16 dezembro 2016

Pode Trump ser comparado a Hitler?

A capa da revista Time desta semana é a da edição da personalidade do ano. A selecção de Donald Trump desencadeou comparações com o facto de Adolf Hitler também ter sido escolhido em 1939, relativamente ao ano anterior, pela então influente revista. Mas se existem semelhanças sobre as duas personagens, em termos históricos, elas são escassas na opção feita pela revista.

De frente ou de costas, antes desta edição com data de 19 de Dezembro (as revistas semanais colocam a data da semana seguinte quando são postas à venda), Trump apareceu este ano em sete capas da revista norte-americana. Em 1938, Hitler não apareceu em nenhuma (nessa época, a revista só publicava a personalidade do ano na primeira edição do ano seguinte).

Em 2015, Trump apareceu uma única vez na capa da revista, a 31 de Agosto. Em Dezembro desse ano, afirmou no Twitter que a revista "nunca" o escolheria para personalidade do ano, "apesar de ser o favorito. Eles escolheram a pessoa que está a arruinar a Alemanha", referindo-se à chanceler alemã Angela Merkel.

Antes do oitavo destaque o apresentar como personalidade deste ano, Trump foi contemplado com a capa da revista a 18 de Janeiro, 14 de Março, 25 de Julho, 22 de Agosto, 24 de Outubro, 14 de Novembro (com Hillary Clinton) e 21 de Novembro.

Em comparação, quando Barack Obama foi eleito em 2008, apareceu 10 vezes na capa da revista, fosse com Hillary Clinton, de costas, em pequeno e ao colo da mãe ou com o também candidato John McCain. A 10 de Novembro, foi novamente capa com McCain - era a edição da semana das eleições a 4 de Novembro. Após a vitória, esteve em mais duas, a 17 e a 24 de Novembro.

Hitler não teve qualquer projecção deste tipo previamente à Time o considerar homem do ano, numa imagem em que surge de costas a tocar um "hino de ódio", segundo o título da revista. Antes, fora capa a 21 de Dezembro de 1931, a 13 de Março de 1933 e a 13 de Abril de 1936.

A invasão da Polónia pela Alemanha, que desencadeou a II Guerra Mundial, só ocorreu em Setembro de 1939. E, relativamente a esse ano, a edição de 1 de Janeiro de 1940 da Time escolheu Estaline como pessoa do ano.

A selecção anual de alguém que nunca surgiu na capa da revista não era inovadora. A própria Time explica que, quando escolheu o primeiro laureado em 1928 (Charles Lindbergh, por no ano anterior ter sobrevoado sozinho o Atlântico), isso era um "bónus" por ele nunca ter aparecido antes e que a escolha "rectificava". A primeira mulher do ano surgiu em 1939 (a socialite Wallis Simpson) - aliás, Merkel foi apenas a quarta mulher seleccionada pela revista para essa distinção - e o termo neutro "personalidade do ano" só foi estabelecido em 1999, escolhendo-se quem tinha marcado o ano "para o bem ou para o mal".

Representantes dos desfavorecidos
Segundo o texto da Time a sustentar a escolha de Hitler, o maior evento do ano ocorreu a 29 de Setembro, em Munique, que juntou os primeiro-ministros britânico Neville Chamberlain e francês Edouard Daladier, o ditador Benito Mussolini de Itália e a "figura dominante" de Hitler. "Se Francisco Franco tivesse ganho a Guerra Civil espanhola", talvez tivesse sido considerado para o título, até porque não havia um único norte-americano na lista para esse ano.

Hitler era visto como "a maior ameaça que o mundo democrático e amante da liberdade enfrenta", bem como Estaline - "dois ditadores (...) demasiado grandes para viverem no mesmo mundo".

Ao contrário de Hitler, cujo nome foi dado posteriormente a mais de 1.100 ruas e praças, Trump já tem um império consolidado com o seu nome.

