16 fevereiro 2013

A (in)segurança neste governo



O "Governo quer Portugal como país mais seguro da Europa", disse ontem o ministro da Administração Interna.

Isto não passa de mais um "soundbyte" para impor um estado policial, como diz o Paulo Querido, usando a ignorância. Nos dados do Eurostat (2009), Portugal tem como países mais seguros à sua frente: Liechtenstein, Cyprus, Malta, Iceland, Luxembourg, Estonia, Latvia, Lithuania, Slovenia, Slovakia, Northern Ireland, Bulgaria, Norway, Romania, Czech Republic, Greece, Hungary.

Só... E algumas tendências europeias podem ser analisadas em detalhe aqui, de onde foi retirado este gráfico sobre homicídos.

Tudo isto é afirmado quando nos conselhos a viajantes pelo departamento de Estado norte-americano, é dito apenas isto: "Portugal has a relatively low rate of violent crime; however, crime in all categories is steadily increasing. Your greatest crime risk is becoming a target of pickpockets and purse snatchers, particularly at popular tourist sites and restaurants, or on public transportation."

Repare-se ainda que a afirmação é feita pelo mesmo ministro que em 17 de Novembro de 2011 antevia um "agravamento da criminalidade violenta" e um ano depois, a 7 de Novembro de 2012, constatava que "criminalidade violenta desce 9%"...

Isso não impediu que, em tempo de crise, este ministério tivesse um aumento no Orçamento de Estado de 12,3% relativamente ao ano anterior, para 2.140 milhões de euros. Deste valor, "a medida "forças de segurança" é a mais representativa com cerca de 1.728 milhões de euros da despesa prevista para 2013, absorvendo 78,1 por cento do total da despesa, seguindo-se as medidas "proteção civil e luta contra incêndios" e "serviços individuais de saúde", que representam 10 e quatro por cento, respetivamente."

Não quer o ministro focar-se antes no "risco sistémico do crime financeiro"?

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