou sempre estar activo junto do ANC, tendo ficado na memória de todos o famoso «grito de guerra»: «Unam-se! Mobilizem-se! Lutem!».

Tendo recusado, em 1985, a liberdade condicional em troca do seu silêncio, Mandela viria a ser libertado em Fevereiro de 1990, pelo Presidente Frederik de Klerk, após uma campanha global de combate ao regime de apartheid e a favor da legalização do ANC.

Em 1993, conjuntamente com Frederik de Klerk, recebeu o Prémio Nobel da Paz, pelos esforços desenvolvidos no sentido de acabar com a segregação racial.

Em 1994, Nelson Mandela foi eleito como o primeiro Presidente negro da África do Sul, sendo responsável pela transição de um regime de minoria, o apartheid, e tendo adquirido o reconhecimento internacional pelo seu combate em prol da reconciliação interna e externa.

Após o final do seu mandato de Presidente, em 1999, Nelson Mandela dedicou-se, de forma afincada, à causa social e à defesa dos direitos humanos.

Nelson Mandela é, hoje, reconhecido como uma «Personalidade do Mundo». Um ser humano ímpar, pela sua coragem, sentido de justiça e de igualdade e pela sua feroz luta pelos valores da democracia e da liberdade. Como o próprio diria: «A luta é a minha vida. Continuarei a lutar pela liberdade até o fim dos meus dias». E assim o tem feito.

A Assembleia da República manifesta, hoje, data do 90.º aniversário de Nelson Mandela, a sua satisfação e congratulação por este acontecimento, enviando ao próprio, aos seus familiares e amigos e a todo o povo sul-africano as mais calorosas felicitações.

05 dezembro 2013

Quem disse isto?

«Por outro lado, a própria evolução tecnológica tem implicações na qualidade do jornalismo, uma vez que as possibilidades de multiplicação quase infinita de pontos de emissão de comunicação produzem uma erosão crescente na distinção entre o jornalismo e outras formas de comunicação». «O alcance das novas plataformas digitais suscita também questões de extraterritorialidade, pondo em causa o alcance das leis nacionais, designadamente no domínio da proteção da propriedade intelectual, da transparência e conflitos de interesse ou mesmo da capacidade de regulação de todo o setor audiovisual», referiu

É a mesma pessoa que afirma isto: «Os jornalistas podem ser definidos como os editores da democracia».

A escala de Cavaco Silva

Foi com profunda consternação que tomei conhecimento da notícia do falecimento de Nelson Mandela

Cavaco Silva sente “profunda consternação” pela morte de Sanhá

Cavaco Silva expressa "profunda consternação" pela morte de Ruth Cardoso

Cavaco Silva afirma que sentiu "profunda consternação" ao tomar conhecimento da morte de Bernardo Sassetti.

Cavaco Silva: "Foi com profunda consternação que recebi a notícia" [da morte do presidente polaco Leck Kazinsky]

Cavaco Silva afirma que “com profunda consternação” tomou conhecimento “das trágicas consequências provocadas pelo incêndio numa discoteca, em Santa Maria”

Cavaco Silva, reagiu hoje «com a mais profunda consternação» à notícia do acidente perto de Santiago de Compostela, em Espanha, que provocou 78 mortos.

Cavaco Silva, enviou uma mensagem de pesar ao Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a expressar "profunda consternação" com o tiroteio numa escola em Newtown, Connecticut, onde morreram 27 pessoas

O Presidente da República manifestou hoje a sua "profunda consternação" pelos "trágicos efeitos" das cheias em Moçambique

"É com profunda consternação que tenho acompanhado as trágicas consequências provocadas pela passagem do tufão Haiyan nas Filipinas".

Cavaco Silva expressou a sua “profunda consternação” pelos atentados terroristas de hoje no metropolitano de Moscovo.

