26 fevereiro 2013

Jornalismo hoje

Journalists Have No Obligation To Cover A Story About You The Way You Want Them To Cover It: judge made it pretty damn clear that journalists have absolutely no legal requirement to reach out to the people they are writing about. The story is a fairly crazy one.

British Politician Tells Local Paper It Can't Quote Him Because He Dislikes Its Readers' Comments: Christopher Hawtree is a very unusual politician because he dislikes being quoted. The Green councillor, who has just been selected to fight for a parliamentary seat, has told a reporter for his local paper, the Brighton Argus, to stop approaching him after meetings.

So, a local politician who deals with local issues would rather not answer questions from the local paper. One of the correspondents for the offending paper logically asked (via Twitter), "Isn't that his job?"

Why doesn't Hawtree want to talk to his district's paper of record? Hawtree tweeted in response: "I have a great dislike of the Argus readers' comments and so prefer to appear in other papers."

Coisas de homem

24 fevereiro 2013

Noite do tio Oscar - melhores filmes?

Retrato dos media, a partir da indústria em geral

As with everything in life, all industries have a starting point and an ending point. Usually the starting point can be traced to an invention or discovery such as Alexander Graham Bell’s invention of the telephone or Henry Bessemer’s discovery of a process for making steel cheaply in large volumes. The end comes when new industry replaces the old, like calculators replacing the slide rule.

In addition, all industries form a bell curve. At some point along the way, every industry will experience a period of peak demand for their goods or service.

Many of our largest industries today are entering the second half of the bell curve. 

To understand this, ask the simple question, “What goods and services that we buy today will we be spending less money on in the future?” The list you come up should include energy, transportation, healthcare, publishing, insurance, telecom, education, construction, mining, and many more. [...]

Since stable old businesses tend to be major campaign contributors, policymakers tend to favor them over young startups. While the writers suggest the key to more jobs is a good start-up lobby, the real path to job creation is more automation. [...]

Our economy is based on people. Humans are the buying entities, the connectors, the decision-makers, and the trade partners that make our economy work.

Without humans there can be no economy. So when it comes to automation, consider this:

- A person with a toolbox is more valuable than a person without one.
- A person with a computer is more valuable than a person without one.
- A person with a robot is more valuable than a person without one.

Automation does not happen simply for the sake of automation. It’s intended to benefit people.

If we only look at what automation will eliminate, we’ll be viewing the world through a glass-half-empty lens. [...]

Whenever jobs go away, politicians tend to have a kneejerk reaction trying to implement legislation that enables us to hang on to the past for a while longer.

But job losses will happen regardless of whatever overt attempts are made to stop the hands of time.

Thomas Frey, em "Fastest Way to Create New Jobs? Automate Them Out of Existence!" (negritos meus)

Sessão da tarde: Obey


How the Rise of Mass Propaganda Killed Populism

23 fevereiro 2013

Falta de memória: coisas que os jornais não fazem cá...

50 Years Ago: The World in 1963:
 

613 dias de Governo para isto: identificação sem crime

A PSP do Porto pediu a identificação de pessoas que se manifestaram, cantando, mas fonte da PSP "não conseguiu, contudo, explicar qual a suspeita de crime que estaria em causa imputar aos manifestantes. 

“Foi elaborada uma informação circunstanciada da ocorrência em forma de relatório. Não se sabe, no entanto, qual é o crime que estariam a cometer e pelo qual foram identificados”, disse a fonte.

De acordo com o Código de Processo Penal, “os órgãos de polícia criminal podem proceder à identificação de qualquer pessoa encontrada em lugar público, aberto ao público ou sujeito a vigilância policial, sempre que sobre ela recaiam fundadas suspeitas da prática de crimes”. A lei estabelece ainda que a polícia deve “comunicar ao suspeito as circunstâncias que fundamentam a obrigação de identificação”.

Autoridade no ar, laser em terra


Man in blue underwear shines laser at police ‘copter “just to see how far it would go”: Now faces up to five years in jail, $250,000 fine. (Illegal Use of Devices a Serious Crime)

22 fevereiro 2013

Uniciclo

612 dias de Governo para isto: amor ao tijolo

 (imagem de Yuri Zambroni)
Governo aposta nas estradas para relançar a economia: Governo está a preparar um plano de investimentos de proximidade em estradas e na ferrovia que tem como base o crescimento económico.

Mas ainda bem que o ministro Santos Pereira já disse: "Não faremos obras públicas chutando os custos para os nossos filhos". Claro que se pesquisarmos no Base pelos contratos públicos, se os delimitarmos entre 21 de Junho de 2011 e hoje, e os hierarquizarmos pelo preço contratual, vemos quem continuou a ter o grosso desses contratos: os mesmos de sempre, a quem Santos Pereira aparentemente desistiu de enfrentar com a sua lógica de que as empresas portuguesas estão viciadas em crédito...

