19 janeiro 2015

24 conselhos de Werner Herzog


1. Always take the initiative.
2. There is nothing wrong with spending a night in jail if it means getting the shot you need.
3. Send out all your dogs and one might return with prey.
4. Never wallow in your troubles; despair must be kept private and brief.
5. Learn to live with your mistakes.
6. Expand your knowledge and understanding of music and literature, old and modern.
7. That roll of unexposed celluloid you have in your hand might be the last in existence, so do something impressive with it.
8. There is never an excuse not to finish a film.
9. Carry bolt cutters everywhere.
10. Thwart institutional cowardice.
11. Ask for forgiveness, not permission.
12. Take your fate into your own hands.
13. Learn to read the inner essence of a landscape.
14. Ignite the fire within and explore unknown territory.
15. Walk straight ahead, never detour.
16. Manoeuvre and mislead, but always deliver.
17. Don't be fearful of rejection.
18. Develop your own voice.
19. Day one is the point of no return.
20. A badge of honor is to fail a film theory class.
21. Chance is the lifeblood of cinema.
22. Guerrilla tactics are best.
23. Take revenge if need be.
24. Get used to the bear behind you.

Desvalorização salarial

Salários do privado perderam 11% em 4 anos. No Estado foi o dobro: As contas são simples: entre 2011 e 2014, o rendimento líquido médio nominal dos trabalhadores do sector privado diminuiu 5,7%, mas se considerarmos o efeito da inflação, o ganho médio real de 2014 - o poder de compra - é inferior ao de 2011 em 11,6%.

Para os trabalhadores da Função Pública, a redução foi ainda maior. A perda de poder de compra foi o dobro. "Entre 2010 e 2014, como consequência do efeito conjugado do corte das remunerações nominais, do aumento enorme de impostos e dos descontos para a ADSE, o poder de compra reduziu-se em 22,1%", revela um estudo realizado pelo economista Eugénio Rosa. E este ano "o poder de compra destes trabalhadores continuará inferior em 21,4% ao que tinham em 2010".


Memória? André Freire em 2012: A desvalorização salarial e o excecionalismo português: Perante uma tão profunda desvalorização do trabalho, com consequências tão graves nas vidas dos portugueses e na qualidade dos serviços, como explicar a apatia geral? Não é fácil, mas eu avanço três hipóteses. Primeiro, deixaram de funcionar os contrapesos no sistema político. Excetuando algumas declarações inconsequentes, sobre "iniquidades nos cortes de subsídios" e sobre a necessidade de apoio ao crescimento, Cavaco tem dado cobertura a tudo sem sequer pedir a devida fiscalização constitucional, mesmo quando ela era evidentemente necessária (cortes de subsídios, novas leis laborais, etc.). E o PS abdicou de ser oposição, preferindo trair os seus eleitores (a quem tinha prometido que não acompanharia derivas radicais além troika) para poder aceitar, com as suas "abstenções violentas", tudo o que vem do governo. Segundo, a atitude da generalidade dos jornalistas e comentadores que, com a sua débil cultura política, se especializaram em alimentar o cinismo político: apesar de muitas das mais graves medidas de desvalorização salarial não estarem no memorandum e contrariarem promessas eleitorais, tudo é aceite com a ideia cínica de que os políticos em campanha dizem uma coisa e depois fazem outra. Mas há países que levam a democracia a sério: veja-se o abaixamento da idade da reforma, etc., que está a ocorrer em França, conforme as promessas eleitorais e a contrário das previsões de jornalistas e comentadores portugueses... Por último, temos a falta de entendimentos entre as esquerdas portuguesas, incapazes de gerarem uma alternativa credível e minimamente consistente ao statu quo. Perante tal falta de sentido de alternativas, resulta quase compreensível a alienação dos portugueses: incapazes de se erguerem para defender os direitos fundamentais, preferem concentrar as energias na alienação futebolística, num estado de quase "morte cerebral" (Pacheco Pereira).

18 janeiro 2015

Jornalistas em Portugal

Jornalistas em Portugal: há lugar para os novos? Os jornalistas portugueses são menos, estão mais velhos, têm mais formação académica e cada vez há maior percentagem de mulheres.


O que falta neste estudo? Comparação demográfica, nomeadamente etária e com outras profissões.

Olha, um novo ano nos media...

2015 Digital Media: A Call For a Big Business Model Cleanup: It’s time to wake-up and make 2015 the year of radical — and concerted — solutions.

A liberdade de expressão é tão bonita...


Charlie Hedbo é “um pasquim nojento”, diz D. Duarte: “Nesse aspecto estou inteiramente de acordo com o Papa Francisco I”, esclareceu, acrescentando que no seu entender “não é admissível insultar a crença, a fé e a religião dos outros”.

D. Duarte acrescentou, porém, que é preciso “defender a vida de pessoas que têm actividades que consideramos desprezíveis”, referindo-se aos jornalistas franceses assassinados em Paris.

