29 março 2014

O que quer Snowden?

A revista alemã Der Spiegel revela este sábado que 122 chefes de Estado foram espiados pela NSA. Destes 122, apenas são mostrados dados agregados sobre 11.

Os meios de comunicação social - incluindo o The Intercept - estão a pegar na história pelo lado alemão, de que a chanceler Merkel foi alvo de mais de 300 relatórios. Mas...

Mas basta ver a imagem que acompanha o artigo para se perceber duas coisas: o número de relatórios sobre Merkel é equivalente ao do presidente somali Yusuf e que o presidente sírio al-Asad foi alvo de mais de 800 relatórios.

Isto não diminui o carácter pervasivo da espionagem inter-continental mas dá-lhe contexto quantitativo. E qualitativo. Porque não foram revelados os dados sobre os restantes 111 governantes?

O Washington Post questionava há alguns dias, em "Snowden’s leaked NSA trove yields its secrets only slowly":

Why, given that Snowden’s leak occurred about 10 months ago, are revelations still emerging?

The short answer, according to the journalists behind the articles, is that the documents don’t give up the NSA’s secrets clearly or cleanly. Their technical, and often cryptic, references to NSA programs require painstaking reporting and consultations with national-security and technical experts to unravel.

“It takes a long time to go through tens of thousands of complex surveillance documents,” said Glenn Greenwald, who has written dozens of stories about the NSA since last year, mostly for the Guardian and lately for the Intercept, a start-up backed by First Look Media. “It takes an even longer time to process and understand them sufficiently to report them accurately and to make informed decisions about what should be disclosed in accordance with our agreement with our source,” who is Snowden.

Martin Baron, The Post’s executive editor, said the Snowden documents are filled with “hints and clues and fragments. These are pieces of a puzzle that you have to put together,” a time-consuming process.

The documents, for example, use cover names, abbreviations and operational concepts familiar to government security officials — their intended readers — but not to the average reader or journalist, said Barton Gellman, The Post’s principal reporter on the story.

“A bunch of them require a foundation in computer science or network technologies,” Gellman said. “The documents we’ve published required a lot of annotation for general readers, and we chose them because they were among the clearest.”

Ou seja, neste puzzle que vai sendo divulgado, Snowden parece estar a dirigir-se muito mais aos "intended readers" da segurança governamental, enquanto outros documentos mais acessíveis aos "general readers" omitem informação quando a passa aos jornalistas.

É uma generalização mas, perante isto, fico na dúvida se o WikiLeaks não terá sido uma melhor aproximação, apesar das críticas de revelar documentos secretos sem edição.

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