Sendo assim, parabéns! O ministro percebeu finalmente que as obras públicas "de proximidade" são o que vai permitir ao Governo diminuir o desemprego. Finalmente, vêm aí a catadupa das ferrovias - quantas pontes e TGVs? - e das auto-estradas para o interior desertificado.

Triste é que, e apenas ao fim deste tempo todo, só agora tenha descoberto que uma das poucas formas de diminuir o desemprego (nomeadamente das pessoas com poucas qualificações) é com essas obras públicas. Isso já todos os governos antes deste sabiam e praticavam... Não é receita, é feitio.

Tal como permitem alguma traficância para o financiamento dos partidos políticos, mas isso são só rumores.

Mas não sou eu que o digo, estava nesta "Tríade" de Outubro de 2010: "Passando a um nível mais concreto: se um governo tem uma política que privilegia as obras públicas e os sectores não transaccionáveis da economia, é natural que os bancos se dediquem a financiar preferencialmente a construção dessas obras ou os projectos ligados a esses sectores, uma vez que o risco é menor – no primeiro caso, directa ou indirectamente empresta-se ao Estado e este, como constatamos hoje, tem formas coercivas de arranjar dinheiro; no segundo, as garantias de sustentabilidade dos projectos são maiores. O governo português teve uma política deste tipo e os bancos portugueses agiram precisamente desta forma. O problema é que em Portugal se formou uma tríade entre quem decide (o governo), quem financia (os bancos) e quem constrói e gere (as empresas de construção civil e de gestão de infraestruturas) que não permite assacar responsabilidades apenas ao governo. As construtoras e as empresas gestoras (concessionárias de autoestradas, de pontes, de hospitais, etc.) querem as obras públicas porque vivem delas; os partidos querem financiamento e postos bem remunerados para os seus acólitos; os bancos adoram projectos de farto lucro e módico risco; as construtoras devem milhões de euros aos bancos que, para garantirem o retorno do dinheiro, precisam de assegurar a sua viabilidade; os governos estão cheios de pessoal vindo dos bancos; as empresas construtoras têm participações accionistas nas empresas gestoras e nos bancos, que por sua vez têm participações accionistas naquelas. Em resultado desta rede de interesses cruzados, há muito que os projectos de investimento são decididos mais em função dos interesses de curto prazo das partes (normalmente coincidentes) do que do interesse nacional, por muitas palavras bonitas que José Sócrates, António Mota ou Ricardo Salgado profiram em entrevistas e colóquios."

Assim, perante a louvável iniciativa ministerial, apetece citar a "outra senhora"!

21 fevereiro 2013

Favorite Place (Black Books)

611 dias de Governo para isto: riqueza

Quem disse "que em Portugal, depois de feita a redistribuição da riqueza através das políticas públicas, «mantemos um nível de pobreza bastante acentuado, o que significa que nem criamos oportunidades económicas à cabeça, nem corrigimos suficientemente bem no processo redistributivo»"?

A resposta aqui...

20 fevereiro 2013

My Number (Foals)

610 dias de Governo para isto: Grandolada



Miguel Relvas interrompido por "Grândola Vila Morena" (ver vídeo e fotos): O titular da pasta dos Assuntos Parlamentares acompanhou os populares, tendo também [cantado] "Grândola Vila Morena", ao tentar acertar com a letra da música popularizada por José Afonso.

E volto a perguntar, agora também para Miguel Relvas: "Está a Sociedade Portuguesa de Autores mais preocupada com a lei da cópia privada do que com os seus autores - e José Mário Branco, em particular - ou vai mesmo requerer direitos pela execução pública de "Grândola Vila Morena" na Assembleia da República"?


[E deve um ministro com a pasta da comunicação social dizer a um seu assessor para dar um seu discurso apenas à TVI? "Só a TVI, mais ninguém" (ao minuto 2)... Isto quando nem sequer conseguiu discursar num evento da TVI. Está tudo doido?]

Isto não pára: O que Relvas não percebe, Macedo também foi "brindado" com Grândola, Vila Morena, Manifestantes cantam o Grândola, Vila Morena ao ministro da Saúde,'Grandolada' ao ministro da Saúde na Universidade do Porto, Vítor Gaspar é o próximo alvo da 'Grandolada' e, a cereja, diz o ministro Álvaro Santos Pereira: ""Eu não mudei nada na minha agenda", afirmou aos jornalistas em Tabuaço, após a assinatura de contratos de concessão experimental de tungsténio e de ouro com a empresa canadiana Colt, realizada numa cerimónia reservada na Quinta do Convento de S. Pedro das Águias, cujos acessos estavam controlados pela GNR."