[Contexto? A escala de Durão Barroso]

24 novembro 2013

Mad Men sem cigarros

Sessão da tarde: Blade Runner (em 12.597 aguarelas pintadas à mão)

A escala de Durão Barroso


+ de 845 mortos 274 mortos 78 mortos 38 mortos 32 mortos 17 mortos 1 morto
profundamente chocado
Lampedusa


Sardenha
Sousa Franco
profundamente triste


Avellino Letónia

profundamente entristecido





Margaret Thatcher
profunda tristeza

Galiza



profundo pesar Brasil













Já o disse: os mortos não se contam e basta um para se ficar "profundamente chocado". Mas de um político espera-se mais, nomeadamente não repetir e banalizar expressões fortes em contextos de "profundo pesar".

17 novembro 2013

Ou isso! (do jornalismo de divulgação científica)

Oscar Mascarenhas, provedor do leitor no Diário de Notícias (DN), atira-se e bem a como "A ciência deveria ser um espaço de diálogo e não de luta fanática".

Explica como "o bom costume do rigor nos factos e na escrita foi-se dissolvendo nos ácidos do economicismo, da falta de brio, no "bacalhau basta". Hoje é uma lástima. E uma fonte inquinada dá um rio insalubre."

Explica que "É a nova regra do jornalismo do "ou isso!", quando alguém lhes chama a atenção".

E neste debate dá mesmo um exemplo de um texto do DN - sem o citar. O texto é este ("Uma galáxia quase tão antiga como o universo") e é um (quase) plágio deste "Una galaxia casi tan antigua como el Universo", mas tal não é revelado na crónica do provedor.

Curioso é que Oscar Mascarenhas receita o que não faz, ao aceitar como prova e testemunho o que um seu "amigo" lhe escreveu há ano e meio atrás.

Quando o DN publicou aquele texto a 15 de Junho de 2012, já existia pelo menos um desmentido, da semana anterior, a 7 de Junho - basta ler "Astronomers Identify Very Distant (But Not the Most Distant) Galaxy": "It’s a very impressive piece of work, but it’s too bad that it was accompanied by a misleading press release proclaiming SXDF-NB1006-2 “the most distant galaxy ever found.” The researchers make no such claim in their study, and in recent years astronomers have located dozens and dozens of galaxies at redshifts of approximately 8 and one probable galaxy at a redshift of about 10, corresponding to a time 500 million years after the big bang. Those exceedingly faint objects have not generally been followed up with spectral observations, in the way that Shibuya and his team have done, limiting the precision of the cosmic distance estimates. But there is at least one galaxy more distant than SXDF-NB1006-2 that received spectral follow-up. In a 2010 study, astronomers found a spectral line, albeit a faint one, that placed a galaxy at a redshift of 8.55, using the Hubble Space Telescope and the European Southern Observatory’s Very Large Telescope in Chile. That object, UDFy-38135539, existed just 600 million years after the big bang".

Realmente, "Se os jornalistas compreenderem como isto é complexo, não ficam habilitados a escrever sobre ciência: ficam prevenidos no sentido de nunca escreverem sem consultar um especialista reconhecido, que possa explicar em linguagem simples o que há para dizer ao leitor. E voltar a telefonar-lhe a conferir o texto escrito, antes de ser publicado, para ver se escapou algum erro, que não caem por isso na lama os parentes do jornalista, antes pelo contrário. Não há tempo para isso? Exijam-no! Não associem o vosso nome - o vosso bem mais precioso como profissionais - a uma calinada". Ou isso...

Sessão da tarde: Internet victoriana



via "How the Victorians Wired the World" (de um livro que também eu recomendo).

Domingo desportivo: encestar a 34 metros de distância é recorde mundial!

14 novembro 2013

Porque devemos confiar nos nossos governantes (de olhos fechados, de preferência)

Esta gente sabe o que faz e não olha a poderes económicos, mesmo quando e apesar de um secretário de Estado patrocinar uma gasolineira que não precisa disso.


 

Um exemplo?