Ao longo da campanha de Trump, explicou a Time, "em vez de pintar uma visão brilhante para um futuro unificado, ampliou as divisões do presente, inspirando novos níveis de raiva e medo dentro do seu país. Perante tudo o que se possa pensar do homem, isto é inegável: ele descobriu uma oportunidade que outros não acreditavam existir, o último, maior negócio para um vendedor do século XXI".

Ele apelou a um "método" de proximidade a certos eleitores. "O que espanta muitas pessoas é que estou sentado num apartamento que poucos alguma vez viram" mas, "ainda assim, represento os trabalhadores do mundo", afirmou. Apesar do que disse em campanha, a Time reconhece como "o demagogo obteve mais votos de latinos e de negros do que o republicano nomeado em 2012", John McCain, assim como do eleitorado feminino.

Uma razão pode ser económica (tal como sucedeu com a Alemanha de Hitler): apesar da produtividade e do produto interno dos EUA terem crescido, o salário médio dos americanos baixou ou estabilizou ao longo dos últimos anos, ficando perto (mas sem lhes poder aceder) dos benefícios dados aos mais desfavorecidos. Tal como Hitler apelou aos pobres numa Alemanha em recessão económica, Trump entendeu a actualidade do cenário salarial nos EUA.

Também como Hitler usou a força paramilitar Sturmabteilung (SA) do partido para o proteger e perturbar os outros candidatos, Trump teve o apoio de "racistas e de supremacistas brancos" mas, por "horríveis que sejam, eles são periféricos para as políticas que a sua equipa vai desenvolver. É quase reconfortante, porém, concentrar-se neles, porque pelo menos sabemos quem são e o que representam. Em contraste, penetrar na máquina de desinformação corporativa é entrar num mundo de espelhos", explica o autor George Monbiot.

"Alguns milhões de dólares gastos em persuasão, compram toda a política que se quer", prossegue Monbiot. "Activistas genuínos, a trabalhar no seu tempo livre, simplesmente não podem igualar uma rede profissional composta por milhares de pessoas bem remuneradas e sem escrúpulos".

Se, em 1938, o homem do ano na rádio foi Orson Welles, devido à sua emissão radiofónica de "A Guerra dos Mundos", que não assustou tantos como se disse - e "assustou muito menos pessoas do que Hitler", segundo a Time - ele tornou-se um evento de análise na "emoção colectiva". Na Alemanha, com pouco pão para dar, Hitler apoiou o circo do ministro da propaganda, Joseph Goebbels, que "gritava insultos contra inimigos reais e imaginados".

Para esta tarefa, Trump contou com pessoas como Stephen Bannon, responsável pelo site Breitbart News, assumidamente conservador e pró-Trump.

Política (e efeitos) em tempo real
Trump é igualmente reconhecido pelo uso que fez das redes sociais, embora previamente dinamizado pelas suas aparições na televisão.

Ele elogiou a ligação rápida e sem filtros das redes sociais, alertando nomeadamente contra os media tradicionais, e conseguiu mais comentários do que os seus oponentes políticos republicanos e democratas. O próprio Jack Dorsey, CEO do Twitter, considerou que "estamos definitivamente a entrar num novo mundo onde tudo está à superfície e todos podemos vê-lo em tempo real e todos podemos ter conversas sobre isso". Para onde isso nos leva, "não estou realmente certo" mas é uma lição "fascinante para aprender".

"Quais são as condições sociais e psicológicas necessárias que permitem a populistas da classe de Hitler ganhar as massas e chegarem ao poder? Há algumas características que Hitler e Trump têm em comum", como "a egomania, o egocentrismo total de ambos os homens e a inclinação para misturar mentiras e verdade - isso era muito característico de Hitler", explica Volker Ullrich.

Segundo o jornalista e autor de "Hitler: Ascent 1889-1939", Trump e Hitler partilham ainda a exploração dos ressentimentos populares perante a "elite governante" e as declarações para voltarem a tornar "grandes" os respectivos países. Ele salienta "o talento de ambos a utilizar os media, fazendo uso das novas tecnologias e da sua propensão para efeitos" mediáticos.

