Se é possível ter novos jornais e novos leitores, o que fazer aos antigos?
Olhar pela sua sobrevivência, presos num mundo que já não é o deles. Alguns meios precisam de ânimo, de uma declaração de Hamburgo contra o mundo online. É deslocada dos tempos, como o seu título: uma declaração de Hamburgo assinada em Berlim.
A 26 de Junho, o European Publishers Council (EPC) e a World Association of Newspapers reuniram-se em Berlim para preparar o documento que foi entregue a 9 de Julho à comissária para a Sociedade da Informação Viviane Reding, no âmbito da apresentação pública da estratégia para uma “Digital Europe”.
A “marcante declaração adoptada para os direitos de propriedade intelectual no mundo digital” tem dois objectivos, segundo Mathias Döpfner, o CEO do grupo Axel Springer: “a fair share of the revenues, which are already being generated through the commercial exploitation of our content by others, as well as the development of a market for paid content in the digital world”.
Estas legítimas aspirações eram dirigidas aos “motores de busca e outros agregadores”, segundo Döpfner, que não são nomeados no documento. O segundo parágrafo da declaração diz apenas: “Numerous providers are using the work of authors, publishers and broadcasters without paying for it. Over the long term, this threatens the production of high-quality content and the existence of independent journalism”.
A necessidade de manter uma elevada qualidade nos conteúdos é também atirada à cara dos governos. Como disse Pinto Balsemão, CEO da Impresa e presidente do EPC, “without control over our intellectual property rights, the future of quality journalism is at stake and with it our ability to provide our consumers with quality and varied information, education and entertainment on the many platforms they enjoy. In this declaration we call on governments worldwide to support the copyright of authors, publishers and broadcasters on the net”.
Neste mundo e futuro perfeito, uma empresa de media controla os seus direitos de propriedade intelectual na Internet, garante jornalismo de qualidade e dá aos “consumidores” informação, educação e entretenimento nas plataformas à escolha do freguês.
Tudo aquilo que já é possível hoje, notaram bem, e por isso é difícil conter um sorriso. Reforçado quando Balsemão insiste: “Se não houver remuneração dos conteúdos com credibilidade o jornalismo corre graves riscos, a democracia corre graves riscos”.
Mas a salvação de Hamburgo é apenas um agregado de intenções para pavimentar regras num terreno muito desregrado.
Culturas, economia e política, tecnologia e impactos sociais, media, contaminantes sociais, coisas estranhas... Cultures, economy and politics, technology and social impacts, media, social contamination, weird stuff...
19 julho 2009
A acareação de Hamburgo 1/5
A imprensa está numa encruzilhada.
As edições em papel vendem menos exemplares a cada trimestre.
A publicidade online não sustenta uma redacção online agregada ao negócio da impressão e distribuição em papel. A publicidade online não sustenta sequer uma redacção online benemérita.
A ideia dos leitores a migrarem do papel para o online pode ser um erro. Num inquérito sobre os anos 2003 e 2006, constatou-se que 75,1% não lia jornais na Internet, “enquanto 21,8% assume fazê-lo”. 39,3% afirmava em 2003 consultar notícias da imprensa geral, em 2006 baixaram para 35,4%.
Há um número reduzido de acessos à Internet (1/5 da população?), com tendência para estabilizar.
Os patrões dos media aproveitam a crise para reduzir custos e emagrecer as redacções, esperando ter jornais em papel e no online com notícias de agência. Ficam todos a falar (d)o mesmo. O termo “agenda” é igual a “agência” que é igual a uma voz única em dezenas de meios de informação (rádios locais e imprensa regional incluídos).
No online, a agência nacional que fornece os media concorre directamente com estas publicações que a financiam e lhe compram os artigos, associando-se a motores de busca como o Google para garantir preponderância no ranking das “breaking news”.
Em jornais com as mesmas notícias de agência e redacções com menos jornalistas, de menor idade e sem apoio de editores consistentes (com efeitos perniciosos na política e na economia), é impossível a qualidade não diminuir.
O resultado é ampliado pelas críticas online – muitas ferozes, injustas e de oportunistas (no combate político, por exemplo).