CARTÃO JOVEM PASSA A INCLUIR DESCONTOS EM COMBUSTÍVEL: «Este é mais um exemplo do trabalho que temos procurado desenvolver, no sentido de aumentar a atratibilidade do Cartão Jovem», afirmou o Secretário de Estado do Desporto e da Juventude, Emídio Guerreiro, e na assinatura do protocolo de colaboração entre a Movijovem (empresa pública tutelada pelo Secretário de Estado) e a Galp Energia, em Lisboa. 

Referindo que «duas linhas definem a visão do Governo» nesta área, o Secretário de Estado explicou: «Por um lado, queremos aumentar a adesão dos jovens a este Cartão […], e por outro lado o objetivo é ampliar os benefícios que o mesmo pode oferecer, sendo que a assinatura deste protocolo é bem exemplo disto». 

No âmbito das finalidades do Cartão Jovem - promover a mobilidade e o acesso dos jovens a serviços de lazer e cultura - a Galp Energia e a Movijovem assinaram um protocolo de parceria para a atribuição de descontos em combustível aos titulares deste documento. 

Parabéns a todos os jovens entre os 12 e os 29 anos mas...

Sinistralidade rodoviária: Jovens entre os 20 e os 29 anos são mais vítimas: Relatório do Observatório de Segurança Rodoviária (OSR), referente a 2012, mostra que aquela é a faixa etária mais atingida nos acidentes rodoviários. "Razões comportamentais" podem ajudar a explicar situação.

É bom sublinhar que este secretário de Estado pode ser do Desporto e da Juventude mas energia não lhe falta sobre o sector energético. Leia-se esta declaração do próprio num debate sobre co-geração na Assembleia da República em Dezembro de 2011 (onde a Galp era nomeada): Penso que ninguém terá dúvidas da eficiência que o processo da co-geração tem e para o que existe, que é a criação de energia, quer de energia eléctrica, quer de energia térmica.
Penso que seria oportuno recordar que muitas das unidades de co-geração estão exactamente localizadas como anexas a unidades industriais. Por força disso, fazem o aproveitamento da energia térmica que irá repercutir-se, de uma forma bastante positiva, em todo o seu ciclo produtivo. Ou seja, há aqui uma vantagem clara, porque, como é óbvio, essas indústrias ganham competitividade pela redução dos custos de contexto que derivam do aproveitamento da energia térmica.


Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Mas a vida é mesmo assim, jovens até aos 29 anos, consumam e aproveitem os benefícios "que o mesmo pode oferecer". E se tiverem de emigrar, vão de carro, com depósito cheio neste grande país.

31 outubro 2013

Do guião do Estado


visto aqui e aqui 

No Twitter:
Lamento mas, depois de lido, este guião para "Um Estado confiável" não é de reforma do Estado, é um fracote programinha de governo.

"nível de carga fiscal suportado pelos portugueses é, em termos europeus, elevado, face ao nosso nível de vida". Guião dixit...

Do guião: "deve debater-se um valor máximo para as pensões que o Estado paga". Concordo, tal como um valor máximo de descontos...

 Do guião: "objetivo assumido para 2020 de ter 40% dos jovens de 30 a 34 anos com diploma superior" é do Europa 2020 ow.ly/qlhbY

Guião propõe “escolas independentes”, c/ propriedade e gestão de professores, em contratualização c/ Estado de serviço e uso de instalações

Estratégia Crescimento, Emprego e Fomento Industrial (2013-2020) será proximamente atualizada também para "dobrar o investimento em I&D"...

Portas podia ter poupado no espaçamento entre parágrafos no guião. Poupava nas fotocopiadoras e no desperdício de papel...

Aviso à navegação: "travámos novas PPP mas temos de suportar efeitos contratuais (...) que têm impacto financeiro agravado a partir de 2014"

"qualquer reforma do Estado terá como primeiro objectivo ajudar a restabelecer e a manter a soberania de Portugal". Ahn?... [do guião]

O défice em 2010 era de 9,8%. Em 2012 "baixou para 5,5%". A dívida pública de 2011 era 108%, e depois? Não se sabe, o guião não diz...