Apesar disto tudo, Ullrich salienta "que as diferenças ainda são maiores do que as semelhanças", porque "Hitler não só era mais inteligente, mas mais astuto. Ele não só era um orador poderoso como um actor talentoso que conseguiu conquistar várias camadas sociais. Não apenas as classes médias baixas economicamente ameaçadas a que Trump apontou, mas também as classes médias superiores. Hitler tinha muitos partidários na aristocracia alemã", diz.

Neste caso, Ullrich pode estar errado. Segundo sondagens à boca das urnas, votantes brancos, de ambos os sexos, com formação académica e nível salarial mais elevado do que a média, também escolheram Trump.

Mas volta a acertar noutra comparação: "Hitler beneficiou do facto de que os seus oponentes sempre o subestimarem", explica Ullrich. "Os seus aliados conservadores no governo assumiram que poderiam domesticá-lo ou 'civilizá-lo' - que uma vez chanceler ele se tornaria sensato, razoável. Muito rapidamente, ficou claro que era uma ilusão".

"Na Alemanha e na Itália, [os fascistas] foram levados ao poder pelo patrocínio de elites que eram incapazes de controlar as pressões da democracia popular através dos mecanismos existentes dos partidos políticos e do Estado. Os actuais sistemas atrofiados de organização e representação política também estão a lutar para manter a sua autoridade. A situação não é de modo algum tão crítica, mas o sucesso inicial de Trump foi construído sobre o esgotamento dos recursos do sistema de partidos dos EUA", recorda Jane Caplan, historiadora da Alemanha nazi.

Perante tudo isto, pode dizer-se que Trump será um novo Hitler? Há enormes diferenças com a Alemanha dos anos 30, como o facto de o presidente dos EUA estar sujeito a um maior escrutínio democrático e político, nomeadamente no Congresso.

10 dezembro 2016

No dia em que Bob Dylan (não) recebeu o prémio Nobel da literatura


Quer mesmo conhecer um outro Bob Dylan, um que é acusado de plágio no mundo artístico e é citado em artigos científicos?

Robert Allen Zimmerman pode ser elogiado por, como Bob Dylan, ter ganho o Prémio Nobel da Literatura de 2016 e até pelas duas centenas de citações em artigos científicos mas dificilmente será bem visto pelas suas posições no direito de autor. Isto porque há um outro Bob Dylan para lá do vencedor do prémio Nobel de 2016 para a literatura, que assume posições contraditórias sobre os direitos de autor.

Dylan (não) recebeu o prémio Nobel da Literatura de 2016 - foi Patti Smith substituir a sua aura - por "ter criado novas expressões poéticas na grande tradição das canções americanas".

Nada de quase novo para quem também não recebeu um prémio Pulitzer honorário em 2008 - enviou o filho Jesse... - pelo seu "profundo impacto na música popular e cultura americana, marcado pelas composições líricas e extraordinário poder poético".

Os elogios são reconhecidos e, para quem não conhece (!) a sua obra musical, há recomendações para o ouvir na New Yorker, na Rolling Stone ou na CNN.

Dylan pode ser um grande cantautor mas é também um interessado na gestão dos seus direitos de autor.

Zimmerman, também conhecido por Bob Dylan ou Elmer Johnston ou Blind Boy Grunt ou Jack Frost, lançou em 2013 apenas 100 cópias da caixa com quatro CDs "The 50th Anniversary Collection: The Copyright Extension Collection, Vol. 1.", cujo objectivo foi aproveitar a então recente lei de direito de autor europeia para proteger 86 músicas gravadas entre 1962 e 1963.

Segundo a sua editora Sony Music, o objectivo da compilação não era um "esquema para ganhar dinheiro" mas impedir a possibilidade de estas obras poderem ficar em domínio público, pelo que o artista deixaria de receber quaisquer dividendos pelo seu uso. A venda dessa centena de cópias levou a preços no mercado paralelo de 1.400 dólares por cada disco - e a acusações de promoção da pirataria do disco.


Herói ou ladrão
Dylan controla os direitos autorais das suas músicas, sendo estes geridos pela Sony fora dos EUA, enquanto a editora Columbia Records mantém o controlo nas gravações, numa gestão assumida pelo "manager" Jeff Rosen.

Já antes, em 2009, se questionava se ele seria "um herói cultural ou um ladrão de direitos de autor". Um ano depois, até Joni Mitchell o acusou de plágio: "Bob is not authentic at all: He’s a plagiarist, and his name and voice are fake. Everything about Bob is a deception."

Aparentemente, Bob Dylan concordava com Mitchell: "The melody for “Blowing in the Wind” comes directly from an old spiritual “No More Auction Block,” and on a New York radio show in 1962, Dylan played a new song, “The Ballad of Emmett Till,” and off-handedly admitted that he had stolen the tune from another folksinger, Len Chandler".

Para o escritor Lewis Hyde, "Dylan inspirou-se num rico filão de velhas melodias populares para a maioria das suas primeiras canções". Isso "não é roubo; é a tradição popular no seu melhor" mas, no entanto, "quase dois terços da obra de Dylan entre 1961-1963 - cerca de 50 canções - foram re-interpretações de clássicos populares americanos".

No ambiente corporativo actual dos direitos de autor, a apropriação intelectual nos seus primeiros trabalhos poderia ter acabado em tribunal.

É o próprio Dylan, neste complicado cenário, a revelar que "tudo pertence a todos", assumindo a legitimidade das obras derivativas: "aprendi letras e como escrevê-las a ouvir canções 'folk'", diz, notando que "também tenho que mencionar alguns dos primeiros artistas que gravaram as minhas músicas muito, muito cedo, sem terem que o fazer". Ou a pagar direitos por essas gravações.

Passados estes anos todos, há coisas que só pertencem ao artista. O Bob Dylan Archive agrega mais de 6.000 peças do seu arquivo pessoal. Foi vendido em Março de 2016 à Kaiser Family Foundation e à universidade norte-americana de Tulsa por um valor estimado entre os 15 milhões e os 20 milhões de dólares.


Dylan no mundo académico
Mas quem vai poder analisar este espólio? Provavelmente os estudantes de Kevin Barents, que lecciona desde 2009 um curso na Boston University sobre "Bob Dylan’s Lyrics" e já então tinha de recusar candidaturas para as suas aulas.

Dylan é motivo de interesse no mundo da ciência também por outras razões.

As citações ao seu nome cresceram de modo exponencial, nomeadamente nas publicações científicas de biomedicina, segundo dados do British Medical Journal, que constatou mais de 200 artigos com referências ao artista.

Dylan é igualmente interessante no mundo da ciência devido a uma aposta com quase 20 anos. Em 2014, investigadores revelaram estar a introduzir letras de Bob Dylan nos seus artigos de investigação, com base numa aposta feita em 1997 - ano em que Dylan lançou o disco "Time Out of Mind".

O primeiro "paper" científico desta aposta, "Nitric oxide and inflammation: The answer is blowing in the wind", foi aceite pela revista científica Nature, sem qualquer referência directa a Dylan. "Todos os cientistas são fãs de Dylan - ele devia receber o prémio Nobel da literatura", sugeria então Eddie Weitzberg.

E não é que acertou? (Ou falhou, relativamente ao "receber" o prémio este sábado...)

04 dezembro 2016

10 coisas que já podia ter lido hoje

Os robôs também caem de pé:

Kazuo Ishiguro: 'We’re coming close to the point where we can create people who are superior to others' (Ishiguro cites three areas - gene editing, robotics and Artificial Intelligence - that he believes could transform the way we live and interact with each other over the next 30 years.)

Coisas que é bom saber: Right-Wing Extremists Are a Bigger Threat to America Than ISIS: since 2002, have killed more people in the United States than jihadis have. In that time (...) Islamists launched nine attacks that murdered 45, while the right-wing extremists struck 18 times, leaving 48 dead. (e "One by One, ISIS Social Media Experts Are Killed as Result of F.B.I. Program")

52 things I learned in 2016Um exemplo: "Google’s advertising tools can track real-world shop visits. If a customer sees an ad then visits the relevant store a few days later, that conversion will appear in Google Adwords. Customers are tracked via (anonymised) Google Maps data. They’ve been doing this since 2014."

John Cleese on the Five Factors to Make Your Life More Creative: Space, Time, Time, Confidence, Humor

New York City Mapped All of its Trees and Calculated the Economic Benefits of Every Single One

I Dialed a Wrong Number and Stumbled Into International Phone Fraud: It started when I was trying to call Cuba.

Confessions of an Instagram Influencer: I used to post cat photos. Then a marketing agency made me a star.

Former inmates encounter stigma, bias, and even formal obstacles to getting hired. Connecticut, for example, has 423 employment restrictions based on criminal records, including bans on obtaining a teaching certificate, operating commercial motor vehicles, and becoming a firefighter.

A Virginia School District Has Banned Two Classic Books Because of Racial Slurs: To Kill a Mockingbird and The Adventures of Huckleberry Finn have been pulled from classrooms and curriculum until further notice. Segundo o politicamente correcto, "racial slurs appear 219 times in Mark Twain's novel The Adventures of Huckleberry Finn, while Harper Lee's To Kill a Mockingbird has 48 racial slurs in.".

03 dezembro 2016

10 coisas que já podia ter lido hoje


Uma casa no Estoril

Perante o petróleo e a água, Trump has endorsed the Dakota Access Pipeline. The next move is up to Obama.

Let's Talk About Innovation for Publishers: newspapers and magazines did somewhat decent until the financial crisis in 2008, after which things went badly. Digital is now completely taking over the market for publishers, while TV is hanging in there (but notice how it's not growing at the same rate as the market overall, so it's actually in decline too).

"All of the Democratic and Democratic-aligned members of the Senate intelligence committee have hinted that significant information about Russian interference in the US presidential election remains secret and ought to be declassified", nota o The Guardian.

Da pós-verdade: Facebook is blocking links to a popular fake news detector (website for a popular browser extension that detects and tags disreputable news sources), a mesma empresa que, segundo diz um seu executivo: "We resisted having standards" on fake news. "That was wrong." Porquê? Trump’s Lies Aren’t Lies Because ‘There’s No Such Thing’ As Facts Anymore, His Surrogate Says... Facebook que está a desenvolver "artificial intelligence to flag offensive live videos"

Como se transfere Big Data? Por camião.

Da liberdade de expressão ao exercício da liberdade de expressão: Here are the journalists fighting for federal public records e a posição do Internet Archive perante o FBI

Qué ciudadanos europeos pagan más impuestos?

Futuristic plans for a moon village proposed by the European Space Agency are winning support around the world.

Os sonhos das startups: "Nearly one in five (!) founders think their company will eventually be worth a billion dollars or more."

02 dezembro 2016

11 coisas que já podia ter lido hoje

 Mesmerizing Patterns Constructed Within Surreal Landscapes, by Polish photographer Dariusz Klimczak

Finally! Word is getting out. It’s not just Uber’s “innovation” claims which are questionable, it’s potentially the entire business model.

The Legal Industry for Kidnapping Teens: David wasn't being kidnapped in the traditional sense. What happened to him was arranged by his parents, and was completely legal.

After 52 Years, the War Between Colombia and the FARC Will End: Four out of five of the decades-long conflict's dead were civilians

THE TOXIC HISTORY TRUMP SHARES WITH ALL OF US: One advantage of being the putative leader of a great nation is that people pay attention, even when you’re spouting nonsense (nomeadamente sobre os seus conflitos de interesse).

Qual a visão de Trump sobre os dronesPrivatizing air traffic control will have implications for the future of U.S. drone regulations, much of which hinges on efforts to create a national drone air traffic control system capable of real-time reporting, tracking and managing of flights.

E porque não mais um subsidiozinho para os media, quando, segundo Trump, "There Are No Such Things As Facts"? Facebook Should Consider Subsidizing and Promoting Local News: It’s one way the social network could make up for the damage it’s done to journalism.

