22 fevereiro 2013

612 dias de Governo para isto: amor ao tijolo

 (imagem de Yuri Zambroni)
Governo aposta nas estradas para relançar a economia: Governo está a preparar um plano de investimentos de proximidade em estradas e na ferrovia que tem como base o crescimento económico.

Mas ainda bem que o ministro Santos Pereira já disse: "Não faremos obras públicas chutando os custos para os nossos filhos". Claro que se pesquisarmos no Base pelos contratos públicos, se os delimitarmos entre 21 de Junho de 2011 e hoje, e os hierarquizarmos pelo preço contratual, vemos quem continuou a ter o grosso desses contratos: os mesmos de sempre, a quem Santos Pereira aparentemente desistiu de enfrentar com a sua lógica de que as empresas portuguesas estão viciadas em crédito...

Sendo assim, parabéns! O ministro percebeu finalmente que as obras públicas "de proximidade" são o que vai permitir ao Governo diminuir o desemprego. Finalmente, vêm aí a catadupa das ferrovias - quantas pontes e TGVs? - e das auto-estradas para o interior desertificado.

Triste é que, e apenas ao fim deste tempo todo, só agora tenha descoberto que uma das poucas formas de diminuir o desemprego (nomeadamente das pessoas com poucas qualificações) é com essas obras públicas. Isso já todos os governos antes deste sabiam e praticavam... Não é receita, é feitio.

Tal como permitem alguma traficância para o financiamento dos partidos políticos, mas isso são só rumores.

Mas não sou eu que o digo, estava nesta "Tríade" de Outubro de 2010: "Passando a um nível mais concreto: se um governo tem uma política que privilegia as obras públicas e os sectores não transaccionáveis da economia, é natural que os bancos se dediquem a financiar preferencialmente a construção dessas obras ou os projectos ligados a esses sectores, uma vez que o risco é menor – no primeiro caso, directa ou indirectamente empresta-se ao Estado e este, como constatamos hoje, tem formas coercivas de arranjar dinheiro; no segundo, as garantias de sustentabilidade dos projectos são maiores. O governo português teve uma política deste tipo e os bancos portugueses agiram precisamente desta forma. O problema é que em Portugal se formou uma tríade entre quem decide (o governo), quem financia (os bancos) e quem constrói e gere (as empresas de construção civil e de gestão de infraestruturas) que não permite assacar responsabilidades apenas ao governo. As construtoras e as empresas gestoras (concessionárias de autoestradas, de pontes, de hospitais, etc.) querem as obras públicas porque vivem delas; os partidos querem financiamento e postos bem remunerados para os seus acólitos; os bancos adoram projectos de farto lucro e módico risco; as construtoras devem milhões de euros aos bancos que, para garantirem o retorno do dinheiro, precisam de assegurar a sua viabilidade; os governos estão cheios de pessoal vindo dos bancos; as empresas construtoras têm participações accionistas nas empresas gestoras e nos bancos, que por sua vez têm participações accionistas naquelas. Em resultado desta rede de interesses cruzados, há muito que os projectos de investimento são decididos mais em função dos interesses de curto prazo das partes (normalmente coincidentes) do que do interesse nacional, por muitas palavras bonitas que José Sócrates, António Mota ou Ricardo Salgado profiram em entrevistas e colóquios."

Assim, perante a louvável iniciativa ministerial, apetece citar a "outra senhora"!

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