Ainda a tempo: Governo deplora confusão entre fazer-se ouvir e silenciar, e, em resposta a este A liberdade de expressão não pode impedir outros de se exprimirem, a ler Até quando?

19 fevereiro 2013

Chuva de aranhas

609 dias de Governo para isto: intervenção bancária

A intervenção do Estado nos bancos foi «motivada por razões de interesse público» afirmou o Ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, [...] Rejeitando «liminarmente» a ideia de que «estas operações são um bom negócio para o Estado», o Ministro referiu que o importante é «que o sistema bancário assegure a sustentabilidade pelos seus próprios meios e que os recursos dos contribuintes não sejam para aí chamados».

O ministro das Finanças revela que este ano vai ganhar, pelo menos, 500 milhões de euros com juros do apoio à banca. (...)

Garantindo que as contas dos bancos foram amplamente escrutinados, pelo Banco de Portugal e empresas de auditoria contratadas para o efeito, Vítor Gaspar garante que as operações “protegem o interesse dos contribuintes”. (...)

“Qualquer operação tem riscos associados que não podem ser desprezados”, admite Vítor Gaspar, apesar de repetir que a análise realizada pelo Banco de Portugal à viabilidade dos planos de negócios das instituições é o “pilar em que assenta a protecção dos contribuintes”.

18 fevereiro 2013

Pub da boa: CBS

608 dias de Governo para isto: desemprego



No final de 2012, a taxa de desemprego atinge os 16,9%.

No final do mês de janeiro de 2013, estavam inscritos, nos Centros de Emprego do Continente e Regiões Autónomas, 740 062 desempregados, correspondendo a 82,8% de um total de 894 294 pedidos de emprego. Comparando com o período homólogo de 2012, o número de desempregados aumentou 16,1% (+102 400 inscritos). Em relação ao mês anterior, observou-se uma subida de 4,1% (+ 29 410 inscritos).

17 fevereiro 2013

Edison, o inventor que nos deu cabo do sono... mas apreciava a sesta


Thomas Edison, Power-Napper: The Great Inventor on Sleep & Success: "People will not only do what they like to do — they overdo it 100 per cent. Most people overeat 100 per cent, and oversleep 100 per cent, because they like it. That extra 100 per cent makes them unhealthy and inefficient. The person who sleeps eight or ten hours a night is never fully asleep and never fully awake — they have only different degrees of doze through the twenty-four hours. … For myself I never found need of more than four or five hours’ sleep in the twenty-four. I never dream. It’s real sleep. When by chance I have taken more I wake dull and indolent. We are always hearing people talk about ‘loss of sleep’ as a calamity. They better call it loss of time, vitality and opportunities. Just to satisfy my curiosity I have gone through files of the British Medical Journal and could not find a single case reported of anybody being hurt by loss of sleep. Insomnia is different entirely — but some people think they have insomnia if they can sleep only ten hours every night."

Sessão da tarde: When I Grow Up

607 dias de Governo para isto: enterro do País

militante do PSD diz a Passos que «está a enterrar o país»: Cidadão diz ao primeiro-ministro que o discurso dele não se reflete no dia-a-dia

Mas a nova estratégia de Gaspar tem razões mais estruturais. Com a recessão a agravar-se (os números do PIB divulgados ontem foram ainda piores do que o previsto), as exportações a cair e o desemprego a subir, o ministro das Finanças aposta todas as cartas numa mudança de paradigma.

Portugal no Contexto Europeu: Pensar o futuro da economia portuguesa passa não só pela discussão das políticas adoptadas a nível nacional, mas também por uma análise cuidada das características, implicações e possíveis evoluções da arquitectura de gestão macroeconómica da zona euro, bem como pelos posicionamentos possíveis de Portugal e da economia portuguesa no quadro europeu.

Assim,

Golfinhos e tubarões nos Açores


Dolphins and sharks prey on a school of mackerel off the Azores

16 fevereiro 2013

Como um analista sénior da Stratfor analisa Portugal em 2011



O WikiLeaks revelou cinco milhões de e-mails da empresa de "global intelligence" Stratfor, emitidos entre Julho de 2004 e Dezembro de 2011.

Segundo o WikiLeaks, "they reveal the inner workings of a company that fronts as an intelligence publisher, but provides confidential intelligence services to large corporations" & "the emails show Stratfor's web of informers, pay-off structure, payment laundering techniques and psychological methods".