Coitado do Negócios (ou outro) se fizer "fact checking" ao guião para a reforma do Estado ow.ly/qldwW Vai ser uma trabalheira!

Já disponível, num ecrã perto de si: Um Estado melhor - guião para a reforma do Estado ow.ly/qkZVc
   
do António Granado: "Democracia" e "constituição" não aparecem uma única vez.

Halloween

10 outubro 2013

Em quem acreditar, no secretário de Estado ou no presidente executivo?

Esperei por uma clarificação. Não houve.

 Esta gente sabe realmente do que fala ou, sei lá... só fala? Ou ninguém ainda contou a história toda?

1) Sérgio Monteiro, secretário de Estado das Comunicações, "diz que foi informado que a PT vai manter a sede e os trabalhadores em Portugal".

2) Empresa resultante da união Oi-Portugal Telecom terá sede no Rio: A sede da CorpCo, nova empresa que será criada a partir da união das atividades da Portugal Telecom e da brasileira Oi, será no Rio de Janeiro. A informação partiu do presidente executivo e chairman da Portugal Telecom, Henrique Granadeiro.

A kayakar

06 outubro 2013

Factos


65 Amazing Facts That Will Blow Your Mind:
8. In a 2008 survey, 58% of British teens thought Sherlock Holmes was a real guy, while 20% thought Winston Churchill was not. (btw, 41. Winston Churchill's mother was born in Brooklyn)

9. At one point in the 1990s, 50% of all CDs produced worldwide were for AOL.

17. 2013 is the first year since 1987 where all four digits are different from one another.

47. After Leonardo da Vinci's death, King Francis I of France hung the Mona Lisa in his bathroom.

57. Marie Curie's notebooks are still radioactive. Researchers hoping to view them must sign a disclaimer.

15 setembro 2013

Domingo desportivo

Barcelona vs Real Madrid Maradona Richard Swarbrick, via Wonderful animated soccer vignettes

The rich get richer... (ou o círculo vicioso)

50 Richest Members of Congress: The Wealth Keeps Growing: A surprisingly strong year in the financial markets made the richest members of Congress even wealthier in 2012, with the median net worth of the 50 richest rising more than 17 percent [...]

Financial disclosures also revealed a widening gap between members’ wealth and that of their constituents. The median net worth of the 112th Congress stood at $442,007 in 2012. Nineteen percent of lawmakers reported no debts at all, while 15 percent had trusts.

In contrast, the median household net worth in the United States stood at $68,828 in 2011, with 69 percent of households holding some form of debt, according to the most recent U.S. Census statistics. Median household net worth decreased by 16 percent from 2000 to 2011, those figures show.

How incomes have changed for the rich and the rest: the top 1% enjoyed real income growth of 31% between 2009 and 2012, compared with growth of less than 1% for the bottom 99%. Income actually shrank for the bottom 90% of earners.

The rich get richer and the poor get poorer: Andrew Jackson, the seventh President of the U.S. (1829–1837), in his 1832 bank veto, said that "when the laws undertake... to make the rich richer and the potent more powerful, the humble members of society... have a right to complain of the injustice to their Government".

Lá como cá? A privatização dos impostos


Horrible Things Can Happen When We Allow Private Companies to Collect Taxes: John Adams once said that, "Government is instituted for the common good; for the protection, safety, prosperity and happiness of the people; and not for the profit, honor, or private interest of any one man, family, or class of men."

Since the founding of our nation, there have always been strong and clear distinctions between public space and private space, and between things that are done by the government and things that are done by businesses and the private sector.

These distinctions are at the very core of our democracy, and of capitalism in America. [...]

The power of tax collection should always be a power afforded to a government that's answerable to We The People.

