18 agosto 2014

Comunicação cerebral

According to a 2011 study, on a typical day, we take in the equivalent of about 174 newspapers’ worth of information, five times as much as we did in 1986. As the world’s 21,274 television stations produce some 85,000 hours of original programming every day (by 2003 figures), we watch an average of five hours of television per day. For every hour of YouTube video you watch, there are 5,999 hours of new video just posted!

If you’re feeling overwhelmed, there’s a reason: The processing capacity of the conscious mind is limited. This is a result of how the brain’s attentional system evolved. Our brains have two dominant modes of attention: the task-positive network and the task-negative network (they’re called networks because they comprise distributed networks of neurons, like electrical circuits within the brain). The task-positive network is active when you’re actively engaged in a task, focused on it, and undistracted; neuroscientists have taken to calling it the central executive. The task-negative network is active when your mind is wandering; this is the daydreaming mode. These two attentional networks operate like a seesaw in the brain: when one is active the other is not.

via "Hit the Reset Button in Your Brain"

07 agosto 2014

Conselhos de Ministros sobre BES foram confidenciais?

Um Conselho de Ministros está obrigado a emitir um comunicado. Esse comunicado só não é emitido se a reunião dos ministros for considerada "confidencial" ou partes da mesma.

Ou seja, a reunião de quinta-feira passada teve uma parte confidencial e a reunião de domingo foi toda ela confidencial - ambas para aprovarem documentos que foram divulgados previamente a pelo menos 12 instituições sobre a solução para o BES. Por partes:

1) o REGIMENTO DO CONSELHO DE MINISTROS DO XIX GOVERNO CONSTITUCIONAL (Resolução do Conselho de Ministros n.º 29/2011) determina que: "7.1 — De cada reunião do Conselho é elaborado pelo Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros um comunicado final, que é transmitido à comunicação social e divulgado no portal do Governo".

Da mesma resolução, só "As agendas e os projectos submetidos ou a submeter à apreciação do Conselho são confidenciais, sem prejuízo do disposto no n.º 7 sobre o comunicado final". Ou seja, no domingo, devia ter havido comunicado.

No entanto, não é a primeira vez que isto sucede, com o Governo a violar uma lei que aprovou.

2) a confusão é muita sobre esses decretos-lei mas Pedro Silva Pereira (PSP) explicou em detalhe algumas questões - nomeadamente a confusão sobre a origem dos mesmos. Como já disse:

O primeiro decreto-lei a que PSP se refere (e não consta do comunicado do Conselho de Ministros de quinta-feira) é este e a sua entrada em vigor ocorre "no dia seguinte ao da sua publicação. 
Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 31 de julho de 2014. — Pedro Passos Coelho — Hélder Manuel Gomes dos Reis — Rui Manuel Parente Chancerelle de Machete. 
Promulgado em 31 de julho de 2014. Publique-se. O Presidente da República, ANÍBAL CAVACO SILVA. 
Referendado em 1 de agosto de 2014. Pelo Primeiro-Ministro, Paulo Sacadura Cabral Portas, Vice-Primeiro-Ministro".

Apesar da rapidez na aprovação, "Foram ouvidos o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, o Banco de Portugal, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o Instituto de Seguros de Portugal, a Associação Portuguesa de Bancos, a Associação Portuguesa de Seguradores, a Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios, a ASFAC — Associação de Instituições de Crédito Especializado, a ALF — Associação Portuguesa de Leasing, Factoring e Renting, o Instituto Português de Corporate Governance, a Comissão Nacional de Proteção de Dados e o Banco Central Europeu".

Toda esta gente é ouvida (alguns até comentam), sabe das medidas e as acções do BES continuaram a ser transaccionadas? Isto não é inside trading, é general trading!!

É então que, no domingo passado, é aprovado este novo documento: "O presente diploma entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação. 
Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 3 de agosto de 2014. — Paulo Sacadura Cabral Portas — Maria Luís Casanova Morgado Dias de Albuquerque. 
Promulgado em 3 de agosto de 2014. Publique-se. O Presidente da República, ANÍBAL CAVACO SILVA. 
Referendado em 3 de agosto de 2014. Pelo Primeiro-Ministro, Paulo Sacadura Cabral Portas, Vice-Primeiro-Ministro".

Não há qualquer comunicado sobre este "Conselho de Ministros".

3) o ministro Poiares Maduro defendeu que "Governo admite Conselho de Ministros com votos por email", alegando que se trata de "um exemplo da evolução do Estado, no sentido de uma crescente digitalização e funcionamento por via eletrónica". É verdade. O referido Regimento refere que "Todos os actos inerentes aos procedimentos previstos no presente Regimento ficam subordinados ao princípio geral da desmaterialização e circulação electrónica."

O que Poiares Maduro não explica (e ninguém lhe pergunta) é a classificação de "confidencial" num assunto destes, quando foi previamente divulgado a uma dúzia de entidades...:



Homem com mais recordes Guinness quer mais um: The Record Breaker

03 agosto 2014

Cristiano Ronaldo pode ter cuecas CR7 nos EUA?

É uma história de cuecas mas é interessante, em termos de propriedade intelectual: Cristiano Ronaldo é o detentor da marca CR7?

Em termos de roupa interior, talvez, através da JBS Textile Group, que gere a sua marca de "underwear". Nos EUA, não é.

Mas um processo judicial pode mudar isso.

A 25 de Junho de 2008, Christopher Renzi registou CR7 para "Fashion Clothing, namely, jeans and t-shirts" no US Patent and Trademark Office (USPTO).