Uma classe política ou empresarial culta olha para os media e vê uma oportunidade democrática. Os outros vêem problemas. Uns porque são escrutinados, os outros porque lhe podem estragar o negócio. Ambos perceberam como dificultar a vida à imprensa, até pela via legislativa. Ambos o fazem com o corte cirúrgico da publicidade e a divulgação selectiva de informação.
Neste caldo, o leitor afasta-se de um bem que perdeu “panache”, estilo, o saber ser importante para a sociedade que relata todos os dias, se tabloidizou e gratuitizou.
O referido inquérito da Obercom nota como “existe uma forte tendência para a leitura de jornais pagos ser mais valorizada”. Os media seguiram o caminho inverso e a fraca e gratuita oferta televisiva ocupou o terreno publicitário e dos consumidores.
A crise económica agudizou esta tendência – mas os jornais económicos aumentam as vendas. São os únicos que satisfazem as necessidades informativas?
Martim Avillez Figueiredo – que não aposta no online porque não dará retorno nos próximos anos - assegura que o seu i foi buscar 22% de leitores que antes não pegavam em jornais.
Em resumo, é possível levar as pessoas a ler jornais, mesmo em tempos de crise.
As edições em papel vendem menos exemplares a cada trimestre.
A publicidade online não sustenta uma redacção online agregada ao negócio da impressão e distribuição em papel. A publicidade online não sustenta sequer uma redacção online benemérita.
A ideia dos leitores a migrarem do papel para o online pode ser um erro. Num inquérito sobre os anos 2003 e 2006, constatou-se que 75,1% não lia jornais na Internet, “enquanto 21,8% assume fazê-lo”. 39,3% afirmava em 2003 consultar notícias da imprensa geral, em 2006 baixaram para 35,4%.
Há um número reduzido de acessos à Internet (1/5 da população?), com tendência para estabilizar.
Os patrões dos media aproveitam a crise para reduzir custos e emagrecer as redacções, esperando ter jornais em papel e no online com notícias de agência. Ficam todos a falar (d)o mesmo. O termo “agenda” é igual a “agência” que é igual a uma voz única em dezenas de meios de informação (rádios locais e imprensa regional incluídos).
No online, a agência nacional que fornece os media concorre directamente com estas publicações que a financiam e lhe compram os artigos, associando-se a motores de busca como o Google para garantir preponderância no ranking das “breaking news”.
Em jornais com as mesmas notícias de agência e redacções com menos jornalistas, de menor idade e sem apoio de editores consistentes (com efeitos perniciosos na política e na economia), é impossível a qualidade não diminuir.
O resultado é ampliado pelas críticas online – muitas ferozes, injustas e de oportunistas (no combate político, por exemplo).
Uma classe política ou empresarial culta olha para os media e vê uma oportunidade democrática. Os outros vêem problemas. Uns porque são escrutinados, os outros porque lhe podem estragar o negócio. Ambos perceberam como dificultar a vida à imprensa, até pela via legislativa. Ambos o fazem com o corte cirúrgico da publicidade e a divulgação selectiva de informação.
Neste caldo, o leitor afasta-se de um bem que perdeu “panache”, estilo, o saber ser importante para a sociedade que relata todos os dias, se tabloidizou e gratuitizou.
O referido inquérito da Obercom nota como “existe uma forte tendência para a leitura de jornais pagos ser mais valorizada”. Os media seguiram o caminho inverso e a fraca e gratuita oferta televisiva ocupou o terreno publicitário e dos consumidores.
A crise económica agudizou esta tendência – mas os jornais económicos aumentam as vendas. São os únicos que satisfazem as necessidades informativas?
Martim Avillez Figueiredo – que não aposta no online porque não dará retorno nos próximos anos - assegura que o seu i foi buscar 22% de leitores que antes não pegavam em jornais.
Em resumo, é possível levar as pessoas a ler jornais, mesmo em tempos de crise.