Há um sobre Portugal interessante (o termo é meu :)). Um analista sénior da empresa mantém uma conversa com um português e o resultado é este:
>> I work for STRATFOR (www.stratfor.com) a geopolitical risk consultancy b=
ased here in Ausitn, Texas. I am the Senior Analyst for Europe, which means=
I've been covering this crisis for 3 years now. We basically do the same s=
ort of work that the Economist Intelligence Unit or Eurasia Group do. I wou=
ld love to take you out to lunch and talk Portugal and wider Eurozone. Lisb=
on is in the crosshairs of investors right now and bailout rumors are rampa=
nt. That's all fine, but I am really more interested in why it has had such=
tepid growth -- both economic and wage growth, really really low wage grow=
th over the last 10 years. Also, I am interested in developmental economics=
, so understanding some structural issues of Portuguese economy would be gr=
eat. How does migration effect growth, how connected is Portugal into the w=
ider capital flows of Europe... those sort of things. But really just a cha=
t about Portugal over lunch, to enlighten me more about the country which I=
have to admit I have not had the opportunity to follow closely in my time =
at STRATFOR or academia.


Depois, diz isto (negrito meu):
P.S. I attached a report on the social/political austerity measures we j=
ust finished that you may be interested in. It is not about which country i=
s worse off mind you. After Portugal, if any country has to tap the bailout=
fund it will be Belgium
. But that's an issue unrelated to the impact of au=
sterity measures so I kept it out of the report.


Também posso ser analista da Stratfor?

SPA e Grândola



Está a Sociedade Portuguesa de Autores mais preocupada com a lei da cópia privada do que com os seus autores - e José Mário Branco, em particular - ou vai mesmo requerer direitos pela execução pública de "Grândola Vila Morena" na Assembleia da República?

Segundo a Wikipedia, "a canção foi incluída no álbum Cantigas do Maio, gravado em dezembro de 1971, disco que conta com os arranjos e direcção musical de José Mário Branco. «Grândola, vila morena» é a quinta faixa do álbum, gravado em Herouville, França entre 11 de outubro e 4 de novembro de 1971", por José Afonso. Por isso, o direito dos autores ainda está em vigor.

Segundo a lei, "Quando um fonograma ou videograma editado comercialmente, ou uma reprodução dos mesmos, for utilizado por qualquer forma de comunicação pública, o utilizador pagará ao produtor e aos artistas intérpretes ou executantes uma remuneração equitativa, que será dividida entre eles em partes iguais, salvo acordo em contrário".

O movimento "Que se lixe a troika" assumiu o canto e "explicou aos jornalistas que se tratou de uma ação simbólica para relembrar aos deputados que "é o povo quem mais ordena"."

Já houve "acordo em contrário"?

A (in)segurança neste governo



O "Governo quer Portugal como país mais seguro da Europa", disse ontem o ministro da Administração Interna.

Isto não passa de mais um "soundbyte" para impor um estado policial, como diz o Paulo Querido, usando a ignorância. Nos dados do Eurostat (2009), Portugal tem como países mais seguros à sua frente: Liechtenstein, Cyprus, Malta, Iceland, Luxembourg, Estonia, Latvia, Lithuania, Slovenia, Slovakia, Northern Ireland, Bulgaria, Norway, Romania, Czech Republic, Greece, Hungary.

Só... E algumas tendências europeias podem ser analisadas em detalhe aqui, de onde foi retirado este gráfico sobre homicídos.

Tudo isto é afirmado quando nos conselhos a viajantes pelo departamento de Estado norte-americano, é dito apenas isto: "Portugal has a relatively low rate of violent crime; however, crime in all categories is steadily increasing. Your greatest crime risk is becoming a target of pickpockets and purse snatchers, particularly at popular tourist sites and restaurants, or on public transportation."

Repare-se ainda que a afirmação é feita pelo mesmo ministro que em 17 de Novembro de 2011 antevia um "agravamento da criminalidade violenta" e um ano depois, a 7 de Novembro de 2012, constatava que "criminalidade violenta desce 9%"...

Isso não impediu que, em tempo de crise, este ministério tivesse um aumento no Orçamento de Estado de 12,3% relativamente ao ano anterior, para 2.140 milhões de euros. Deste valor, "a medida "forças de segurança" é a mais representativa com cerca de 1.728 milhões de euros da despesa prevista para 2013, absorvendo 78,1 por cento do total da despesa, seguindo-se as medidas "proteção civil e luta contra incêndios" e "serviços individuais de saúde", que representam 10 e quatro por cento, respetivamente."

Não quer o ministro focar-se antes no "risco sistémico do crime financeiro"?

