31 janeiro 2014

29 janeiro 2014

28 janeiro 2014

Alice no País das Maravilhas



Read The Original Alice In Wonderland Manuscript, Handwritten & Illustrated By Lewis Carroll (1864) [ou ilustrado por Salvador Dalí]

26 janeiro 2014

Domingo desportivo: ping-pong

Sessão da tarde: The Big Lebowski

O silêncio da praxe ou a antecâmara da sociedade da obediência


- Onde estavam, os que hoje se preocupam com as praxes, quando esta "Aluna sentiu-se mal durante a praxe e morreu meses depois": Cristina Ratinho, de 26 anos, nunca recuperou da paragem cardio-respiratória que teve numa praxe académica, em Setembro do ano passado [2012]. Ex-aluna do curso de Gestão [no Instituto Politécnico de Beja], deixa uma filha de quatro anos.

- O que fazem as universidades [e os professores] quando sabem que "as praxes trouxeram de novo a violência para as universidades. Entretanto, surgem também movimentos anti-praxes. Os membros destes movimentos afirmam que as denúncias não chegam nem a metade do que realmente é na verdade. Atualmente, pelo menos em Coimbra, o caloiro já pode optar por ser praxado ou não, no entanto tem consequências se a sua decisão for negativa, não pode usar traje académico nunca mais."

- Que respeito profissional merece alguém que andou nas praxes, por exemplo, na Universidade do Porto e que - além de apoiar um código em que existem caloiros e caloiros estrangeiros, o que só por si é uma discriminação xenófoba para quem apela à integração no espírito universitário - evoluiu da categoria de doutor de merda para merda de doutor, antes de ser veterano por estar há mais tempo do que devia para terminar o curso?

- Porque ninguém questiona o actual ministro do Ensino Superior sobre as praxes [já questionaram, fica para quinta-feira próxima], ao contrário do que sucedeu antes e levou, em 2009, o então ministro da Ciência e Ensino Superior a avisar "que os abusos nas praxes académicas serão denunciados ao Ministério Público" e pretendia "responsabilizar quer os seus autores quer as direcções de instituições que permitam que aconteçam".
Assim, "Numa mensagem enviada aos responsáveis máximos das Universidades públicas e privadas e Politécnicos, o ministro frisa que "a tolerância de muitos tem-se tornado cúmplice de situações sempre inaceitáveis" com danos físicos e psicológicos.
Mariano Gago repudia as "práticas de humilhação e de agressão física e psicológica" com carácter "fascista e boçal" inflingidas aos caloiros no ensino superior, "identificadas ou desculpadas como 'praxes' académicas".
Pela "extraordinária gravidade" de algumas destas práticas, impõe-se "uma atitude de responsabilidade colectiva" que "não permite qualquer tolerância" com "insuportáveis violações do Estado de Direito" no meio académico."

- Depois da exibição de "Praxis", na RTP1, os Bombeiros de Beja que cederam espuma anti-fogo para a praxe vão ser inquiridos sobre o assunto?

- Depois da exibição pela TVI de relatórios dos praxantes com "fichas individuais, com perfis traçados de personalidade" e de pontos fortes e fracos dos praxados - o que configura dados pessoais e quando se pode "Exigir que os seus dados sejam recolhidos de forma lícita e leal" - a Comissão Nacional de Protecção de Dados já abriu algum inquérito?

- Confiava o seu animal de estimação a este ex-Dux da Lusófona: "O meu curso e faculdade dentro da instituição da ulht é completamente independente do resto da instituição, assim como a nossa comissão de praxe, o nosso código e conduta de praxe!"
Perante tanta independência, porque não estudam em casa e se candidatam aos exames?