A JBS pediu o registo no USPTO das marcas CR7 e CR7 Cristiano Ronaldo em Abril passado, para "Clothing, namely, underwear, boxer shorts, boxer briefs, dress socks, knitted socks, sports socks, shirts, T-shirts, polo shirts, sweat shirts, dress shorts, dress suits, outer jackets, ties, belts; footwear; headgear, namely, cap visors, caps, and hats".

O site cr7underwear.com foi registado em 2013.

O que fez entretanto a JBS? "asked the US Patent and Trademark Office (USPTO) to cancel the trademark, awarded to Renzi in 2009 and used on jeans and clothing as well on an online fitness video"...

Tudo isto levanta uma questão curiosa: quem usou inicialmente o termo CR7 e quando? Foi após estar no Manchester United, desde 2003?

Se sim, Ronaldo terá um outro problema em usar a marca CR7 no Brasil, na área do imobiliário: esta já existe desde 2001.

Palestina em 1896



via: Film footage of Palestine shot by cameramen employed by the Lumiere brothers in 1896 was recently published online thanks to Lobster Films. It shows Palestinians of all faiths - Christians, Jews and Muslims - living side by side, and praying side by side.

26 julho 2014

Coisas que é bom saber, dos bilhetes mais caros para monumentos

Em estudo pago pelo Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais da Secretaria de Estado da Cultura, diz a agência Lusa que Governo devia considerar aumento de preços de bilhetes para monumentos.

A Lusa reformula o que o estudo diz: "A criação de programas de “Adoção” de monumentos por outros  monumentos poderá também ser implementada com sucesso. Esta medida permite que um monumento mais visitado tenha um bilhete que possibilitaria a entrada noutro monumento, por um preço ligeiramente superior ao bilhete normal. Tal excedente, bem como uma parte do resultado líquido global, reverteria para o Monumento menos visitado".

Aliás, os investigadores chegam a sugerir: "a título de exemplo deixamos a sugestão de se estabelecerem protocolos com entidades hoteleiras para que estas adquiram um bilhete de um bem patrimonial, à sua escolha, por hóspede. A forma de  aquisição  dos  bilhetes  por  parte  dos  hotéis  poderá  ser  realizada  por  uma  venda  com desconto e/ou pela realização de um leilão para a aquisição dos bilhetes mais apetecíveis. Assim, o hotel ficaria com mais um argumento de venda dos seus serviços, qualificando a sua oferta,  ao  mesmo  tempo  que  se  aumentaria  o  número  de  visitantes  do  Património".

E, presume-se, pela lógica dos leilões, baixa o preço dos bilhetes para os monumentos. Excepto para a Lusa...

Sábado desportivo: o épico Barbados vs Granada, em 1994


The Strangest Soccer Match Ever”: “The person who came up with these rules must be a candidate for a madhouse. The game should never be played with so many players running around the field confused. Our players did not even know which direction to attack: our goal or their goal. I have never seen this happen before. In football, you are supposed to score against the opponents to win, not for them.”

Claim: A soccer team advanced in a cup match by deliberately scoring a goal against their own side. True.

05 julho 2014

O direito ao esquecimento só podia dar nisto...


Google takes down links to British journalism under 'right to be forgotten' rule: The Guardian, the BBC, and others are reporting that it's being used to cover up embarrassing news stories.

Why is Google really removing links to news articles in Europe? What methods does it use to judge what should stay up and come down? Heaven knows – I’ve repeatedly asked Google to explain this since it began censoring results a week ago, but have hit a brick wall.

Google reverses decision to delete British newspaper links... underscoring the difficulty the search engine is having implementing Europe's "right to be forgotten" ruling.

The EU’s Right To Be Forgotten Is A Mess & How Google’s Making It Worse: don’t be the arbiter of what to censor.
Google’s not well qualified to do that, and it’s attempts to do so will only continue to generate controversy as we’ve seen this week. Reject requests under the reasoning that Google isn’t the competent authority to judge, then let the privacy regulators make the decisions.
Alternatively, perhaps the system needs to go on hold. The initial flood of requests has turned into a trickle. Rushing this isn’t necessary and likely only going to lead to more mistakes.
At the very least, stop talking the transparency talk and start walking the transparency walk. Provide a lot more information about how requests are being processed, along with some general stats about the types being handled, granted, whether they involved news publications and so on.

Right to be forgotten: A poor ruling, clumsily implemented: The fact remains that this ruling is deeply problematic, and needs to be challenged on many fronts. We need policymakers to recognise this flabby ruling needs to be tightened up fast with proper checks and balances – clear guidelines on what can and should be removed (not leaving it to Google and others to define their own standards of ‘relevance’), demands for transparency from search engines on who and how they make decisions, and an appeals process. If search engines really believe this is a poor ruling then they should make a clear stand against it by kicking all right to be forgotten requests to data protection authorities to make decisions. The flood of requests that would be driven to these already stretched national organisations might help to focus minds on how to prevent a ruling intended to protect personal privacy from becoming a blanket invitation to censorship.

Do "exercício do jornalismo sem título profissional" ao "suicídio"

 

Jornais que publiquem textos assinados por estagiários arriscam multa, "multas que podem ascender a muitos milhares de euros". (...)

Director da licenciatura de Ciências da Comunicação da Faculdade de Letras do Porto, Paulo Frias: “O estágio serve para aproximar os estudantes da prática profissional” e, se o seu papel fica praticamente reduzido ao de meros observadores do trabalho alheio, este período que completa a formação académica “perde o sentido”. “Não consigo entender a posição da Comissão da Carteira Profissional”, diz. 