11 fevereiro 2013

Biótopos em Nova Iorque

Coisas que é bom lembrar: o silêncio na RTP, por ordem de serviço


A RTP emitiu recentemente, pela quarta vez nas últimas décadas, uma nota de serviço a apelar ao "dever de confidencialidade que tem como objetivo 'recomendar o seu rigoroso cumprimento', lembrando que o incumprimento tem sido 'sistemático' e constitui 'infração disciplinar'".

O DN recorda que esta nota de serviço cita uma outra, de 30 de Julho de 2003, onde se referia que se consideram "informações confidenciais as referentes à organização, métodos de trabalho, negócios e atividades da RTP, bem como quaisquer informações respeitantes à situação profissional dos respetivos empregados e colaboradores".

É curioso recordar esse ano. A 1 de Agosto de 2003, o Público revela essa nota de serviço, dizendo que "já existem duas notas internas no mesmo sentido e este novo aviso parece estar relacionado com a recente revelação na imprensa das avaliações dos trabalhadores feitas por uma empresa externa". A "recente revelação" surgiu em "O Independente" e, dado "que muitos nomes conhecidos apareciam com baixíssimas classificações - encaixa-se perfeitamente neste aviso".

2003 foi um ano curioso e é interessante para comparar com a actualidade. Havia um governo PSD e um ministro (Morais Sarmento) a querer controlar  a comunicação social, tal como sucede em 2013 com o mesmo partido no governo mas um outro ministro. (Acho que se podem analisar os governos PS e obter resultados semelhantes, pelo que este texto não é um panfleto partidário.)

Em Fevereiro desse ano, surge a polémica Morais Sarmento-Acontece (RTP2 e Carlos Pinto Coelho): segundo o Público desse 14 de Fevereiro, "o ministro afirmou que o canal 2 da RTP, ao contrário do que seria de esperar, "é mais visto pelas classes C e D" do que pelas A e B. Para exemplificar, disse que "o Acontece não está, sequer, entre os mais vistos" e acrescentou, em tom jocoso, que "ficaria mais barato pagar uma volta ao mundo a cada um dos espectadores do Acontece do que produzir o programa"." Pinto Coelho responde sobre os números das audiências, realçando que "é preciso saber que leitura se faz: se simplesmente quantitativa, como a que se faz para saber quantas salsichas saem de uma fábrica por dia, ou se uma leitura qualitativa".

Para quem não leu e não acredita em coincidências, recomendo a viagem no tempo até ao Fevereiro de 2013 neste "Sr. Relvas, importa-se de perceber?"...

A par da preocupação qualitativa ou quantitativa, existia a factualidade geográfica: "A RTP2 é maioritariamente vista nas regiões do Interior (21,5 por cento) e Litoral Centro (21,9), seguidas pelo Litoral Norte (19) e Grande Lisboa (17,9). Bem mais longe, aparecem o Sul (10,5 por cento) e o Grande Porto (9,2 por cento)". Ou seja, segundo os dados da Marktest citados pelo Público, Lisboa e Porto não apareciam, pelo que não era preciso pagar por esse serviço público. Após a TDT e em 2013, há dados sobre esta discrepância geográfica? Há, e é precisamente ao contrário...

Salsichas ou não, o facto é que, como explicou o Expresso, "Administração de RTP determina" e "«Acontece» substituído por magazine a definir".

Mas havia mais, ainda em Fevereiro de 2003: o então presidente da RTP, "Almerindo Marques contou ao PÚBLICO, haveria "empregados da RTP, alguns até em cargos de direcção, que tinham participação no capital ou constituíram empresas fora da televisão cujo objecto social se refere a actividades próximas ou conexas com as da RTP e que com ela poderiam, em certos casos, concorrer". Entre essas actividades estariam também o fornecimento e gestão de equipamento da televisão do Estado, acrescentou o presidente".

Em Junho, foi o caso Fátima Felgueiras, com a entrevista na RTP à autarca do PS. Dizia então o Público: "Quanto ao puxão de orelhas que o ministro Morais Sarmento deu à administração por causa deste assunto, também através do "Expresso", o director de Informação [José Rodrigues dos Santos] diz achar "normal que a classe política comente a RTP".

A 9 de Julho, "trabalhadores da RTP e da RDP manifestaram ontem, na Assembleia da República, alguma inquietação quanto à salvaguarda dos seus direitos na passagem daquelas duas empresas de "media" estatais para uma nova "holding" do Estado".


E depois da confidencialidade?
Cinco dias após a nota de serviço para a confidencialidade, sabe-se que "o programa Acontece, editado e apresentado há quase 10 anos por Carlos Pinto Coelho, não vai regressar aos ecrãs da RTP. "Não haverá mais Acontece. O Acontece morreu", disse ontem o jornalista ao PÚBLICO, após encontros com a administração da RTP".

Recorde-se que a decisão de acabar com o Acontece vinha de Fevereiro anterior, pelo que esteve seis meses a marinar, com notícias recorrentes sobre os custos e (potencial) importância do programa.

A 14 de Agosto, foi a vez de José Barata-Feyo rescindir com a RTP: "Era uma questão de coerência, a partir do momento em que este Governo anunciou os seus planos para o serviço público de TV", justificou", revelando "que passou no total dez anos na "prateleira", onde de resto se encontrava desde 2001, na sequência de um artigo criticando a criação da Portugal Global, um projecto da anterior administração. A ausência de tarefas valeu-lhe nota zero na avaliação de desempenho que a Hay Group realizou aos trabalhadores da RTP - uma avaliação que o jornalista considera ilegal". A tal avaliação que surgiu no Independente...

No início de Setembro, foi apresentado o novo canal A Dois "sem ter um director. Ao mesmo tempo, a actuação do responsável da comissão instaladora do canal, Manuel Falcão, está a suscitar dúvidas legais por aparentemente estar a agir como director sem ter esse estatuto formal. A administração da RTP já ouviu as preocupações da Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) sobre a actuação de Manuel Falcão como director sem ter, formalmente, esse título".

Agora, temos o presidente da RTP e o ministro "desencontrados"...

Ainda em Setembro de 2003, dia 7 e no âmbito de notícias que se presume poderem ser confidenciais por reportarem actividades da empresa, o Público revela: "Num violentíssimo comunicado difundido na sequência da notícia do "Expresso" que associava a RTP a uma presumível rede de abuso sexual de menores com base na Casa Pia de Lisboa, a Comissão de Trabalhadores refere "pessoas que tiveram comportamentos indecorosos e que sairam recentemente da empresa com indemnizações chorudas fingindo ter prestado serviços relevantes à RTP e ao país". A CT afirma não querer ver a generalidade dos trabalhadores "confundidos com uma mão-cheia de suspeitos de crimes bárbaros"."

A porta-voz da Comissão de Trabalhadores da RTP foi substituída quatro dias depois.

Em Outubro, soube-se ainda pelo Público que "o Governo decidiu diminuir o espaço comercial no âmbito do protocolo assinado em Agosto com a RTP e as estações privadas de televisão, que prevê como contrapartida o fornecimento de programas da SIC e TVI para os canais internacionais da RTP e a transmissão de conteúdos de serviço público pelas privadas".

Note-se que a ordem de serviço para o silêncio confidencial é de Julho de 2003 e a diminuição do espaço comercial é assinada em Agosto. O que se passou depois?


Em 2001, admitia-se que o défice da RTP devia rondar os "5 milhões em 2004"... O gráfico usado neste texto foi copiado deste "enorme prejuízo da RTP", que mostra outra realidade.

Na referida notícia do Público de Outubro de 2003, "com tudo somado - 120 milhões da indemnização compensatória, 44,2 milhões do aumento de capital e 27 milhões da contribuição para o audiovisual - ficam quase pagos os custos da RTP", sublinhou o administrador [da RTP Ponce Leão], admitindo que a estação pública ainda fechará o próximo ano com "um ligeiro défice de exploração de 18 milhões de euros" - e "esse défice desaparecerá completamente em 2005".

Confuso? Há mais.

Segundo o Diário Económico de 4 de Novembro de 2003, a "Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) deu um parecer positivo ao projecto de contrato de concessão de serviço público entre o Estado e a RTP, mas colocou reservas em relação à não quantificação das prestações que o Governo deverá dar ao operador público. 
Para a AACS «só com quantificação adequada, rigorosa, equilibrada, o contrato será capaz de executar cabalmente a sua função» de comprometer o operador público de televisão a «um serviço de efectiva qualidade», num contrato que «carece de previsão de penalização para o hipotético incumprimento» do Estado".

Como o contrato é entre RTP com o Governo, a confidencialidade dos trabalhadores mantém-se.