- Como diz Henrique Tigo, membro da COPA da Universidade Lusófona, "Não se pode confundir Praxe Académica com as «pseudo-praxes», executadas apenas por indivíduos ignorantes na matéria. A Praxe não pode nunca ser sinónimo de humilhação ou de actos de violência barata levados a cabo por uns quantos frustrados que não sabem o que são as tradições académicas e só usam um traje para se pavonearem na esperança de serem notados. São indivíduos destes os responsáveis pelo actual estado moribundo da verdadeira Praxe Académica que tem vindo a dar lugar a ditaduras absurdas, um pouco por todo o lado, que partem de ignorantes que desejam que a Praxe seja aquilo que lhes apetecer".

Na realidade, tudo isto serve a uma sociedade da obediência. "Como na tropa, as praxes preparam para o campo de batalha. E para a obediência cega aos mais graduados. Mesmo que as ordens venham de alguém que só tem a sua burrice, a capacidade de chumbar resmas de anos como galões. Passando no teste, as vítimas poderão um dia, oh suprema felicidade!, vir a oprimir os seus próprios recrutas".

"De facto, a praxe mata, às vezes o corpo, mas sempre a cabeça".

25 janeiro 2014

Isto não é uma teoria de conspiração

Quem disse isto, sobre I&D em Portugal, em 2011?

Entre meados da década de 80 e da década de 90, há uma altura em que o esforço para o desenvolvimento da ciência começa a ser interessante, mas as ciências sociais e as humanidades são completamente desprezadas. O que se pensa na altura é que o que é preciso fazer é criar riqueza, com ciências exactas, com engenharias e outras disciplinas afins. E a gestão, evidentemente, muito na moda. Depois, começa a haver clamor e discussão, aqui e acolá. A partir de certa altura, fez-se uma rectificação. As políticas científicas do Estado e das autoridades começam a olhar para as ciências sociais e para as humanidades (até para as artes) com outros olhos. Talvez durante dez anos ou quinze anos, tenha havido um reequilíbrio. Imagino que você já deva ter entrado nesse período. Começaram a aparecer instituições com alguns meios, com recursos, com projectos financiados e pós-docs e bolsas de doutoramento em maior quantidade. Ao que parece agora, os primeiros golpes de austeridade e de contracção vão ser sobre as humanidades e sobre as ciências sociais, na medida em que se pensa, uma vez mais, que só as outras ciências é que criam riqueza, só as outras ciências é que desenvolvem. Isso é um erro clássico. É sabido e reconhecido que as humanidades e as ciências sociais contribuem para o desenvolvimento. E muito. Incluindo para a criação de riqueza. As humanidades e as ciências sociais não se limitam ao fabrico de professores. O pensamento social ajuda ao desenvolvimento e à criação de riqueza.

Há outro problema que gostaria de mencionar. Houve um lado positivo na política científica das últimas duas décadas. Esse lado positivo é o enorme esforço financeiro, estrutural e político que foi feito a favor da ciência, do desenvolvimento da ciência, da graduação no estrangeiro, da internacionalização, etc. Isso é um lado muito positivo. Que conseguiu uma razoável equiparação das ciências sociais e humanas às ciências exactas. O lado negativo foi a criação de um aparelho ou um dispositivo para a investigação científica que não contagia a universidade. Ou contagia pouco. Ou mal. Os Laboratórios, os Centros de Investigação da FCT ou centros de excelência constituem um método de trabalho. Esses centros têm mais dinheiro, mais garantias e mais segurança; têm mais regras de avaliação, mais critérios e melhores métodos de escrutínio. Têm tudo mais e melhor, mas não dependem da universidade. Fala-se com um reitor ou com um director de Faculdade, que tenha três ou quatro mil alunos e ele vai demonstrar-lhe muito rapidamente que não tem qualquer capacidade de ordenar ou de orientar a investigação científica. “Isso é com a FCT e com o Ministério”. Foi criado uma espécie de ghetto, com mais recursos, mais exigência, inclusive coisas boas como a avaliação externa. Durante anos, nada disto se praticou no ensino, mas sim na ciência. Pessoalmente, preferia que a ciência fosse entregue às universidades, para que esta tivesse influência no ensino.

Entrevista aqui.