Lei que impede estagiários de assinar artigos “visa impedir pessoas de trabalhar de graça”:
“Sei de empresas de comunicação social que logo a seguir a terem feito despedimentos ligaram às universidades para lhes pedirem estagiários curriculares”, descreve Daniel Ricardo, que é jornalista da Visão e para quem nesta polémica está ainda em causa a responsabilidade social de quem trabalha na profissão, com tudo o que isso implica ao nível do sigilo profissional, por exemplo. “Compreendo que na crise que vivemos a tendência seja para gastar o mínimo. Mas não pode ser à custa do sacrifício dos estagiários curriculares”, observa. “Se uma profissão não for remunerada é um hobby”.

O jornalismo que temos e o jornalismo que queremos: É necessário clarificar o estatuto de estagiário, reconhecendo as suas limitações e construindo um raio de acção que permita começar uma profissão, ao mesmo tempo que se fiscaliza a acção dos órgãos para que estes não sustentem a sua actividade neste tipo de trabalhos. Se existe o compromisso social e a preocupação da formação profissional, porque não arranjar um modelo salarial adaptado ao estatuto de estagiário? Ou será que assim se expirava o interesse dos órgãos na formação profissional? É necessário que as universidades sejam mais activas na defesa e no acompanhamento dos seus alunos, não só na sua formação académica mas também na sua integração profissional. Já percebi a razão pela qual o jornalismo é uma das áreas com mais propensão ao suicídio: a fim de manter a sua condição está disposto a matar a profissão.

Por fim, a ver "decisões proferidas no âmbito dos procedimentos disciplinares instaurados por esta CCPJ" (2013), muitas delas sobre "exercício do jornalismo sem título profissional" ou "manutenção ao seu serviço de jornalista sem título profissional"...

Carlos do Carmo neste "milagre intermitente"

Neste "reinozinho chamado Portugal", perante alguém vitorioso, surge quase sempre um outro a dizer mal dessa(s) vitória(s).

Parece inveja ou mesquinhez mas, muitas vezes, não é. É simplesmente a vontade de repôr uma verdade que é escondida, matraqueada até se tornar a verdade oficial. Pacheco Pereira diz isto há anos sobre a política na comunicação social mas agora o caso é de cultura: trata-se do "primeiro" Grammy para Portugal, alegadamente de Carlos do Carmo.

Ele não é o "primeiro" português a ganhar esse prémio, como recordou atempadamente José Leite - ao contrário de toda a comunicação social, que "matraqueou" essa declaração sem a verificar...

Elisabete Matos ganhou o mesmo prémio - em conjunto com outros mas foi "winner" - em 2000.



Elisabete Matos está precisamente a dar em Portugal uma série de concertos (recital em Sintra e concerto em Lisboa), sem que se ouça falar da (primeira?) vencedora nacional de um Grammy. Carlos do Carmo não sai de cena desde o anúncio da sua escolha.

A tontice é tanta que, com excepção do DN (que eu tenha descoberto), Carlos do Carmos aparece sempre isolado de um conjunto de artistas que vão igualmente receber o mesmo prémio - os tais "seis melhores cantores vivos do mundo"? Para comparação, veja-se como foi revelada a notícia no Brasil: "Ney Matogrosso estará entre os homenageados pelo Grammy Latino na edição de 2014".

O curioso é que, ao contrário do Brasil, o lobby discográfico português parece não ter conseguido influenciar a Latin Recording Academy, que contempla uma categoria de música brasileira mas cujos membros são artistas da língua espanhola ou portuguesa. Será agora?

Por fim, o reconhecimento ao segundo vencedor português de um Grammy: "Hailing from Portugal, Carlos do Carmo is one of the greatest fado singers of his time. His mother, legendary singer Lucilia do Carmo, was a great influence on his career, which has lasted more than 50 years. While fado has been the core of his music, Carlos do Carmo's distinctive style of singing is marked by the special timber of his voice along with his personal affinity for French pop balladry and Brazilian bossa nova, creating an unmistakable and definitive sound that distinguishes him as one of the most iconic voices of Portuguese music. Among his vast repertoire of songs, do Carmo is most recognized for "Lágrimas De Orvalho," "Lisboa Menina E Moça" and "Canoas Do Tejo." He has received international acclaim and has performed to sold-out crowds in landmark venues such as the Royal Albert Hall in London, the L'Olympia in Paris and Carnegie Hall in New York. He played a key role in making fado part of UNESCO's World Heritage Cultural Patrimony via his countless concerts, recordings and participation in director Carlos Saura's 2007 film Fado. He continues touring actively".

16 junho 2014

Notícias de miséria

Diz o Dinheiro Vivo: "só este ano já foram penhorados e vendidos 31 506 imóveis. Mais 12,48% do que o registado pela Autoridade Tributária durante o mesmo período do ano passado. Contas feitas, estão a cair na mão do fisco e a ser entregues para venda, em média, 189 casas todos os dias. É um recorde".

O que a notícia não diz (nem ninguém pergunta, sistematicamente):
1) quanto é que a AT arrecada com a venda diária de 189 imóveis? 
A AT não o diz porque sabe que, em muitos casos, não é a primeira na lista de devedores. Se a casa estiver hipotecada, o banco tem primazia no dinheiro da venda. Só depois virá o fisco, se sobrar alguma coisa...

2) quem são os maiores compradores destas 189 casas ao dia? 
Serão os bancos, que as compram abaixo do preço que financiaram?

Porque é que a AT não divulga a resposta a estas duas questões, quando revela estes brilharetes da pobreza?

É que estas "notícias" repetem-se, vêm sempre do mesmo sítio e são vistas como um recorde na folha Excel. Mas o que significam é que 189 pessoas ou agregados familiares ficam sem habitação, diariamente. E há sempre quem ganhe com isto - mesmo não sendo a AT.

É um recorde, mas só da miséria.

L.A.