A finalizar, só um exemplo dos negócios da RTP, revelado pelo Público a 27 de Novembro de 2003: "A RTP vai vender 20 dos 31 jogos do Euro2004 à SIC e à TVI a preço de custo, no valor de cerca de 200 mil euros por encontro. Os três operadores já chegaram a acordo, mas a palavra final cabe à UER e à UEFA, que terão que autorizar o negócio. A resposta destes organismos deverá chegar ainda esta semana.
A estação pública pagou pelos direitos televisivos dos 31 jogos cerca de 6,5 milhões de euros à União Europeia de Radiodifusão (Eurovisão) - que adquiriu o pacote total à UEFA por 515 milhões. Com o negócio, a RTP irá receber das privadas quatro milhões, numa operação que envolve, portanto, um sublicenciamento a preços de custo. Dos cofres da 5 de Outubro terão que sair 2,5 milhões de euros por 11 jogos.
Nos 200 mil euros a cobrar à SIC e TVI por cada encontro estarão incluídos, além dos direitos televisivos, todas as despesas de produção - que a RTP terá que pagar à empresa EBS2004 - que incluem, entre outros serviços de uma longa lista, posições de comentador (3.750 euros), equipamento de estúdio (10.700), estacionamento (200) - ou seja, é um preço "chave na mão".
Tendo em conta que a TVI pagou cerca de 700 mil euros pelos direitos do jogo inaugural do estádio da Luz, entre o Benfica e o Nacional de Montevideo (Uruguai), a compra dos jogos do Euro2004 é um excelente negócio".

Este é o tipo de negócios que não se podem divulgar a partir da RTP, ao abrigo das notas de serviços para a confidencialidade. E, no entanto, 10 anos é realmente pouco tempo para se perceber que pouco mudou. Se 2003 serve de história, o mais interessante na RTP ainda está para acontecer.

Actualizações:
a 12 de Fevereiro: Presidente da RTP vai explicar plano de reestruturação no Parlamento em Março.

A 13 de Fevereiro: CRÍTICA DA CONFIDENCIALIDADE PURA: É confidencial que o CA ordena o silêncio precisamente ao ser marcado (para 21 de março) o julgamento sobre o processo de reestruturação da RTP, que objetivamente produz um efeito de intimidação sobre os trabalhadores e pode ser vista como uma pressão sobre os tribunais.

a 14 de Fevereiro: “Quem diz que é manifestação ditatorial não percebe nada”: "Foi a reafirmação de uma ordem de 2003, igualmente um período conturbado para a RTP. Chamou-se à atenção das pessoas de que era preciso parcimónia e rigor na maneira como se comunica com o exterior", disse o presidente da RTP

a 17 de Fevereiro: Administração da RTP denunciou os acordos de empresa:
A administração da RTP denunciou na passada sexta-feira, dia 15, três acordos de empresa que tinha convencionado com os vários sindicatos representados na empresa e manifestou a intenção de celebrar um novo acordo adaptado à “actual realidade” da RTP.
As denúncias dos acordos de empresa produzem efeitos a partir de 19 de Fevereiro e de 31 de Março, consoante as convenções em causa, a que se vinculam a RTP e dezenas de organizações sindicais, directa e indirectamente, de acordo com a notificação do conselho de administração da RTP, a que a Lusa teve acesso.

a 18 de Fevereiro: Trabalhadores da RTP informados de rescisões amigáveis:
A Comissão de Trabalhadores informou à agência Lusa que o "Plano de Desenvolvimento e Redimensionamento/Plano de Reestruturação da RTP", que lhe foi entregue, é um documento "hermético e indecifrável", pelo que, adiantou, vai pedir esclarecimentos à administração na reunião agendada para quinta-feira.
O documento, de 13 páginas, admite um programa de rescisões amigáveis para este ano, sem avançar com o número de funcionários abrangidos, acrescentou a CT da RTP.


a 4 de Março: Administração da RTP considera "lamentável" que CT divulgue plano confidencial: Comissão de trabalhadores diz que documento está “recheado de banalidades”, “pobreza” essa que a administração quer esconder.

a 14 de Março: Presidente diz que cada trabalhador da RTP custa 45 mil euros por ano: O presidente da RTP garantiu nesta quinta-feira no Parlamento que “neste momento” não se equaciona qualquer despedimento colectivo na empresa, no âmbito do plano de reestruturação. [mas Reestruturação da RTP admite despedimento colectivo, tal como em Janeiro passado Presidente da RTP admite despedimento colectivo e CT ameaça impugnar reestruturação]

E como não há ideias, a solução é sempre a mesma: o bolso dos contribuintes. Assim, RTP. Administração quer aumento da taxa audiovisual em 2016: A RTP vai estudar já este ano “a possibilidade do aumento da Contribuição Audiovisual (CAV) em 2014”, no entanto, nas projecções financeiras do Plano de Desenvolvimento e Redimensionamento apresentado ontem na Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação, o aumento está só contabilizado a partir de 2016

"Cada 45 mil euros poupados é um trabalhador que não sai": O presidente do conselho de administração da RTP disse esta quinta-feira que cada trabalhador da empresa representa em média 45 mil euros, pelo que cada poupança nesse valor representa "um trabalhador que não tem de sair". [Mas média de quê? Anual? A dois anos?...]


a 16 de Março: RTP pode rescindir com 300 funcionários: Em entrevista ao Expresso, o presidente da RTP defende que é possível ter 300 pessoas a aderir ao plano de rescisões voluntárias e evitar assim um despedimento coletivo.