It shouldn't be a power that's transferred to private corporations.

But as The Washington Post brilliantly points out, that's exactly what's happened right here in our nation's capital, in an experiment to privatize tax collection.

And not surprisingly, it's an experiment that's having disastrous effects.

Just ask Bennie Coleman, a 76 year-old veteran who, thanks to D.C.'s tax lien privatization program, had his $197,000 house foreclosed and taken away from him, all because of a $134 property tax bill that hadn't been paid.

14 setembro 2013

A natureza humana, por um carteirista

Studying human nature by picking pockets: A Q&A with Apollo Robbins:
How did you start learning magic tricks?
The first time I went into a magic shop, I didn’t know anything about magic. I had a little prop I had found, and I wanted to see what it could do. I asked this old man, and he started doing sleight-of-hand, and I thought, “If this old man can do this, I can do this.” Then he did some card tricks and told me, “You have a choice. Here’s a deck of cards, and you can do 50 tricks. Or, here’s this book: J.B. Bobo’s Coin Magic. It’s gonna cost more, but it will last years, and you can start studying the craft of sleight-of-hand.” I didn’t have the money with me, so I went back home, sold some stuff at a pawn shop and got the book. It was my bible for the next couple of years. I still have it.

Razões para os governos se afastarem do jornalismo e da definição de jornalista

The govt should stay out of journalism: Remember who the government is supposed to be serving. In this case they clearly have such a huge conflict of interest that they should be recused from playing any role in making law about who is and isn't a journalist. If given a chance they would say that anyone who leaks on a member of Congress or the executive should go to jail, unless it happens to be a member of Congress or an employee of the executive, of course.

See how crazy this gets.

It gets worse.

We have a highly dysfunctional press, exemplified by reporters who want to debate the character of the leakers, instead of exploring what was revealed by the leaks. In such a world, we should be trying to expand the realm of people empowered to inform us about what our elected representatives are doing with the power we invest in them. Keep them on their toes and looking over their shoulders. Put a little of the fear they put in us in them.

Imho if the government says who's a journalist, under penalty of law, then there will be no journalism.

11 setembro 2013

Eles andam aí: os anjos da morte nos media

O caso da McKinsey: "In 2009, McKinsey’s consultants were the angels of death in the media industry, the mere mention of the name an ominous sign that cutbacks were imminent."

Na voz de um “publisher of one of the company’s most successful magazines”: “How much they understood about our business, I cannot tell you,” the publisher says. “How the [expletive] can you coach a football team if you’ve never played football in your life? And I’m not even talking pro. I’m talking at any level. They don’t have a clue. I don’t care how many hours they spent firing people at Time Inc. or Meredith Corp. They had this stupid red/yellow/green system, which they explained to me like I was a five-year-old. I wanted to reach across the table, grab one of them and throw him across the room.”

Ou perguntar como adaptam eles aos media as "five digital-enterprise trends: big data and advanced analytics, digital engagement of customers, digital engagement of employees and external partners, automation, and digital innovation"?


25 agosto 2013

Minha querida antena - ou a tanga da TDT...



Só pode gostar e defender a actual televisão digital terrestre (TDT) em Portugal quem nunca teve de a usar.

No centro do país, afastado do litoral e da fronteira com Espanha (onde, dizem, os portugueses se refastelam com as dezenas de canais espanhóis da sua TDT a sério), a televisão é uma miragem. Até o ex-presidente da Anacom notou o problema, após ter saído das suas funções em que o deveria ter resolvido.

É verdade que os cinco canais (quatro, nas férias parlamentares) são de uma indigência a toda a prova perante a sua audiência - e alguns são pagos com dinheiro público para prestarem serviço público.

Pode argumentar-se que se deve à população idosa, a que têm de servir com coisas inenarrávis a que chamam programas de televisão. Mas, como um antigo director de programaçãp de um canal privado demonstrou há anos, colocar um filme de Manoel de Oliveira ou um documentário sobre tigres no chamado "prime time", também proporciona uma boa audiência. Basta querer.