15 junho 2014

Ora, afinal não foi a Internet que deu cabo dos jornais

Foi a perda dos classificados (mas "")...

"Contrary to most popular accounts, the growth of the Internet has not obviously caused a large decline in newspaper readership. Readership has fallen steadily since the Internet was introduced in the mid-1990s, but it had been falling at almost the same rate since 1980, and the small acceleration of this trend accounts for a drop in readership of only about 10 percent. This is consistent with more systematic evidence in Gentzkow (2007) and Liebowitz and Zentner (2012), suggesting that online-offline substitution is relatively limited, as well as survey evidence showing that the Internet currently accounts for less than 10 percent of total time spent consuming news (Edmonds 2013)".

e

"Each newspaper has physical space for exactly one advertisement. All readers of the newspaper must see the same ad. The marginal cost of printing ads is zero. Each website also has physical space for exactly one advertisement, but these ads are targeted, so the website can show different ads to different consumers. Consumer types are observable to websites".

Citações deste "Are online ads more valuable than print ads?"

e ainda os "eyeballs":

 

Sessão da tarde: Animal Farm (1954), financiado pela CIA


Animal Farm (1954): Though this version of Animal Farm was an entirely British production, the financier of the film was the US's Central Intelligence Agency.

10 junho 2014

Do estadinismo, no dia de Portugal

No segundo desmaio de Cavaco Silva em cerimónias oficiais: Repórter da TSF garante q foi usado "inibidor de sinal" para que os telemóveis ficassem inoperacionais (minuto 2:08)

Segundo a SIC, os seguranças da Presidência afastaram os repórteres de imagem, quando perceberam que Cavaco se sentiu mal, dificultando a recolha de imagens daqueles momentos de tensão.

Segundo o Público, "Os seguranças impediram qualquer aproximação e mandaram mesmo apagar as fotografias a alguns fotógrafos que estavam mais perto no local onde o Presidente foi assistido (...) Alguns minutos depois, ainda Cavaco Silva estava a receber assistência, os seguranças mandaram toda a comunicação social que estava do lado direito da tribuna principal – e por isso mais perto do Presidente – deslocar-se para o lado mais longe, depois de duas tribunas de convidados, sem qualquer acesso visual à zona. Jornalistas e fotógrafos só foram autorizados a regressar ao local quando o chefe de Estado já tinha recomeçado o discurso."

Luminous, by iNO

29 maio 2014

Banksy em Nova Iorque

To accept his Webby for Person of the Year, Banksy made this video about his Residency in New York City.

27 maio 2014

O fim da solidariedade europeia ou o término do "turismo dos benefícios" sociais?

Da decisão do Tribunal de Justiça Europeu, sobre a proposta alemã de expulsar imigrantes desempregados: The Advocate General recalls that EU law authorises EU citizens and their family members to reside in a Member State other than that of which they are nationals for a period of three months, as long as they do not become an unreasonable burden on the social assistance system of the host Member State. Where such persons wish to remain for more than three months, they must have sufficient resources in order not to become a burden on the social assistance system of the host Member State. It necessarily follows that there may be unequal treatment in respect of the granting of social assistance benefits between nationals of the host Member State and other EU citizens.According to Advocate General Wathelet, legislation which excludes from basic provision benefits people who come to Germany solely in order to benefit from the German social assistance scheme, rather than seeking to integrate themselves into the labour market, is consistent, with the EU legislature’s intention. Such exclusion serves to prevent persons who exercise their freedom of movement with no intention of integration becoming a burden on the social assistance system. It is also consistent with the latitude granted to the Member States in that regard. In other words, it helps to prevent abuse and a certain form of ‘benefit tourism’.

The Advocate General observes, in addition, that the criterion adopted by Germany (namely, where the sole reason for entering German territory is to seek employment or obtain social assistance) is capable of demonstrating the absence of a genuine link with the territory of the host Member State and a failure to integrate that State. That criterion helps to ensure the economic viability of the scheme without jeopardising its financial equilibrium. The German legislation therefore pursues a legitimate objective, as the Court of Justice requires. Moreover, the Advocate General takes the view that the criterion chosen appears to be proportionate to the objective pursued. In order to determine whether the applicant falls within the exclusion in question and must accordingly be refused the grant of the basic provision benefits, the German authorities are required to examine the applicant’s personal situation.

Melter 3-D, by Takeshi Murata

23 maio 2014

Don't Worry About The Government (Talking Heads)



I see the clouds that move across the sky
I see the wind that moves the clouds away
It moves the clouds over by the building
I pick the building that I want to live in

I smell the pine trees and the peaches in the woods
I see the pinecones that fall by the highway
That's the highway that goes to the building
I pick the building that I want to live in

It's over there, it's over there
My building has every convenience
It's gonna make life easy for me
It's gonna be easy to get things done
I will relax alone with my loved ones

Loved ones, loved ones visit the building,
Take the highway, park and come up and see me
I'll be working, working but if you come visit
I'll put down what I'm doing, my friends are important

Don't you worry 'bout me
I wouldn't worry about me
Don't you worry 'bout me
Don't you worry 'bout me

I see the states, across this big nation
I see the laws made in Washington, D.C.
I think of the ones I consider my favorites
I think of the people that are working for me

Some civil servants are just like my loved ones
They work so hard and they try to be strong
I'm a lucky guy to live in my building
They own the buildings to help them along

It's over there, it's over there
My building has every convenience
It's gonna make life easy for me
It's gonna be easy to get things done
I will relax along with my loved ones

Loved ones, loved ones visit the building
Take the highway, park and come up and see me
I'll be working, working but if you come visit
I'll put down what I'm doing, my friends are important

I wouldn't worry 'bout
I wouldn't worry about me
Don't you worry 'bout me
Don't you worry 'bout me...

18 maio 2014

Sessão da tarde: The illusion of life



The 12 basic principles of animation were developed by the 'old men' of Walt Disney Studios, amongst them Frank Thomas and Ollie Johnston, during the 1930s. Of course they weren't old men at the time, but young men who were at the forefront of exciting discoveries that were contributing to the development of a new art form. These principles came as a result of reflection about their practice and through Disney's desire to use animation to express character and personality.

12 maio 2014

Homens, robôs e automóveis

Coisas que é bom saber: fracking



Why Fracking Is the Cause of a Growing Number of Road Fatalities: Increased traffic from industrial vehicles has had a deadly impact on auto safety in areas near drilling sites.

A estimativa nos EUA de viagens de camiões num dos maiores campos de gás (The Johan Gas Fields) é a seguinte:
Na perfuração inicial e o primeiro fraturamento—1,150 viagens.
Para mobilizar a sonda e construir a estrada são necessárias 10 a 45 viagens.
Para a sonda 30 viagens; transporte de materiais 25 a 50 viagens.
Para os equipamentos, cobertura de canos entre 25 a 50 viagens.
Para mobilizar e desmobilizar a sonda, cerca de 15 viagens.
Para o fluido de conclusão entre 10 a 20 viagens
Para os equipamentos 5 viagens
Para os equipamentos de fraturamento, camiões-cisterna e tanques mais de 150 a 200 viagens
A maior, água para perfuramento. Para cada poço, são utilizados cerca de 400 a 600 camiões- cisterna.
Para a areia, entre 20 a 25 camiões
Para retirar a água toxica, são feitas cerca de 200 a 300 viagens.

A elevada fatura da Fratura Hidráulica (Fracking): Em Portugal a procissão ainda vai no adro [mas é ler este Movimento Anti-Extração Gás de Xisto - Barreiro...]

11 maio 2014

Coisas que merecem ser lidas - sobre as censuras

De The Censor in Each of Us:

The censorship was introduced at a time of economic stagnation. Once money moved, and there was free trade between Ireland and England and the possibility of Ireland entering what was called the Common Market, it seemed that the books would have to come, too. And pressure from the outside world mattered. The country became deeply concerned about its image, and that concern became greater than the need to control what its citizens read. But, for all of us who lived through that change, a change I witnessed again in Spain, in 1975, when the dictator Franco died, it meant that we understood two things.

First, that the urge to riot in a theatre to stop actors being heard, the urge to ban books, the urge to threaten to cut subsidy are almost built into our nature, they lurk always in the shadows, especially in societies where there are divisions and pressures and fears or sudden and uneasy change, but maybe they lurk everywhere.

Second, the need to resist these urges, urges that can be both shadowy and substantial, both threatening and pressing, which weaken and poison the richness and potential of our lives, requires single-mindedness, vigilance, cunning, knowledge that the enemy is within as well as without, an absolute belief in the idea of the glittering mind and the power of the shifting and uncertain image, and a belief in the challenge of the word and the often awkward presence of the new. The doctrine that these things are fundamental to us, to our way of living in the world, to our humanity, means then that we must work, using examples from the past, toward the right for others, as well as ourselves, to be let alone to imagine, to write, to read, to share, and to be heard.

Sessão da tarde: Portugal, Um Retrato Surreal

Coisas que é bom saber sobre como se "martelam" os números do desemprego

É um dos dados novos nos últimos anos de escalada na taxa de desemprego. Os chamados inativos disponíveis mas que não procuraram emprego (276,6 mil) e os inativos à procura mas não disponíveis (25,8 mil) representam hoje, conjuntamente, uma importante fatia da população.

São, na maioria dos casos, verdadeiros desempregados, mas que não são assim considerados para efeitos estatísticos uma vez que o critério do INE - que segue a metodologia europeia - impõe que estejam, simultaneamente, disponíveis e que tenham feito algo para encontrar um emprego.

Um desempregado que pretende trabalhar mas que, por alguma razão, não tenha procurado é considerado inativo disponível e não entra na estatística dos desempregados. Em muitos casos, são pessoas que simplesmente desistiram de procurar por achar que não vão conseguir depois de um longo período a tentar. Basta sublinhar que existem cerca de 500 mil desempregados há mais de um ano e há 307 mil que procuram, sem sucesso, há mais de dois anos.

No caso dos inativos que procuraram mas não estão disponíveis são pessoas que até procuraram, mas que não estavam disponíveis para começar imediatamente.

Se estas duas rubricas dos inativos, que o INE destaca nos seus quadros, forem incluídas na população ativa e nos desempregados a taxa real seria de 19,8%.

Há ainda outro grupo de trabalhadores que estão em situação de subemprego, ou seja, têm emprego a tempo parcial, mas gostariam de trabalhar mais horas. Houve uma descida no primeiro trimestre mas são, mesmo assim, 244,9 mil pessoas.

De Cinco razões para continuar preocupado com o desemprego

01 maio 2014

Coisas do DOCUMENTO DE ESTRATÉGIA ORÇAMENTAL 2014-2018

Da justiça mais célere:
Foram extintos cerca de 50% dos processos executivos pendentes nos tribunais, que corresponde a mais de 500.000 processos encerrados

Da consolidação orçamental, quando metade vai para o Banif:
Assim, de forma a cumprir o limite estabelecido de 2,5% do PIB, é necessário concretizar medidas de consolidação orçamental na ordem de 0,8% do PIB, correspondente a aproximadamente 1.400 milhões de euros. (...)

No primeiro trimestre de 2013, o défice das Administrações Públicas em contabilidade nacional registou um aumento de 700 milhões de euros, representando 0,4% do PIB anual, resultado da reclassificação em transferência de capital da operação de injeção de capital na instituição financeira BANIF.