Comunicado da Comissão de Trabalhadores da RTP:O PLANO QUE RELVAS E PONTE APROVARAM E APRESENTARAM NO PARLAMENTO É ILEGAL: A ideia peregrina de aumentar a Contribuição Audiovisual (CAV) lançaria o odioso sobre os trabalhadores da RTP, a juntar à manipulação estatística dos 45.000 euros que cada um de nós alegadamente custa por ano (!). Mas, no fundo, a ideia de aumentar a CAV serve sobretudo para o CA se eximir a confrontar o Governo com as suas obrigações de financiamento. Se o Governo quer acabar com o serviço público, terá de acabar com esta Constituição. Se quer continuar a dizer-se cumpridor da Constituição, tem de manter um serviço público e tem de pagá-lo.


07 fevereiro 2013

O que fazia Franquelim Alves em 1970? E quando foi do "saudoso MRPP"?

No currículo oficial: Iniciou a sua carreira, em 1970, como auditor e consultor da empresa internacional Ernst & Young

No Tomar na Rede: Economista de profissão, Franquelim Alves iniciou a sua atividade profissional em 1970 nas Fábricas Mendes Godinho em Tomar. [Um seu currículo também diz o mesmo]

Em Franquelim – O vendedor de passados: enquanto eu próprio e mais uma catrefada de colegas andávamos a batalhar para acabar o curso na velha Escola Industrial e Comercial de Tomar, no ano lectivo de 70/71, o fantástico Franquelim, com menos dois anos de idade do que eu, mas aluno da mesma escola e ao mesmo tempo (sim, confesso... o homem andou comigo na escola!!!)... já trabalhava, aos 16 anos, como consultor na internacional e famosa Ernst & Young (que, então, nem sequer existia por cá!). Quem poderia imaginar, nessa altura, que éramos colegas de um tal génio!!!

Em "Três secretários de Estado são de Tomar": António Lourenço dos Santos, empossado na mesma altura que Miguel Relvas com o cargo de secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação e Franquelim Alves, que ocupa o cargo de secretário de Estado Adjunto do Ministro da Economia desde o dia 8 deste mês, quando Durão Barroso decidiu dar uns “retoques” no seu staff governamental, completam o leque dos “delfins” de Tomar que têm assento nas cadeiras do poder.

Nascido na localidade de Linhaceira há 49 anos, Franquelim Alves cedo revelou uma tendência natural para os números, culminada com a licenciatura em Economia e um MBA em Finanças. Com muito sacrifício e grande tenacidade. Ia a pé para a escola, em Tomar, para conseguir acabar o então sétimo ano. Desde cedo que a sua vida começou a ser feita em Lisboa mas nunca deixou de vir à sua terra. Simples, discreto e humilde, o novo secretário de Estado Adjunto do Ministro da Economia nunca esqueceu as suas raízes provincianas. Adora o campo, não tem pudor em pôr as mãos na terra e detesta que o tratem por doutor. Comprou recentemente casa na elitista Quinta da Marinha mas não se coíbe de levar amigos “importantes” à modesta casa onde nasceu.

“Quando está aqui é Franquelim para toda a gente”, diz a mãe, Clarisse, orgulhosa do cargo que o filho agora ocupa. Quase todos os fins-de-semana Franquelim Alves visita os pais e revê os amigos. Gosta das festas da família, dos petiscos e do bom humor. Ninguém lhe tira a bica e muito menos os jornais do dia. “É viciado em leitura, não há dia que aqui esteja que não tenha que ir comprar jornais”, diz a progenitora. Clarisse Garcia Alves diz estar “orgulhosa” da educação que deu ao seu filho, o mais velho de três e o que conseguiu subir mais na vida. Quando ele lhe telefonou a dar a notícia, tinha ela acabado de dar uma queda e estava para ser transportada ao hospital. Ironias do destino. “Foi tudo um bocado a correr, nem o consegui ver na televisão”, diz com a lágrima ao canto do olho. (...)

Durão Barroso convidou Franquelim Alves pela competência demonstrada desde sempre no sector financeiro, onde se sente como peixe na água. Mas não deve ter esquecido também que, em tempos, ambos chegaram a pertencer ao mesmo partido, o saudoso MRPP...

Inundação de media

An Art Installation Made Of The Cable News Crawl: And That’s the Way It Is explores this idea of media inundation.