É que não se trata de vender presidentes como sabonetes, nem de educar o cidadão pela televisão, apenas olhar para as grelhas e serem alternativos.

Mas a alternativa é algo que não existe no interior. Quando a TDT é mentira porque mal transmite, admira que os políticos não se preocupem com o potencial destruidor no primeiro ano em que vão ter a TDT do seu lado em eleições autárquicas.

Para o cidadão urbano habituado à televisão por cabo ou por satélite, esta conversa pode parecer uma defesa das minorias que não têm acesso a essas tecnologias. Não é.

Antes e se o quisesse, qualquer cidadão em qualquer lado do país comprava uma antena e recebia a televisão que lhe davam.

Com o dividendo digital - a transferência dessas frequências para os operadores de telemóveis -, a TDT iria oferecer uma melhor qualidade de imagem, mais canais e até um inovador em alta definição.

Quase mentira, mentira e mais uma mentira.

A melhor qualidade de imagem é inegável - quando se consegue ver para lá da mensagem "sem sinal". Os mais canais já se sabe que foi uma falcatrua, e o da alta definição perdeu-se na baixa política.

Mesmo uma alternativa como a rádio pela TDT foi esquecida, sem queixas das rádios locais ou regionais (é a chamada "desintoxicação"...).

Em resumo, quem no interior, em pré-época eleitoral autárquica, quiser saber do que se passa no país e no seu concelho, terá de adquirir uma subscrição paga de televisão por cabo ou por satélite ou fiar-se no que diz o padre ao domingo. Porque a suposta Televisão De Todos é apenas a real Televisão Dos Tontos, que olham para ela à espera que dê algo mais do que apenas aquela irritante notícia de "sem sinal".

Perante este mau tempo nos canais em pleno Verão (é o calor que está a dar cabo da TDT, dizem...), e se a cegueira dos políticos se percebe por não quererem aprofundar um tema em que foram cúmplices, admira que nem sequer os anunciantes publicitários se queixem.

Estou eu a ver o anúncio ao sabonete de uma marca e acabo por não saber que fantástica marca é aquela. E logo eu que a queria comprar no supermercado, outro que não consegui ver o nome mas dizia ter uma promoção fantás... [sem sinal].

Estou a ver um jogo de futebol e, no momento marcante e marcado do golo, não consigo ver nem esse golo nem a repetição com a marca do anunciante. Posso mudar para o som da rádio mas não vejo as marcas.

No ciclismo, antecipa-se a meta volante (publicitariamente paga) mas o que vejo é o chão escrito a giz com incentivo a um dos ciclistas.

Podem achar que é exagero mas é mesmo assim uma parte do Verão televisivo.

E podem achar que a falha é do equipamento mas com dois dispositivos diferentes na mesma casa e com os mesmos problemas, a culpa não pode ser do utilizador. E não, não é num terreno fundo, cheio de arvoredo ou montes em redor. É num local no centro do país que antes recebia um bom sinal por antena hertziana e agora recebe um péssimo sinal por dois dispositivos de TDT.

Mas há quem possa obter algo desta TDT: os artistas. A arte da pixelização tem ali um enorme potencial. Mas é só e apenas esse o grande dinamismo para a cultura na nova TDT.

A RTP quer agora injectar dois canais, o Memória e o Informação, nessa espantosa plataforma - e o ministro parece estar de acordo. Mas o que ele deveria tentar perceber é para quê gastar mais dinheiro numa coisa que já deve ter absorvido dinheiro de forma tão absurda que até a entidade reguladora teve de recorrer à CADA para conseguir divulgar (o que ainda não fez) os investimentos nesta TDT.

Isto não é uma boa gestão de dinheiros públicos, é apenas mais um negócio em que os utilizadores que contribuem são também os mais penalizados. Mas, dúvida irónica final, afinal quem ganhou com isto?