On free speech, Pope Francis is beginning to reveal the limits to his liberalism: the Pope said: “It’s normal. You cannot provoke. You cannot insult the faith of others. You cannot make fun of the faith of others.” And then, he repeated the gesture.

Whoa! The Pope advocating not turning the other cheek? This really is new territory for the man who has been an admirable champion of the poor and scourge of corruption in his own Church during his brief time as boss.

David Cameron discorda do papa Francisco sobre direito de ironizar com religião: uma sociedade livre tem o direito de ironizar com a religião, discordando da opinião do papa Francisco, que considerou existirem limites para a liberdade de expressão.

"Acho que numa sociedade livre existe o direito de ser ofensivo com a religião dos outros", disse David Cameron, numa entrevista ao canal de televisão norte-americano CBS.

"Eu sou cristão. Se alguém diz algo ofensivo sobre Jesus, poderia considerá-lo ofensivo, mas numa sociedade livre não tenho o direito de libertar a minha vingança sobre" essa pessoa, adiantou.

Gérard Biard: Charlie Hebdo «défend la liberté de religion»: «Chaque fois que nous faisons un dessin de Mahomet, chaque fois que nous faisons un dessin de prophètes, chaque fois que nous faisons un dessin de Dieu, nous défendons la liberté de religion», assure-t-il...

A beginner’s guide to Voltaire, the philosopher of free speech and tolerance: The French are turning to Voltaire for guidance in the aftermath of the Charlie Hebdo attack. Here are his key quotes, misquotes, major works – and run-ins with the authorities

Why political solidarity at the Paris Hebdo rally has become the most dangerous threat ever to privacy: Heads of state rarely converge in the cause of basic liberties (E a CNN? "34-Year Veteran Jim Clancy Leaves CNN After Controversial Charlie Hebdo Tweets")

Laughing in the face of danger: the state of satire in the Muslim world: Cartoons depicting Muhammad are unthinkable in Muslim countries. But there are plenty of homegrown satirists poking fun at reactionaries, autocrats and jihadis.

Ridiculing of leaders through satire has a long history: "I see nothing heroic about a bunch of elite white writers and artists picking on the identities and beliefs of minorities," Beirut-based culture writer Yazan Al-Saadi wrote in OpenDemocracy. "Satire is supposed to be an act that punches up to power, and not down to the weak."

Charlie Hebdo and the Other Within: A few days after the horror, brutalism and destruction there is a slowly growing some space for some degree of rationalization of what happened last week. I have two main observations to make here: first and inevitably, freedom of speech needs to be discussed and contextualized, second coinciding processes of globalization and glocalization are occurring.

Há anos que os espanhóis questionam como serem donos de ilhas no Alqueva....

Chegou o momento: Há 426 ilhas em Alqueva e a EDIA quer lançar algumas no turismo: Em 40 "não podemos mexer, por questões ambientais, mas nas restantes queremos que os portugueses possam desfrutar do potencial turístico ali existente", explica José Pedro Salema, presidente da EDIA.

Sempre a aquecer...

2014 Was the Hottest Year on Record: Thirteen of the 14 hottest years are in the 21st century.

5 Charts That Explain 2014's Record-Smashing Heat; 2014 was the hottest year since record-keeping began way back in the nineteenth century, according to reports released Friday by NASA and the National Oceanic and Atmospheric Administration. According to NASA, the Earth has now warmed roughly 1.4 degrees Fahrenheit since 1880, and most of that increase is the result of greenhouse gases released by humans. Nine of the 10 warmest years on record have occurred since 2000.


Scientists react to warmest year: 2014 underscores ‘undeniable fact’ of human-caused climate change: “This is the first year since 1997 that the record warmest year was not an El Niño year at the beginning of the year, because the last three have been”

Coisas do sono

Boa entrevista a Teresa Paiva: Passamos um terço da vida a dormir e durante esse tempo exercem-se funções essenciais à nossa sobrevivência. O sono resulta de anos e anos de aperfeiçoamento biológico, não é trivial.

E está cada vez mais ameaçado?
Sem dúvida. Tenho cada vez mais doentes. Cada vez mais as pessoas pelas dificuldades da vida e pelos traumas que experienciam não dormem bem.

Não existe também um problema cultural? É normal haver comentadores em estúdio nas televisões noite dentro?
Também me faz muita confusão. Ainda estou à espera que um dia se comparem os nossos horários televisivos com outros países europeus. Na Alemanha ou em Inglaterra, a partir de certa hora passam repetições, não há programas em directo. Parece-me que será uma característica muito nossa. E lesiva, porque depois acordamos à mesma hora que os nossos congéneres dos países nórdicos. 70% dos portugueses deitam-se depois da meia-noite. Estou interessada em encontrar uma explicação.