Should you trust that news story you’re reading? Here’s how to check. A começar por esta: Breitbart declares war on Kellogg's after cereal brand pulls advertising from site: The right-wing news organization is calling for a boycott on Kellogg’s products after company says Breitbart is not ‘aligned with our values’

Em alternativa, "A man with an antenna implanted in his head tells us what it’s like to be a cyborg"...

The Fluid Dynamics of “The Starry Night”: How Vincent Van Gogh’s Masterpiece Explains the Scientific Mysteries of Movement and Light

Using Ecstasy to treat post-traumatic stress disorder: ‘I felt like my soul snapped back into place’ (& How does this happen? Why does Humira cost so much more here than it does in other countries?)


26 novembro 2016

Umberto Eco e os sinais do fascismo

1. The cult of tradition.
2. The rejection of modernism.
3. The cult of action for action’s sake.
4. Disagreement is treason.
5. Fear of difference.
6. Appeal to social frustration.
7. The obsession with a plot.
8. The enemy is both strong and weak.
9. Pacifism is trafficking with the enemy.
10. Contempt for the weak.
11. Everybody is educated to become a hero.
12. Machismo and weaponry.
13. Selective populism.
14. Ur-Fascism speaks Newspeak.

15 novembro 2016

Evolução da população humana

"It took 200,000 years for our human population to reach 1 billion — and only 200 years to reach 7 billion":

07 julho 2016

À atenção dos jornalistas com blogues - a Comissão que nada tem a ver com blogues pessoais acha que sim por razões profissionais



Uma deliberação da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ), emitida a 19 de Abril e a que ninguém obviamente ligou, atira-se à "actividade promocional através de blogues".

A coisa parece de somenos mas é razão suficiente para a CCPJ não estar a revalidar a carteira, sem a qual um jornalista não pode trabalhar. E paga para isso: para trabalhar e para a CCPJ funcionar.

Comecemos com um exemplo. O fotógrafo Joel Santos faz esta belíssima publicidade para um hotel, com imagens do Douro e Côa - e aquilo é muito mais do que publicidade (enfim, é opinião e vale o que vale).

Mas, neste blogue, eu não a posso revelar. O mesmo seja dito sobre todas as mensagens publicitárias que aqui coloquei sob o título "Pub da boa", em muitos casos de marcas que nem sequer estão presentes em Portugal!

Não o posso fazer, num blogue e mesmo não sendo pago pelas marcas!

Porque a CCPJ considera na sua fantástica deliberação que "constitui actividade incompatível com o exercício da profissão a da elaboração ou difusão, por jornalistas, de mensagens publicitárias ou promocionais de marcas, produtos ou serviços, ainda que de forma dissimulada, e inseridas em blogues pessoais ou colectivos, através de texto, imagem ou voz".

Qual a razão desta... coisa?

"Vimos assistindo, nos últimos tempos, ao lançamento de blogues por parte de jornalistas, nos quais estes resvalam para a actividade promocional de marcas, produtos e serviços, caucionada pela sua qualidade profissional".

A CCPJ pega numa lei de 1999, com uma alteração de 2007, e eis que em 2016 acorda para o assunto!

Para ela, "o jornalista não pode assim praticar actos ou desenvolver acções que possam beliscar ou comprometer a sua independência, porque ferem o valor nuclear da credibilidade".

Totalmente de acordo mas...

Em vez de tratar caso a caso os casos dos jornalistas que, usando "a sua qualidade profissional", arrecadam lucros com a publicidade nos seus blogues, a CCPJ é mais inteligente: nenhum jornalista pode falar de publicidade em blogue pessoal.

Bravo!

Eu entendo que a alternativa (penalizar os infractores) dá muito trabalho - mas esta é a mesma Comissão que autorizou em 2007 Judite de Sousa a fazer publicidade, por exemplo, ou a admoestou em Outubro de 2013 por estar há um ano sem carteira profissional. (a questão aqui não é com a pivô da TVI, obviamente).

E é a mesma CCPJ que não investiga os casos de jornalistas que "vendem" produtos, serviços ou pessoas quando escrevem ou emitem programas televisivos ou radiofónicos sobre publicidade ou com novidades de marketing de empresas ou de políticos, na promoção da venda de jogadores de futebol ou de políticos, na análise de produtos tecnológicos ou de campanhas políticas.

E é a mesma Comissão que tanto protege a lei que não critica os jornalistas, nomeadamente na televisão, que devem "abster-se de recolher declarações ou imagens que atinjam a dignidade das pessoas".

Em resumo, um jornalista que quer renovar a carteira, tem de ter cuidado com o que coloca no seu blogue pessoal. Nos meios de comunicação social, pode fazer tudo o que bem lhe apetecer.

Física e cafeína

06 maio 2016

Tom Waits - For No One


Tom Waits performed in 1978 live at the La Brea stage in Hollywood, photographed and rotoscoped.

The original live action was shot with 5 cameras - 2 high, 2 low and one hand held.. shot by Dan O'Dowd and crew.

The music from "The One That Got Away" blared in the background as Tom sang the lyrics.

Donna Gordon is the dancer performing as the stripper, 6 takes and 13 hours of video footage were edited to make a 5 1/2 minute live action short which we turned into animation.

A total of 5,500 frames were captured, re-drawn, inked and painted by hand onto celluloid acitate to create this film.

Produced by Lyon Lamb Video Animation Systems and directed by John Lamb, the film bore some cool new technology and talent - and was created specifically for a burgeoning video music market that didn't yet exist and arguably may be the first music video created for the MTV market.

However, a series of unfortunate events prohibited the film from ever being released or sold commercially, consequently catapulting it into obscurity.

In 1979, an Academy Award was presented to Lyon Lamb for the technology used in this short. [da descrição do vídeo no YouTube]

30 abril 2016

Não percebo nada desta história de Botton/Eurobarcelona no Expresso/Observador


Cronologia:
Dezembro de 2004 - Eurobarcelona é criada por Filipe de Botton, Alexandre Relvas e Carlos Monteiro.

21 de Novembro de 2007 - Eurobarcelona comprada pelo GES, com parcela de 90% através da Heydell Real Estates SA, representada por José Carlos Castella (controlador financeiro do GES). Restantes 10% comprados por Caetano Beirão da Veiga.

"Filipe Maurício de Botton tinha 1670 euros dos 5000 euros com que fora constituída a Eurobarcelona. E em 2007 vendeu uma quota de 500 euros a Caetano Espírito Santo Beirão da Veiga e outra quota de 1170 euros à Heydell Real Estates, SA, com sede em Tortola, nas Ilhas Virgens" (mas com endereço de correspondência na Mossack Fonseca).

Final de 2007 - Botton, Relvas e Monteiro deixam de ter participações na Eurobarcelona.

2009 - Heydell fica com totalidade da Eurobarcelona (compra a Beirão da Veiga, que diz "não se recordar dessa empresa").

30 de Abril de 2016 - Filipe de Botton negou ao Observador ter feito o negócio com a offshore do GES e Expresso divulgou certidão na Mossack Fonseca sobre a Eurobarcelona.

Botton explicou que a Eurobarcelona pretendia um prédio da Fundação Sardinha mas "foi nessa altura [2004? 2007?] "que surgiu a Espart, que se mostrou interessada e conseguiu adquirir o imóvel à Fundação Sardinha”. (Pesquisar pela Espart dá num redireccionamento para a Espírito Santo Property).

O que é estranho é que a 20 de Março de 2009, num outro registo legal (ver imagem acima) - e que não é citado pelos jornais ou TVI mas foi registado por uma advogada com endereço de email a terminar em @espart.pt) -, revela-se que Beirão da Veiga renuncia à gerência, sendo nomeado "gerente único" Carlos Monteiro.

Em paralelo, e não procurando muito, Beirão da Veiga e Carlos Monteiro tiveram negócios em conjunto e/ou em paralelo, quer na Fundinvest como na Invesfundo V - ambos geridos pela Gesfimo (grupo Espírito Santo).

E o Expresso "atira-se" aos financiadores do Observador Botton e Relvas, de forma tão frágil, e "esquece" os outros do grupo Espírito Santo? A sério, não percebo.

[actualização, da TVI: "das investigações por nós realizadas, Filipe de Botton e Alexandre Relvas não têm, nem tiveram, offshores que constem da listagem da Mossack Fonseca como a notícia poderá levar a concluir." e do Expresso: "A notícia está totalmente correcta mas o seu tratamento semelhante a outras notícias diferentes, em que empresários identificados detinham mesmo offshores, poderá induzir em erro e conduzir a uma interpretação incorrecta."]

A história dos EUA com Cuba

21 abril 2016

A favor do cumprimento punho contra punho


O director-geral da Saúde, Francisco George, anda preocupado com as infecções hospitalares por não se lavarem as mãos desde, pelo menos, 2007 ou 2008. Voltou a alertar ontem para o mesmo problema.

Eu fico igualmente preocupado com os cumprimentos protocolares, quando individualidades como o Presidente da República têm de cumprimentar dezenas de pessoas, e podem transmitir micróbios de mão em mão ou de beijo em beijo, além de eles próprios poderem sofrer com esta prática no recato da sua saúde.

Assim, e também para acabar com a discriminação de cumprimentos entre homens e mulheres, que tal cumprimentar punho contra punho? A ideia não é nova mas pouco aceite - recorda sub-culturas que, afinal, parecem ser mais higiénicas...



Em 2013, o "The Fist Bump Manifesto" alertava para que "Bumping fists has a negative bro-stigma, but it's better than shaking hands — in that it transmits significantly fewer bacteria. At a time of global concern that our antibiotics are becoming obsolete, new research shows how fist bumping could save lives".

O Medical Daily titulava depois: "Why A Fist Bump Is More Hygienic Than A Handshake: A Dap Is 4 Times Less Likely To Spread Bacteria".

No ano seguinte, o Science Daily afirmava: "“Fist bumping” transmits significantly fewer bacteria than either handshaking or high-fiving, while still addressing the cultural expectation of hand-to-hand contact between patients and clinicians".

Perante provas científicas, porquê insistir numa cultura delicada de propagação infecciosa?

Porque existimos?

16 abril 2016

56 coisas que já podia ter lido hoje (a sério!)


O sector das telecomunicações em 2015

Cronologia da Sociedade da Informação em Portugal (1991-2012)

36 anos de Administração Eleitoral

IA e ser humano

O tamanho da base de dados do Google Earth

Jovens e propriedade intelectual

Dias de trabalho no Facebook

O mundo online

Perigos no acesso às redes WiFi públicas

Arte pública viola direito de autor

Let’s Encrypt já não está em beta

Música mais triste e mais alegre no Spotify

Personalidade e erros nos emails

Ética da cloud computing

25 anos de Linux

Realidade digital e televisões

Tim Cook, direitos gays e impacto na Apple

Thomas Jefferson, Apple e FBI

Estados perdem para tecnológicas

Computador a espiar

O custo real de um telemóvel

Ataque a hackers (1990)

O catálogo de vigilância da NSA

A ciberguerra dos EUA

Dados recolhidos em serviços gratuitos

Google mais móvel em Maio

Mercados e problemas societais

Airbnb ou hotel?

O medo e a espionagem na IoT

A legalidade da hiperligação

A segunda revolução móvel

Quer comprar tudo da Amazon?

A história do "like" do Facebook

A TV cheira mal?

A previsão meteorológica do Twitter

Abertura científica?

Férias em realidade virtual

Vigilância em massa é ilegal

Cibersegurança numa sociedade cibervulnerável

Estamos tramados

Aprender competências online

Mulheres, América e a Lua

A app mais perigosa

O fim do ciberespaço

A origem dos génios

Inovação global

Telesaúde em 2018

O problema dos maus dados

Economia digital em 2015

Startups podem ser brutais para os trabalhadores

Tecnologia digital para França

Línguas influentes

Direitos digitais em 2016

Cibersegurança na Europa

Mais gestão na inovação na UE?

Mapa da Internet

Mosul em realidade virtual



via How The Economist used virtual reality to tell stories through digital reconstruction