10 outubro 2012

Imagens da imprensa em Portugal, desde 2005

Esta é a imagem de alguma da imprensa de referência em Portugal, desde 2005, usando os dados da APCT, do Netscope e da Anacom (para acessos em banda larga fixa, porque a móvel foi distorcida com os Magalhães). Lá em baixo está o papel, os saltos ascendentes são os acessos online:
A leitura é simples: papel sempre a descer, com duas excepções:
Entretanto, a banda larga esteve sempre a subir, tal como os acessos a estes media online desde 2007 (os números são dos acessos/visitas e não das "page views", porque vários sites informativos dividem uma notícia em várias páginas ou fazem refrescamento das páginas enquanto os utilizadores lhes estão a aceder, com o mesmo objectivo batoteiro de aumentarem o número de acessos):
O resultado ao longo destes anos? Três exemplos (mas os outros são idênticos, com as devidas diferenças de números):
Diário de Notícias:
Público:
Expresso:
Há duas excepções, curiosamente do mesmo grupo (Cofina). O Correio da Manhã continuou a subir em vendas (mesmo após o fecho do 24 Horas no terceiro bimestre de 2010) mas também no online:
O mesmo aumento de vendas ocorreu com a Sábado mas, neste caso, o online parece não ser o foco (isto quando a edição em papel parece também estar numa fase inicial descendente):

Vistos os números, o que dizer?

1) O clipping foi legalizado em 2008 (embora já viesse de trás), com a publicação da lei dos direitos de autor e conexos. Não é possível estabelecer uma ligação entre o aumento nos acessos aos media online e o impacto do clipping nesses acessos ou venda de exemplares de jornais. No entanto, tendo acesso online a notícias "clipadas" - de um operador de telecomunicações sobre o sector, a notícias da justiça no site de um sindicato de juízes e noutro policial, à recolha de textos sobre o ensino superior em sites de um instituto em Lisboa ou de uma universidade no Norte, a textos de economia num site de responsabilidade social ou num reputado instituto na Bélgica, aos títulos e algum detalhe de todas as notícias do Expresso em papel (o que me leva a decidir se o compro ou não no sábado), a notícias do sector da saúde num site sindical, etc. - alguém me consegue explicar porque vou comprar um jornal impresso?

2) O online impôs-se mas os olhares ainda estão fixos no papel. Tudo bem, é uma opção. Mas, pelo menos, olhem para a distribuição.É impensável um negócio com um tão grande número de sobras. Se um fabricante automóvel produzisse 100 mil veículos todos os dias para deitar fora 30 mil, alguém acreditava num seu futuro viável?

3) Boa sorte. Continuem a investir em apps móveis e a esquecer os conteúdos. Paguem pelas adaptações para os tablets, sem ganharem das operadoras. É como na guerra: só ganham os vendedores de armamento... Despeçam os jornalistas e contratem para os departamentos comercial e de marketing, mas não esperem ter melhores jornais ou mais leitores ou anunciantes.

Ou estou enganado?

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