Tem alguma suspeita?
Pode haver uma explicação biológica mas penso que perdemos um bocadinho a noção de que temos limites. Os portugueses acham que têm os poderes de Deus Nosso Senhor, que podemos fazer tudo o que nos dá na real gana.

Só os portugueses?
Sei que fazemos coisas que não se vêem tanto lá fora. Muitas pessoas chegam a casa às dez da noite do trabalho, temos os ginásios sempre abertos, treinos depois das nove, mesmo dos miúdos. Parece-me que há uma falta de bom senso. Eu, mesmo sendo noctívaga, sei que tenho de ter cuidado e não posso ficar acordada até às 3 ou 4 da manha, se não no dia seguinte não trabalho de manhã ou não estou em condições. Esta noção de que temos de ter bom senso e há limites é essencial e acho que a esquecemos. Digo portugueses pois parece-me que isso se tem verificado noutras áreas: falou-se disso com os créditos, com os empréstimos, parece que algo nos faz perder o autocontrolo. Não sei se o nosso clima, termos sido descobridores...

Está a dizer que estamos a viver acima das nossas possibilidades biológicas?
É isso. Há coisas que nos deviam fazer pensar. Olho para um indivíduo como o Ronaldo, que admiro imenso, e faz-me pensar. Sabe que tem limites e que respeitá-los é importante para ter sucesso. Dorme a sesta, não anda no forrobodó.

Can’t sleep? How to beat insomnia




11 janeiro 2015

Fisco vai saber se toma banho, se liga aquecedores ou se cozinha muito

Pelas facturas das compras que se entregam para ganhar um carrito, o fisco já sabe se tem um cão ou um gato em casa, se foi almoçar ou jantar fora, quantos brinquedos comprou no Natal...

Agora, "Fisco vai cruzar consumos da água, luz e gás com os recibos das rendas". Ou seja, se tiver casa arrendada, vai saber se toma banho, se liga aquecedores ou se cozinha muito...

Nem a PIDE o fez, mas este secretário de Estado, este núncio blindado do fisco, acha que tudo é permitido.

E as empresas destes serviços, cujo contrato anuncia que os dados pessoais não serão dados a terceiros, irão ceder perante esta ofensiva por portaria, obviamente.

E ninguém contraria isto, não é CNPD? Deco? Provedor da Justiça? Está alguém aí? Alô?

Charlie, coisas que gostava de saber (em actualização)

Sobre os ataques em Paris:

1) no ataque ao Charlie Hebdo, como e porquê avançaram as autoridades com um terceiro suspeito, cujo nome foi revelado, para se saber depois que ele estava em aulas num liceu a muitos quilómetros de Paris?

2) no ataque ao supermercado, como e porquê avançaram as autoridades com o nome de um segundo suspeito, cujo nome e imagens foram reveladas, para se saber depois que ela estava provavelmente na Síria?

3) alguém sabe porque não há sangue nos primeiros disparos contra o polícia, morto durante a fuga, ou porque há uma pequena nuvem de pó desviada da trajectória da arma?

4) após o cerco aos terroristas, porque deixaram as autoridades que eles recebessem e fizessem telefonemas para os media?

5) na saída do supermercado, após o lançamento de uma granada para o interior, surge um homem que é morto pela polícia e parece ser o terrorista. Era necessário?

6) se o terrorista entrou no supermercado às 13h15, se os reféns foram colocados dentro de uma arca congeladora acabada de desligar, poderiam eles sobreviver algumas horas? E porque sai Lassana? E como podia o atacante ameaçar que tinha 15 reféns se eles estavam escondidos e fechados desde início na câmara frigorífica? Resposta: um refém conta o que viu.

7) como sucedeu com os nomes das vítimas (e imagens), porque não se sabe ainda o nome dos reféns do supermercado?

Actualizações:
The First Question to Ask After Any Terror Attack: Was It a False Flag?
Qui a commandité l’attentat contre Charlie Hebdo?
4 Big Unanswered Questions About the Charlie Hebdo Attacks in Paris
Paris Attackers Funded by Pentagon Dinner Guest
Paris attack designed to shore up France’s vassal status: Roberts


Respostas (a coisas como esta):
Charlie Hebdo: les (mauvaises) théories du complot

10 janeiro 2015

Charlie quê?

‘Je suis Charlie’? No, You’re Not, or Else You Might Be Dead: Do you really wanna be Charlie Hebdo? Then get on out there, live and speak bravely. And God help you.

Obviamente. E não foi apenas em Portugal...: “Veja”, Mainardi, Moura Brasil, Sheherazade “ne sont pas du tout Charlie”: Ao tentar colar sua imagem à da revista francesa atacada por terroristas, a revista e seus colunistas tentam se vitimizar às custas da tragédia alheia.

Por isso, e perante "L'impressionnante liste des politiques présents à la marche républicaine à Paris", lembrar:

 

 Perante a colagem da revista à crítica ao Islão, recordar:



E a melhor, sem dúvida, que vale para todos os credos: