30 janeiro 2005

VITAMEDIAS

Contra "factos", alguns argumentos? (ainda a vigilância a jornalistas por "bloggers")
Luís Santos e Américo de Sousa resolveram - e ainda bem - comentar o estilo das minhas respostas e pouco a proposta de Manuel Pinto sobre a vigilância directa a jornalistas.
Penso que a resposta ao primeiro satisfará o segundo. De qualquer forma, a caixa de comentários continua disponível para me elucidarem.
Luís Santos acusa-me de corporativismo. Não me conhece pessoalmente, mas isso é o menos, para perceber minimamente a minha posição sobre esse assunto. Neste caso, o problema é que parece não ter lido o que eu escrevi para disparar desta forma e assim passou ao lado - da mesma forma que não o atingiria se eu o acusasse de corporativismo só porque vem defender um outro professor. A deselegância tem limites.
Em seguida, o termo "salazarento". Eu continuo a não entender no que escrevi uma acusação a Manuel Pinto nesse sentido. E não percebo como poderia ser "acanhado" a titular quem quer que fosse num texto cheio de deselegâncias, como referem.
Repito aqui o primeiro parágrafo do que escrevi: "Já cá faltavam, as propostas de vigilantismo (só não digo salazarento por conhecer minimamente o autor) ao jornalismo".
Leio o Manuel Pinto há mais tempo do que ele me lê a mim (nos blogues, pelo menos), ele sabe que tenho respeito intelectual e estima pessoal por ele, já discordámos em variadas situações, já trabalhámos em conjunto (ele mais do que eu) em tarefas que nos interessavam, parece-me que temos preocupações comuns ao jornalismo. Mas não com esta proposta que para Luís Santos está morta - mas eu acredito que não - e que o próprio autor veio depois referir nem sequer lhe merecer grande simpatia. O debate estava lançado e eu marquei presença.
Tudo isto não é sobre corporativismo, é sobre vigilantismo, vigilância individual, "homem-a-homem", a uma pessoa só porque tem uma certa profissão. Querem debater isso? Querem fazer isso? Tudo bem. Eu já clarifiquei a minha posição.
Mas, caro Luís Santos, parece que estamos num jogo de empate: você acusa-me de coisas que eu não escrevi para me atacar de forma (soez? miserável? Não, vamos manter o seu nível) muito deselegante.
Você não sabe o que eu penso das élites, descobre coisas que eu não escrevi ou uma percepção sobre o que digo do texto de Manuel Pinto que não existem.
"Mas vamos ao que realmente interessa", como diz? Questiona: "Será assim tão perigoso que um cidadão - munido desta nova ferramenta - transponha para o texto algumas das apreciações que eventualmente sempre fez, sobre o trabalho deste ou daquele jornalista, sobre a postura deste o daquele jornal. A diferença está no espaço - deixa de ser a mesa do café e passa a ser a blogosfera. O que haverá de tão pernicioso nisto?"
Nada (ou muito pouco). Mas essa não era a proposta original, que visava a marcação individual numa única profissão, quando o mesmo não é pedido para outras - eu dei exemplos.
É que, nesse sentido, a avançar para esse tipo de vigilância, defendo uma transparência total no modelo de uma "sociedade transparente": todos vigiam todos e não são apenas as élites que se podem proteger da devassa da privacidade, como Pacheco Pereira tem referido várias vezes sobre o poder dos info-ricos e pobres numa sociedade de meios tecnológicos.
Exemplos? Um, relativo a um autor que gosta de citar, está em "My Troll Follows Me Here". Não é caso único, como sabe. Em Portugal, há (ou havia) um blogue sobre uma jornalista do Público, com o seu nome, e onde era feita a vigilância sobre os seus textos. Isto é a democracia a funcionar mas não há qualquer contribuição cívica - é perseguição pessoal, com a agravante de todos saberem quem é a jornalista mas não quem se esconde por detrás do blogue atacante (excepto se ela os processar por difamação...)
Ora nada disto tem a ver com a discussão sobre o jornalismo nem sequer está minimamente relacionado com a aproximação e a participação cívica que defende(mos) entre cidadãos e jornalistas. Não, essa não é má. O que pode ser péssimo é o vigilantismo individual. E esse era a base do texto de Manuel Pinto com o título "Irão os bloggers portugueses "adoptar" um repórter?" (repare no "um"...)
Como muito bem se diz no Atrium, "seremos também o que discutimos e a forma como o fazemos". O "tom truculento" e a indignação na resposta a Manuel Pinto é por ver como se generaliza na sociedade o à vontade crescente sobre a diminuição das privacidades individuais - seja neste caso dos jornalistas ou em muitos outros, muitos dos quais nem têm acesso a escrever em blogues ou nos jornais. Ao contrário de jornalistas, professores, advogados ou políticos. (E, só para me manter nas "élites", não seria interessante debater, já agora, se um jornalista deve apresentar publicamente a declaração de rendimentos tal como fazem os políticos? Ou que os "bloggers" na área política desvendassem os seus apoios políticos claramente, quem lhes paga, etc.). O vigilantismo quando existe não deve ser para todos?
Pensei que entendessem isso e que se tratava de debater a sério, sem "paninhos quentes", esta questão. Preferiram acreditar que era uma questão pessoal, de corporativismo ou militância, de defesa das élites, de simples truculência. É mentira. E é pena porque é muito pouco para um debate sério.

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