06 agosto 2008

Violência dos blogs

(1): A violência que se generalizou na esfera bloguista obedece a três regras fundamentais:
1 - elege o insulto e a difamação como leis "informativas";
2 - cultiva o anonimato;
3 - repele qualquer possível réstea de solidariedade humana.
É provável que, daqui a alguns anos, a indignação dos cidadãos honestos ou alguns comunicados de outras entidades "reguladoras" comecem, pelo menos, a defender a simples inteligência de pensar. Para já, a indiferença da maioria está a contribuir, lenta mas irreversivelmente, para entregar o poder da Internet (e, em particular, dos blogs) ao terrorismo virtual.

(2): Acontece que é possível discordar radicalmente de uma intervenção crítica sem a demonizar e, acima de tudo, sem pôr em causa a existência — necessariamente plural e contraditória — de terrenos de e para enunciação de ideias. O que está a acontecer é que esses terrenos estão a ser diariamente devastados pela peste virtual.

[act.: 3. Seja como for, a fulanização das questões faz-nos fugir ao essencial. As difamações pessoais são apenas um detalhe. O que é grave é que este "caldeirão-de-ideias-de-coisa-nenhuma" tende a fazer lei e a impor-se (ou, pelo menos, a tentar impor-se) como uma teia de verdades irrefutáveis. Não é fácil combater tal conjuntura porque, além do mais, a sua violência provém sempre de discursos que encenam o mundo como um painel de objectos que se "defendem" ou "atacam" (contra aqueles que, supostamente ou não, os "atacam" ou "defendem"...). A democracia de pensamento dos blogs confunde-se, por isso, muitas vezes, com a apoteose de uma ditadura virtual.]

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