Da consultoria que não vai diminuir mas manter-se aos níveis de 2013: 
Para o ano de 2015, pretende-se que a despesa global com estudos, pareceres, projetos e consultoria, bem como com outros trabalhos especializados seja reduzida para o mínimo registado entre os anos de 2013 e 2014. Por outras palavras, caso a despesa tenha diminuído entre 2013 e 2014, deverá manter-se no nível de 2014 no próximo ano. Caso a despesa tenha aumentado entre 2013 e 2014, o montante gasto em 2015 deverá corresponder ao montante gasto em 2013.

Da Fatura da Sorte:
Os resultados da aplicação deste incentivo complementar para pedir fatura tem superado as estimativas iniciais do Governo, quer em termos de adesão da sociedade civil, quer em termos de combate à economia paralela. De facto, no que respeita aos dois primeiros meses de 2014, verificou-se um crescimento significativo superior a 40% do número de faturas emitidas e comunicadas com NIF, face ao mesmo período de 2013. Simultaneamente, verificou-se também um crescimento de 39% do número de entidades que emitiram e comunicaram faturas à AT, face a 2013, o que corresponde a um aumento expressivo de 176 mil agentes económicos. Este crescimento vem demonstrar que esta medida de incentivo adicional está ser particularmente eficaz no combate à economia paralela, determinando um alargamento significativo da base tributável (número de entidades a emitir fatura) como nunca tinha ocorrido em Portugal.

Do aumento de despesa na defesa:
Do documento

27 abril 2014

Portugal e portugueses (e revoluções) em 1809

THE study of modern history has been, during a long course of years, greatly neglected in the generality of public schools; but it now begins to be regarded (as indeed it ought always to have been) as an object of the greatest importance. In England, particularly, it constitutes one of the principal branches of both public and private education.

The abbé de Vertot’s History of the Revolutions of Portugal has been always esteemed equally entertaining and instructive; and as such more especially calculated for the use of young people. The late events in that country has made it doubly interesting, and nothing now seems wanting to complete so excellent a performance, but to continue the narrative to the present period. (...)

The recent departure of the family of Braganza from Lisbon, and their arrival in Brazil, has called for the attention, and interested the minds of every one. We have therefore been tempted to give a slight sketch of a country which is now become an object of no small curiosity: to which we have added, for the satisfaction of those readers who may be desirous of a more minute description, a list of the principal authors who have made this beautiful, though remote part of the new world, the particular object of their attention. (...)



THE kingdom of Portugal makes part of the great extent of country called Spain; most of its provinces bear the names of the different kingdoms into which it is divided: that of Portugal lies to the West of Castille, and on the most western coast of Europe; it is only a hundred and ten leagues in length, and its greatest breadth does not exceed fifty. The soil is fertile, the air wholesome, and the heat of the climate is tempered by refreshing breezes and fruitful showers. The crown is hereditary, and the monarch absolute. The formidable tribunal of the Inquisition is regarded by this prince as the safest and most useful means of forwarding his political views, and as such, employed by him with the greatest success. The Portugueze are naturally fiery, proud, and arrogant, greatly attached to their religion, though more superstitious than truly devout; they regard almost every event as a prodigy, and not only persuade themselves, but endeavour to persuade others, that they are the peculiar favourites of Providence, which never fails to protect them in the most extraordinary manner.

Deste The History of the Revolutions of Portugal

Sessão da tarde: erros do Matrix

25 abril 2014

Da irrelevância dos partidos políticos na economia em Portugal

In short--political differences in ideology and praxis between the parties are irrelevant.

In the last forty years, periods of economic growth, stagnation, and recession have occurred in equal measure irrespective of which party held the power. An examination of these economic periods reveals that any one political party's influence is no more or less beneficial than any other. (...)


One consequence of Portugal's "tribalism politics" is that the current politics disproportionately focuses resources, including political energy, on short-term policy goals that can be implemented within the potentially shortened timeframe between election cycles. Uncertainty about term length and the desire to maintain political favor within a shorter timespan undermines the development of sustainable long-term goals (...)

There are at least three observations that illustrate the failures of Portugal's political system in developing sustainable, long-term goals. The historical regularity of political-economic crises, which in recent times are occurring with greater frequency, is one such observation. From 1974 to 2003 Portugal faced negative growth in 9-10 year intervals (1974/1975 - 1983/1984 - 1992/1993 - 2002/2003). After 2003, however, the negative growth time interval occurred at the fifth year (in 2008/2009). Secondly, since 1976, all major institutional innovations adopted by Portugal originated from without the country. The principle examples include, the initiation of negotiations with the European Economic Community (EEC) in 1977, the intervention by the IMF in 1978 and 1983, the full adoption of EEC regulations in 1985, adoption of the EURO in 2002, and another IMF intervention in 2011. Finally, the widening of the income inequality gap as illustrated by the fact that in 1976 the richest 0.1% gathered 1.3% of the country's income, but three decades later (2005) this value had already nearly doubled to 2.5%. (...)

If key development variables are indifferent to political parties' differences, it follows that the political process should be based on a non-confrontational, cooperative process grounded in elevated political ethics of the common--not the tribal--good.

Deste "Four Decades after the 'Third Wave of Democratization' and the Irrelevance of Political Parties' Differences in Portugal: 1974-2014"

40 anos depois...


- temos um presidente da República "salazarista", envolvido em negócios nunca explicados, que vive acima das possibilidades do Palácio de Buckingham e se esquece, até que preencheu ficha na PIDE onde declarava não se dar com a segunda mulher do sogro...;

- temos uma presidente da Assembleia da República que "nunca foi tida como muito sã da cabeça";

- temos uma Assembleia da República com um "cheiro muito forte e tóxico" e uns políticos sacrificados pelos cortes salariais (desde 2011...);

- temos partidos que não querem os seus deputados em exclusividade na Assembleia da República;

- temos eurodeputados de que só se ouve falar quando se candidatam e não prestam contas ao País do que se passa nas instituições europeias;

- temos autarquias com uma péssima despesa pública, algumas das quais até ameaçam fechar blogues por publicarem informação pública;

- temos um interior que é como os "guetos nazis";

- temos uma máquina fiscal que é a nova "SS nazi" ("Lutar contra a carga fiscal é como militar na Resistência"...) ou a nova PIDE (decide sem sentença judicial, mesmo que apenas exista "suspeita de crime"...), n'"um Estado que utiliza o fisco no limite das liberdades e no limite dos direitos: inverte o ónus da prova e que trata das pessoas de uma maneira inaceitável. Há uma cultura de prepotência perante o cidadão comum. Mais, há até a entrada num domínio perigoso: Se hoje houvesse uma polícia política ela nem precisaria de nova legislação, bastava consultar o fluxo de facturas do fisco, para saber o que eu faço o dia inteiro: o que eu como, o que eu consumo. Cruzando com os dados do multibanco, tudo estaria disponível";

- temos um ecossistema político-empresarial e uns burgueses;

- e temos pessoas que denominaram uma revolução porque deram cravos por não terem cigarros.

Nem todos somos lixo, claro que não:

Fogo de artifício by drone


via Drone flies through fireworks, gets explosive footage

14 abril 2014

13 abril 2014

Coisas que é bom saber, do trabalho


via Overwork And Its Costs: The U.S. in International Perspective

Tantas saudades do Decreto-lei 217/74 (é o do salário mínimo...)

Decreto-Lei n.º 217/74 de 27 de Maio:
4. Não podendo ocorrer imediatamente a todas as necessidades justas, o Governo adoptou um esquema de intervenções coordenadas, mas escalonadas no tempo.
Assim, decreta-se imediatamente um conjunto de benefícios sociais especialmente dirigido a melhorar a situação das classes que se encontram em pior situação. O País compreenderá que não podia hesitar-se quanto a este ponto - mesmo que isso signifique sacrifícios temporários para outros grupos sociais.
A decisão de garantir remuneração mensal não inferior a 3 300$00 aos trabalhadores por conta de outrem beneficiará cerca de 50% da população activa; no sector público, serão mais de 68% dos funcionários abrangidos por esta medida; e as excepções que se apontam na lei terão carácter temporário, prevendo-se para breve a tomada de decisões nesse campo.
 

5. Ao mesmo tempo que se define um valor abaixo do qual não poderão situar-se as remunerações, procurou atender-se às diferenças existentes quanto a encargos familiares.
Assim, o abono de família por cada filho a cargo é aumentado para 240$00. E também se olhou à situação dos reformados e beneficiários de pensões de invalidez, adoptando-se um critério proposto pela Organização Internacional do Trabalho, segundo o qual o nível mínimo dessas pensões deve atingir 50% do nível das menores remunerações; isto é, passa-se de cerca de 800$00 para 1 650$00 para os sectores de indústria e serviços.
É ainda instituída uma pensão social abrangendo as pessoas que não estando incluídas nos regimes de previdência se encontram neste momento inscritas nas instituições de assistência. Pretende-se, deste modo, dar os primeiros passos no sentido da substituição progressiva dos sistemas de previdência e assistência por um sistema integrado de segurança social.
 

6. A elevação dos vencimentos dos funcionários públicos administrativos e equiparados das categorias de menor remuneração até ao nível de 3 300$00 não pode interpretar-se como a revisão de ordenados que há muito se impunha e que o Governo preparará no prazo de um mês. Compreender-se-á que em matéria tão difícil, que obriga a pesar cuidadosamente os encargos financeiros e a buscar-lhes a cobertura adequada, bem como a ponderar em que termos deverão fixar-se diferenciações de vencimentos por categorias hierárquicas, seja necessário aguardar um pouco mais.
 

7. No sector privado considerou-se inviável de momento o acréscimo de vencimentos já superiores a 7 500$00, quantia que ultrapassa apreciavelmente a média dos salários auferidos pelos trabalhadores.
Entre os valores de 3 300$00 e 7 500$00 mantém-se a possibilidade de continuar o diálogo e a negociação para se encontrarem soluções justas e equilibradas, mas o Governo reserva-se o poder de intervir quando entenda que se corre o risco de comprometer o equilíbrio económico ou a justiça social.


Como era em 1974? "Portugal era, antes do 25 de Abril, um país onde os trabalhadores em particular viviam muito mal. Durante alguns largos anos aquela proporção inverteu-se. Mas hoje estamos de novo numa situação em que 60 e tal por cento do rendimento vai para o capital e uns 40 por cento para os trabalhadores". Daí, “A criação do salário mínimo em 1974 foi um impulso para a economia”:
De onde viria a riqueza?
A riqueza vem sempre do trabalho. Não há riqueza nenhuma que não resulte do trabalho directo e remunerado, embora parcamente mas remunerado, ou da iniciativa empresarial, que é ainda trabalho, ou do trabalho que foi confiscado aos trabalhadores noutra época e noutro sítio. E, finalmente, toda a produção se faz com trabalho. Se usamos máquinas que facilitam muito a produção e ajudam a melhorar muito a produtividade elas também têm trabalho por detrás.

Em relação ainda ao decreto-lei nº 217, ele não se limitava a instituir o salário mínimo nacional. 
Não. Provisoriamente – e essa provisoriedade manteve-se durante muitos anos - foram congeladas as rendas de casas. Na situação que se vivia era importante. E foram congelados os salários acima de um determinado nível.

Pontos de vistas contrários? "Saudades do Decreto-lei n.º 217/74" e neste: "Do "custo máximo de um salário mínimo" ao "aumento do salário mínimo dá “sinal de confiança”" . Ou "o salário mínimo em 1984 era, em valor real, de 346 euros e, em 1975, com Vasco Gonçalves, de 577 euros."

Ah, e se é verdade "Portugal ter conhecido logo a seguir, em 1975, a maior recessão (-5,1%) dos últimos 50 anos (pelo menos)", convém recordar que "Em 2012 Portugal teve a maior recessão desde 1975"...


(imagem daqui)

12 abril 2014

Sim, o inimaginável está aí.

As escolas portuguesas são, cada dia que passa, monumentais espaços de domesticação. Domesticação dos alunos, dos professores e dos seus outros corpos profissionais, por via de uma rarefação cada vez mais perigosa da liberdade pedagógica, da autonomia organizacional e da privacidade pessoal, através, por exemplo, de sistemas de videovigilância que as escolas não controlam, nem sabem quem controla, de sistemas de monitorização eletrónica e, até, policial, de mecanismos coercitivos de medição, ao minuto, do tempo de trabalho dos professores. Os alunos, em particular, são cada vez mais excluídos de qualquer participação cívica no contexto das suas escolas, remetidos à posição de objetos de configuração externa. Não é de estranhar, então, que a indisciplina esteja a aumentar exponencialmente e os mais jovens a rejeitar qualquer ideia de ética ou compromisso cívico com a sua escola ou com o seu país. A sujeição é sempre o principal gatilho da violência e da alienação.

Consequentemente, a escola pública portuguesa é também uma máquina monumental de exclusão. Dos mais pobres, primeiro, incapazes de fazer valer os seus interesses particulares, nomeadamente de acesso às novas tecnologias e às novas redes comunicacionais, agora excluídas do serviço público; em segundo lugar de todos aqueles que procuravam, e achavam que poderiam esperar, na escola um espaço de liberdade, vinculação e aprendizagem do mundo nas suas complexidades e, em terceiro lugar e surpreendentemente, a escola está a transformar-se em espaço de exclusão dos próprios professores, cada dia que passa remetidos a e transformados em meros tecnólogos, em operários desqualificados de um mando central em que cada aluno é uma coisa e cada professor uma ferramenta. Sim, o inimaginável está aí.

De "A Internet e a liberdade nas escolas portuguesas": A escola pública portuguesa é também uma máquina monumental de exclusão.

10 abril 2014

Coisas da gripe

Em 2009, em Portugal: Especialistas alertam para perigo de Tamiflu: Director-geral de Saúde, Francisco George, garantiu que o medicamento tem demonstrado eficácia e que, actualmente, apenas dez doentes em todo o mundo apresentaram resistência a este fármaco, escolhido por Portugal para a reserva estratégica de medicamentos contra uma pandemia de gripe.

Hoje:Tamiflu & Relenza: how effective are they? Tamiflu (the antiviral drug oseltamivir) shortens symptoms of influenza by half a day, but there is no good evidence to support claims that it reduces admissions to hospital or complications of influenza.

A lerScientists say UK wasted £560m on flu drugs that are not proven - Britain stockpiled drugs for predicted bird flu in 2005 and swine flu in 2009 that independent scientists say are no cure

Londres gastó millones en el antigripal Tamiflu sin pruebas de su eficacia: España también acumuló millones de antivirales. Su utilidad, dudosa según un estudio apoyado por el 'British Medical Journal'

Carro transparente

via Land Rover Has Invented A 'Transparent' Car

09 abril 2014

Pub da boa: LG

Da liberdade de opinião, expressão e pensamento na actual Renascença

Já o disse, adulterando a frase original: É verdade, eu concordo ligeiramente com a Raquel Abecasis: É verdade: concordo, por muito que isso revolte os “nouvelle” lápis azul [da Rádio Renascença], que, aliás, pouco mais devem fazer do que andar a perscrutar quem ousa pensar diferente deles para imediatamente lhes aplicar o castigo correspondente: crucificá-los na ["rádio"] e reduzir a cinzas o trabalho desses rebeldes anti-pensamento único.

Já o disse mas reforço, com citações de um texto que caiu a propósito nestes pensamentos, "The Culture of Shut Up - Too many debates about important issues degenerate into manufactured and misplaced outrage—and it's chilling free speech": 

- those gatekeepers suck. They’re arrogant and easily swayed by big, nice-sounding dangerous ideas; they’re ambitious and careerist and forgetful and unimaginative and shortsighted; they’re subject to groupthink, beholden to corporate interests, and enamored of fame and power.

- We need to learn to live with the noise and tolerate the noise even when the noise is stupid, even when the noise is offensive, even when the noise is at times dangerous. Because no matter how noble the intent, it’s a demand for conformity that encourages people on all sides of a debate to police each other instead of argue and convince each other. And, ultimately, the cycle of attack and apology, of disagreement and boycott, will leave us with fewer and fewer people talking more and more about less and less.

- The right to free speech may begin and end with the First Amendment, but there is a vast middle where our freedom of speech is protected by us—by our capacity to listen and accept that people disagree, often strongly, that there are fools, some of them columnists and elected officials and, yes, even reality-show patriarchs, that there are people who believe stupid, irrational, hateful things about other people and it’s okay to let those words in our ears sometimes without rolling out the guillotines.

- The bottom line is, you don’t beat an idea by beating a person. You beat an idea by beating an idea. 

 Mas, obviamente: