26 janeiro 2014

Domingo desportivo: ping-pong

Sessão da tarde: The Big Lebowski

O silêncio da praxe ou a antecâmara da sociedade da obediência


- Onde estavam, os que hoje se preocupam com as praxes, quando esta "Aluna sentiu-se mal durante a praxe e morreu meses depois": Cristina Ratinho, de 26 anos, nunca recuperou da paragem cardio-respiratória que teve numa praxe académica, em Setembro do ano passado [2012]. Ex-aluna do curso de Gestão [no Instituto Politécnico de Beja], deixa uma filha de quatro anos.

- O que fazem as universidades [e os professores] quando sabem que "as praxes trouxeram de novo a violência para as universidades. Entretanto, surgem também movimentos anti-praxes. Os membros destes movimentos afirmam que as denúncias não chegam nem a metade do que realmente é na verdade. Atualmente, pelo menos em Coimbra, o caloiro já pode optar por ser praxado ou não, no entanto tem consequências se a sua decisão for negativa, não pode usar traje académico nunca mais."

- Que respeito profissional merece alguém que andou nas praxes, por exemplo, na Universidade do Porto e que - além de apoiar um código em que existem caloiros e caloiros estrangeiros, o que só por si é uma discriminação xenófoba para quem apela à integração no espírito universitário - evoluiu da categoria de doutor de merda para merda de doutor, antes de ser veterano por estar há mais tempo do que devia para terminar o curso?

- Porque ninguém questiona o actual ministro do Ensino Superior sobre as praxes [já questionaram, fica para quinta-feira próxima], ao contrário do que sucedeu antes e levou, em 2009, o então ministro da Ciência e Ensino Superior a avisar "que os abusos nas praxes académicas serão denunciados ao Ministério Público" e pretendia "responsabilizar quer os seus autores quer as direcções de instituições que permitam que aconteçam".
Assim, "Numa mensagem enviada aos responsáveis máximos das Universidades públicas e privadas e Politécnicos, o ministro frisa que "a tolerância de muitos tem-se tornado cúmplice de situações sempre inaceitáveis" com danos físicos e psicológicos.
Mariano Gago repudia as "práticas de humilhação e de agressão física e psicológica" com carácter "fascista e boçal" inflingidas aos caloiros no ensino superior, "identificadas ou desculpadas como 'praxes' académicas".
Pela "extraordinária gravidade" de algumas destas práticas, impõe-se "uma atitude de responsabilidade colectiva" que "não permite qualquer tolerância" com "insuportáveis violações do Estado de Direito" no meio académico."

- Depois da exibição de "Praxis", na RTP1, os Bombeiros de Beja que cederam espuma anti-fogo para a praxe vão ser inquiridos sobre o assunto?

- Depois da exibição pela TVI de relatórios dos praxantes com "fichas individuais, com perfis traçados de personalidade" e de pontos fortes e fracos dos praxados - o que configura dados pessoais e quando se pode "Exigir que os seus dados sejam recolhidos de forma lícita e leal" - a Comissão Nacional de Protecção de Dados já abriu algum inquérito?

- Confiava o seu animal de estimação a este ex-Dux da Lusófona: "O meu curso e faculdade dentro da instituição da ulht é completamente independente do resto da instituição, assim como a nossa comissão de praxe, o nosso código e conduta de praxe!"
Perante tanta independência, porque não estudam em casa e se candidatam aos exames?

- Como diz Henrique Tigo, membro da COPA da Universidade Lusófona, "Não se pode confundir Praxe Académica com as «pseudo-praxes», executadas apenas por indivíduos ignorantes na matéria. A Praxe não pode nunca ser sinónimo de humilhação ou de actos de violência barata levados a cabo por uns quantos frustrados que não sabem o que são as tradições académicas e só usam um traje para se pavonearem na esperança de serem notados. São indivíduos destes os responsáveis pelo actual estado moribundo da verdadeira Praxe Académica que tem vindo a dar lugar a ditaduras absurdas, um pouco por todo o lado, que partem de ignorantes que desejam que a Praxe seja aquilo que lhes apetecer".

Na realidade, tudo isto serve a uma sociedade da obediência. "Como na tropa, as praxes preparam para o campo de batalha. E para a obediência cega aos mais graduados. Mesmo que as ordens venham de alguém que só tem a sua burrice, a capacidade de chumbar resmas de anos como galões. Passando no teste, as vítimas poderão um dia, oh suprema felicidade!, vir a oprimir os seus próprios recrutas".

"De facto, a praxe mata, às vezes o corpo, mas sempre a cabeça".

25 janeiro 2014

Isto não é uma teoria de conspiração

Quem disse isto, sobre I&D em Portugal, em 2011?

Entre meados da década de 80 e da década de 90, há uma altura em que o esforço para o desenvolvimento da ciência começa a ser interessante, mas as ciências sociais e as humanidades são completamente desprezadas. O que se pensa na altura é que o que é preciso fazer é criar riqueza, com ciências exactas, com engenharias e outras disciplinas afins. E a gestão, evidentemente, muito na moda. Depois, começa a haver clamor e discussão, aqui e acolá. A partir de certa altura, fez-se uma rectificação. As políticas científicas do Estado e das autoridades começam a olhar para as ciências sociais e para as humanidades (até para as artes) com outros olhos. Talvez durante dez anos ou quinze anos, tenha havido um reequilíbrio. Imagino que você já deva ter entrado nesse período. Começaram a aparecer instituições com alguns meios, com recursos, com projectos financiados e pós-docs e bolsas de doutoramento em maior quantidade. Ao que parece agora, os primeiros golpes de austeridade e de contracção vão ser sobre as humanidades e sobre as ciências sociais, na medida em que se pensa, uma vez mais, que só as outras ciências é que criam riqueza, só as outras ciências é que desenvolvem. Isso é um erro clássico. É sabido e reconhecido que as humanidades e as ciências sociais contribuem para o desenvolvimento. E muito. Incluindo para a criação de riqueza. As humanidades e as ciências sociais não se limitam ao fabrico de professores. O pensamento social ajuda ao desenvolvimento e à criação de riqueza.

Há outro problema que gostaria de mencionar. Houve um lado positivo na política científica das últimas duas décadas. Esse lado positivo é o enorme esforço financeiro, estrutural e político que foi feito a favor da ciência, do desenvolvimento da ciência, da graduação no estrangeiro, da internacionalização, etc. Isso é um lado muito positivo. Que conseguiu uma razoável equiparação das ciências sociais e humanas às ciências exactas. O lado negativo foi a criação de um aparelho ou um dispositivo para a investigação científica que não contagia a universidade. Ou contagia pouco. Ou mal. Os Laboratórios, os Centros de Investigação da FCT ou centros de excelência constituem um método de trabalho. Esses centros têm mais dinheiro, mais garantias e mais segurança; têm mais regras de avaliação, mais critérios e melhores métodos de escrutínio. Têm tudo mais e melhor, mas não dependem da universidade. Fala-se com um reitor ou com um director de Faculdade, que tenha três ou quatro mil alunos e ele vai demonstrar-lhe muito rapidamente que não tem qualquer capacidade de ordenar ou de orientar a investigação científica. “Isso é com a FCT e com o Ministério”. Foi criado uma espécie de ghetto, com mais recursos, mais exigência, inclusive coisas boas como a avaliação externa. Durante anos, nada disto se praticou no ensino, mas sim na ciência. Pessoalmente, preferia que a ciência fosse entregue às universidades, para que esta tivesse influência no ensino.

Entrevista aqui.

O que José Manuel Fernandes diz que Maria Mota disse e o que esta disse realmente

Diz José Manuel Fernandes (JMF) em "Aquilo que não tem sido dito no debate sobre a 'Ciência em crise'": De facto, como disse a investigadora Maria Mota [MM], recentemente distinguida com o Prémio Pessoa, “caímos no risco de achar que, como crescemos imenso, já estamos no topo e não estamos. Já temos muitos indivíduos que estão ao nível dos melhores, mas sobretudo ao nível promissor”. Ao comparar-nos com países como a Alemanha ou a Suíça, esta cientista constata que “lá já não há coisas medíocres”, ao contrário do que ainda sucede em Portugal. Por isso Maria Mota a defendeu, numa entrevista que deu em Setembro do ano passado, que era “preciso podar, e estaria talvez na altura de o fazer”.  


Defendeu? Na entrevista à LuxWoman, eis o que sucede:

JMF: “caímos no risco de achar que, como crescemos imenso, já estamos no topo e não estamos. Já temos muitos indivíduos que estão ao nível dos melhores, mas sobretudo ao nível promissor” 

MM: "Caímos no risco de achar que como crescemos imenso já estamos no topo e não estamos. Já temos muitos indivíduos em Portugal que estão ao nível dos melhores, mas sobretudo ao nível promissor. Essas pessoas têm de ser muito protegidas, têm que ter as condições para desenvolver trabalho. O sucesso em ciência é muito difícil de manter e depende de muitas características: inteligente, sim, mas é preciso ser pragmático e um bocadinho egocêntrico, saber qual é o seu caminho, tem de haver uma certa imposição do eu. E depois tem de haver condições. Há muitas pessoas a fazer boa ciência porque as instituições em que estão as dotam de todas as condições"

JMF: Ao comparar-nos com países como a Alemanha ou a Suíça, esta cientista constata que “lá já não há coisas medíocres”, ao contrário do que ainda sucede em Portugal. 
MM: Também acho que, como em qualquer conceito, de vez em quando é preciso podar uma árvore, porque ainda temos ciência medíocre em Portugal. Eu avalio para a Suíça, para a Alemanha, etc, e há lá ciência muito mais aborrecida do que a nossa, mas o nível médio é muito melhor lá. Lá já não há coisas medíocres.

JMF: Por isso Maria Mota a defendeu, numa entrevista que deu em Setembro do ano passado, que era “preciso podar, e estaria talvez na altura de o fazer”. 
MM: É preciso podar, e estaria talvez na altura de o fazer, mas não podemos podar pelo caule porque pode já não crescer.  

As citações são retiradas destas três perguntas e respostas a MM:
- Como é trabalhar em ciência em Portugal? 
Quando cheguei a Portugal, cheguei na transição, o Instituto Gulbenkian para a Ciência estava a atrair pessoas para cá, devemos isto a várias pessoas, mas sobretudo ao ministro Mariano Gago, que enviou muitos investigadores para fora. Temos pessoas portuguesas nos melhores sítios do mundo, temos locais no país tão bons quanto esses, podemos fazer assim uma network para o desenvolvimento. É possível fazer ciência em Portugal ao mais alto nível. Nós fizemos maravilhosamente.

- Estamos entre os melhores países para fazer ciência? 
Caímos no risco de achar que como crescemos imenso já estamos no topo e não estamos. Já temos muitos indivíduos em Portugal que estão ao nível dos melhores, mas sobretudo ao nível promissor. Essas pessoas têm de ser muito protegidas, têm que ter as condições para desenvolver trabalho. O sucesso em ciência é muito difícil de manter e depende de muitas características: inteligente, sim, mas é preciso ser pragmático e um bocadinho egocêntrico, saber qual é o seu caminho, tem de haver uma certa imposição do eu. E depois tem de haver condições. Há muitas pessoas a fazer boa ciência porque as instituições em que estão as dotam de todas as condições.

- Como vê o financiamento do Estado à ciência? 
Estamos muito preocupados. Estamos muito melhor do que Espanha, que fechou ciência, acho que temos pessoas no ministério que acreditam na importância da ciência. A Fundação para a Ciência e Tecnologia manteve os concursos mas reduziu os critérios, aumentou as restrições. Também acho que, como em qualquer conceito, de vez em quando é preciso podar uma árvore, porque ainda temos ciência medíocre em Portugal. Eu avalio para a Suíça, para a Alemanha, etc, e há lá ciência muito mais aborrecida do que a nossa, mas o nível médio é muito melhor lá. Lá já não há coisas medíocres. É preciso podar, e estaria talvez na altura de o fazer, mas não podemos podar pelo caule porque pode já não crescer.




E alguém consegue confirmar que "Em 2012 Portugal canalizou para a ciência e desenvolvimento quase 2% do OE (Eurostat), o quarto valor mais elevado da Europa, só superado pela Alemanha, Estónia e Islândia"? É que ou há uma previsão de 0,9% ou de 1,5%, a descer dos 1,64% de 2009, mas "quase 2%" e à frente daqueles países é que não consigo descobrir...


17 janeiro 2014

Sobre a estratégia de Passos Coelho

1) 2014 não é o ano dos 40 anos do 25 de Abril mas do PSD;

2) a fertilidade e a natalidade merecem um programa a 10 anos (para daqui a 20 anos estarem os jovens a emigrar?), por causa das pensões - não do crescimento económico do país...

3) vamos apostar, depois da agricultura e do turismo (crescimento de 8 e 7%, respectivamente, sobre algo que não sabemos), no fomento industrial. Isto quando se fecham estaleiros... Se é sobre o novo banco, é bom saber que esse dinheiro estava disponível há pelo menos dois anos, que no ano passado essas verbas não foram arrebanhadas por falta de PSDs competentes para o fazer (diz-me quem sabe) e que o BEI não o queria assim entregar às nossas fantásticas instituições bancárias - que preferem a burocracia de lidar com um milhão de euros a gerir 10 projectos de 100 mil euros ou 100 de 10 mil euros, com taxas de juro que o BEI não queria... Mas, e como também não há capital de risco em Portugal, lá se renderam à evidência;

4) sobre a investigação científica, a sua posição é exactamente a mesma de Cavaco Silva no seu primeiro mandato (anos 80 do século passado): I&D nas empresas sim, ciências sociais e humanas ou outras sem interesse de aplicabilidade imediata nas empresas não devem ser co-financiadas pelo Estado. À conta destas ideias que não funcionam em Portugal mas sim num mercado como a Alemanha (e que Coelho quase aponta como sendo suas), convém saber que isto está no programa Horizon 2020, não é originalidade portuguesa;

5) temos um primeiro-ministro que olha para os números, para os mercados. É assim, ponto. Os seres humanos, a sociedade, a política no seu melhor, não existem.

O problema é que este "homem novo" existe - e vai ser re-eleito em 2015, quando quem vota não se lembrar do que foram estes dois últimos anos -, entretanto massacrados mediaticamente pelo sucesso económico nacional do regresso aos mercados.

Como alguém disse em 2012, "com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável".

16 janeiro 2014

Como não se privatiza a água que já é privada em esquema de PPP?

O "Governo não vai privatizar as águas" porque, diz o ministério do Ambiente, o Governo "não equaciona, não pondera e não admite privatizar o sector das águas". Ficamos a saber que "a estratégia do Governo é realizar a reestruturação empresarial do sector das águas, proporcionando maior coesão social e territorial, qualidade ambiental e sustentabilidade económico-financeira, através da agregação de sistemas multimunicipais (que agregam vários concelhos)".

Afinal, o objectivo é “a eventualidade – frise-se, apenas a eventualidade – de concessionar um ou mais sistemas multimunicipais”. É? Bom, "o Executivo admite incluir o sector das águas no diploma que será discutido esta quarta-feira no Parlamento. “O Governo não vê inconveniente nessa inclusão, caso a Assembleia da República assim o entenda”".

Em Dezembro de 2012, a privatização da água deu "um importante passo com a aprovação, em Conselho de Ministros, de uma proposta de lei que permite o acesso dos privados aos sistemas multimunicipais. A privatização da Empresa Geral de Fomento (EGF), a empresa pública que gere os resíduos no universo Águas de Portugal, com conclusão prevista para o primeiro semestre do próximo ano, fica mais perto".

Nas águas e esgotos, “a linha de actuação projectada assenta na promoção do equilíbrio tarifário, na resolução dos défices tarifários e na implementação de estratégias de integração vertical dos sistemas municipais, mas também na agregação dos sistemas multimunicipais existentes, os quais podem ser subconcessionados, total ou parcialmente, a empresas cujo capital seja integral ou maioritariamente subscrito por entidades do sector privado”, adianta o Governo.

Em Setembro de 2012, o "Chanceler confirma que Portugal irá privatizar a água em 2013". Paulo Portas falou da abertura de licitação para a privatização da Águas de Portugal, "em visita ao Brasil para a captação de investimentos e capital estrangeiro, o ministro de Estado e de Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas, confirmou nesta quarta-feira (05/09) que a privatização da água do país é uma certeza e acontecerá no primeiro de semestre de 2013, por meio de licitação". "Não está envolvido nenhum imposto. O que irá ocorrer é a privatização dos jazigos de água e da distribuição", afirmou. O chanceler destacou que o governo do premiê Passos Coelho usará o modelo de concessão para a privatização. “A concorrência internacional está aberta a qualquer empresa. A melhor leva”, disse".

Em Setembro de 2011, ministra rejeita referendo sobre privatização da água mas "a Águas de Portugal é para privatizar e a reflexão passa por perceber qual será o modelo mais adequado à situação completa que encontramos, num grupo com 42 empresas", afirmou Assunção Cristas, numa audição na Comissão Parlamentar do Ambiente e Ordenamento do Território. A ministra realçou o passivo de 3.000 milhões de euros do grupo, com planos de investimento "pesados", e apontou a necessidade de resolver "o problema da disparidade de tarifas". "É um recurso que tem de ser devidamente valorizado. A água custa dinheiro", afirmou Assunção Cristas.

Mas, em Dezembro de 2013, descobre-se que "Chineses e espanhóis controlam água de 1,3 milhões": o abastecimento de água de 2,3 milhões de portugueses está, neste momento, concessionado a operadores privados. Desses, 1,3 milhões estão na mão de empresas com capital estrangeiro (espanhol e chinês).  

Como se chegou aqui? Foi um processo gradual, com uma motivação quase unânime entre mais de duas dezenas de câmaras ouvidas pelo DN: queriam investir na modernização e no alargamento das redes de água e saneamento mas não tinham condições financeiras para fazê-lo; por isso, cederam a gestão do serviço a operadores que ficavam responsáveis pelo investimento ou lhes pagavam rendas que financiavam essas obras. "Foi a solução possível para alargar as redes de saneamento a todo o concelho, sobretudo porque o Estado nunca encontrou soluções, como a possibilidade de acesso a fundos comunitários", explica o município de Vila de Conde, numa resposta por escrito.

13 janeiro 2014

O negócio público do clipping (de 2012 a Janeiro de 2014)


clique na imagem para ver quem compra e quem vende clipping no âmbito dos contratos públicos (todos por ajuste directo) revelados publicamente no Base.

12 janeiro 2014

Como se desautoriza um ministro (ou como Poiares Maduro se deixa desautorizar...)

Presente:
Poderes do Governo na RTP passam para o Conselho Geral: Na mira do regulador esteve, sobretudo, o facto de a constituição deste novo CGI, que será composto por seis pessoas, prever a nomeação de dois membros por parte do Governo. Uma situação que a ERC entende ser contraditória com os pressupostos de independência.

Poiares Maduro garante que as críticas expressas no parecer da entidade reguladora foram parcialmente atendidas ou esclarecidas na versão final dos estatutos. Mas quanto ao modelo de nomeação, tudo se manterá. "Não há modelos perfeitos", admitiu ao Expresso, antes de defender os méritos da opção tomada.

Passado:
Poiares Maduro explica futuro da RTP: administração passa a ser escolhida por conselho independente: "O objetivo é ter um órgão genuinamente independente", defendeu o ministro com a tutela da comunicação social na apresentação das linhas gerais do próximo contrato de serviço público e do novo modelo de governação, na Assembleia da República.

O conselho será constituído por cinco elementos, estando o Governo empenhado em "procurar as melhores regras para recolher um órgão genuinamente independente", disse o ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional.

O principal objetivo é, segundo o ministro, "eliminar o risco de perceção de governamentalização da empresa". "Mesmo que esse risco não seja real, a simples perceção na opinião pública" afeta a imagem do serviço público", disse o ministro.

Poiares Maduro: Conselho independente da RTP será apresentado nas próximas semanas: Os estatutos deverão determinar um modelo de selecção de pessoas reconhecidas pela “credibilidade, competência e mérito”. [...] Poiares Maduro distinguiu independência com a representação multi-partidária e sublinhou que aquilo que pretende é um órgão genuinamente independente.

Poiares Maduro: Estatutos e contrato de concessão da RTP serão apresentados "muito em breve": "Entendemos que este conselho geral independente deve ser genuinamente independente", pelo que "o esforço terá de ser nas regras de nomeação, na escolha dos nomes", de forma a "assegurar a credibilidade e independência verdadeira", defendeu.

"Quer as regras como a forma como serão escolhidas [as pessoas que irão integrar o conselho geral independente] será uma garantia verdadeira" da independência, acrescentou.

[a 13 de Janeiro, Proença de Carvalho ao Diário Económico: Recentemente foi sugerida a criação de um Conselho Geral Independente. Conhecendo a casa, este órgão faz sentido?
Vou dizer-lhe uma coisa que é pouco politicamente correcta. As empresas públicas devem ter a tutela do Governo, ponto. Não podemos querer que uma empresa pertença ao Estado e ao mesmo tempo seja independente do Estado, porque isso é um contra-senso. Se essa empresa não faz sentido continuar no âmbito do Estado, que seja privatizada.

O que é fundamental é que se consiga assegurar, pela designação das pessoas que dirigem as empresas públicas - no caso da RTP é uma empresa pública num sector sensível -, isenção e pluralismo. Essas fórmulas são sempre um pouco excêntricas, não fazem muito sentido e são até pouco democráticas.

Se a RTP é dependente do Governo, eu posso responsabilizar alguém pelo mau funcionamento - um rosto, que será designadamente o ministro que tutela a RTP. Agora, se a condução da empresa pertencer a um conjunto de pessoas independentes, que não estão sujeitas a nenhum escrutínio, eu responsabilizo quem? É complicado, não é?]

Sessão da tarde: The Trial (1962) - Kafka por Orson Welles


via Watch The Trial (1962), Orson Welles’ Worst or Best Film, Adapted From Kafka’s Classic Work

10 janeiro 2014

George Orwell em 1944 (e tão actual em 2014...)

I must say I believe, or fear, that taking the world as a whole these things are on the increase. Hitler, no doubt, will soon disappear, but only at the expense of strengthening (a) Stalin, (b) the Anglo-American millionaires and (c) all sorts of petty fuhrers of the type of de Gaulle. All the national movements everywhere, even those that originate in resistance to German domination, seem to take non-democratic forms, to group themselves round some superhuman fuhrer (Hitler, Stalin, Salazar, Franco, Gandhi, De Valera are all varying examples) and to adopt the theory that the end justifies the means. Everywhere the world movement seems to be in the direction of centralised economies which can be made to ‘work’ in an economic sense but which are not democratically organised and which tend to establish a caste system. With this go the horrors of emotional nationalism and a tendency to disbelieve in the existence of objective truth because all the facts have to fit in with the words and prophecies of some infallible fuhrer. Already history has in a sense ceased to exist, ie. there is no such thing as a history of our own times which could be universally accepted, and the exact sciences are endangered as soon as military necessity ceases to keep people up to the mark. Hitler can say that the Jews started the war, and if he survives that will become official history. He can’t say that two and two are five, because for the purposes of, say, ballistics they have to make four. But if the sort of world that I am afraid of arrives, a world of two or three great superstates which are unable to conquer one another, two and two could become five if the fuhrer wished it. That, so far as I can see, is the direction in which we are actually moving, though, of course, the process is reversible.

via George Orwell Explains in a Revealing 1944 Letter Why He’d Write 1984

120 cães a uma bela historieta...

Como alguns media respeitáveis apresentam - e, nalguns casos, nunca desmentem... - esta historieta sobre a Coreia do Norte...

05 janeiro 2014

O que pode o Observador fazer?

 
O Observador on Time é uma marca registada, pedida por António Carrapatoso em Novembro de 2012 e concedida em Janeiro de 2013. Como jornal digital, deve surgir "até ao Verão".

Da sua descrição, pode editar os seguintes produtos/serviços:
- PUBLICAÇÕES IMPRESSAS; JORNAIS; REVISTAS [PERIÓDICOS]; IMPRESSÕES; LIVROS; MANUAIS.

- PUBLICIDADE; DIFUSÃO DE PUBLICIDADE PARA TERCEIROS ATRAVÉS DE UMA REDE ELETRÓNICA DE COMUNICAÇÕES ON-LINE; INFORMAÇÕES DE NEGÓCIOS; SERVIÇOS DE PROMOCÃO E DE MARKETING.

- PUBLICAÇÃO ELECTRÓNICA ONLINE DE INFORMAÇÃO SOBRE UMA AMPLA VARIEDADE DE TEMAS; PUBLICAÇÃO DE LIVROS, REVISTAS E JORNAIS NA INTERNET; PRODUÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE PROGRAMAS DE RÁDIO E TELEVISÃO ; ORGANIZAÇÃO E REALIZAÇÃO DE CONFERÊNCIAS, CONGRESSOS, SEMINÁRIOS E WORKSHOPS DE FORMAÇÃO; ACTIVIDADES CULTURAIS E DE ENTRETENIMENTO.

Como o irá fazer? Pode ou vai usar uma plataforma como o Heello, desenvolvida pelo mesmo criador do TwitPic? Veremos.

PS: sim, o logótipo registado e mostrado acima é diferente do que está actualmente a ser usado no site do Observador:

03 janeiro 2014

Apenas uma investigadora portuguesa contra a vigilância...

"More than 250 academics from around the world signed an online petition this week calling for an end to "blanket mass surveillance" by intelligence agencies".

Até agora, apenas Catarina Frois assinou por Portugal...

E se a divulgação de dados secretos fosse contagiante...?


Are Other NSA Employees Leaking Documents Under The Cover Of Snowden? everyone assumes any new leaks are from Snowden. Matt Blaze recently noted that the most recent bombshell concerning the NSA's catalog of exploits, didn't actually name a source. And Glenn Greenwald has hinted strongly that the information is not from Snowden.

That doesn't mean that the information isn't from Snowden.