16 julho 2009
A Internet já foi isto
Timeline: The evolution of online communities: E-mail discussion lists, chat rooms, BBSs, Usenet groups and more all played a role in the development of online communities as we know them today.CompuServe, Prodigy et al.: What Web 2.0 can learn from Online 1.0
09 julho 2009
Escolha difícil?
Bing vs Google Can't choose default search engine? Want to compare Bing & Google results?
Ver também:
BlindSearch, the search engine taste test.
Bing vs Google vs Yahoo: the Blind search engine test
[Obrigado, Hugo]
Ver também:
BlindSearch, the search engine taste test.
Bing vs Google vs Yahoo: the Blind search engine test
[Obrigado, Hugo]
Porque não é uma surpresa o Donut, o (ainda vaporware) Chrome OS da Google?

Em 1996! Netscape's Internet OS: The only difference technically between Netscape's Navigator browser and a traditional operating system is that Navigator will not include device drivers
Doug Rushkoff is bullish on Google's plans: In a sense, Google is just bringing computing back to the way it was supposed to be.
Google Chrome OS: Shiny and New
Google Set to Take On Microsoft With Desktop OS: Google's announcement of its Chrome desktop OS should come as no surprise, particularly in Redmond.
Google / Microsoft: there is no clear reason why Microsoft should quake over Wednesday’s announcement that Google intends to launch a free, fully fledged operating system by next year.
Google’s web browser Chrome, around which the new operating system will be based, has a mere 2 per cent market share
Google Chrome OS: five things you need to know
1) Is it all about the user?
2) Is it going to hurt Microsoft?
3) Will it make search the centre of everything?
4) Will it bring mobile and the desktop together?
5) Will it put Google at the centre of everything?
Five Reasons Google Chrome OS Will Fail
Five Reasons Chrome OS Will Succeed
Google's new platform Chrome aims to show Microsoft's Windows the door
Google's Marissa Mayer on the importance of real-time search: could change the way we navigate the internet
Next Android OS Nickname is Donut
Promatórios
Decomposting Bodies: What’s the greenest way to dispose of human remains?Wiigh- Mäsak has finally figured out how to discreetly turn our earthly remains back into, well, earth.
The technique is called promession, the facilities that will do the job are called promatoriums, and the first one will open early next year in a converted crematorium in Jönköping, Sweden.
[imagem daqui]
Da mais recente edição do Observatorio (OBS*)
France, Italy, Portugal and Spain: four differentiated models from euromediterranean press: the creation of models differentiated of press the Second World war in France and Italy and the Dictatorships, and later Transitions to the democracy, in Spain and Portugal.
Blogging the 2003 Iraq War: Challenging the Ideological Model of War and Mainstream Journalism?: the role of the internet in 2003 Iraq war from the perspective of the challenges it poses to the practices and formats of mainstream journalism and to the hegemonic articulations of war.
What is Public Service on the Internet? Digital Challenges for Media Policy in Europe: The core challenge facing public service broadcasting today is the transition to public service media.
Why Some Wikis are More Credible than Others: Structural Attributes of Collaborative Websites as Credibility Cues: Recent technological advancements have helped giving rise to a variety of websites offering user-generated content through collaborative efforts. This study used focus groups to identify what features might influence credibility assessment of such websites. The findings revealed that editing features, discussion board and edit history were the collaborative features affecting credibility judgment of collaborative websites.
Blogging the 2003 Iraq War: Challenging the Ideological Model of War and Mainstream Journalism?: the role of the internet in 2003 Iraq war from the perspective of the challenges it poses to the practices and formats of mainstream journalism and to the hegemonic articulations of war.
What is Public Service on the Internet? Digital Challenges for Media Policy in Europe: The core challenge facing public service broadcasting today is the transition to public service media.
Why Some Wikis are More Credible than Others: Structural Attributes of Collaborative Websites as Credibility Cues: Recent technological advancements have helped giving rise to a variety of websites offering user-generated content through collaborative efforts. This study used focus groups to identify what features might influence credibility assessment of such websites. The findings revealed that editing features, discussion board and edit history were the collaborative features affecting credibility judgment of collaborative websites.
Uma questão de domínio
www.thosenewdomainnames.areforsuckers: Soon you'll be able to buy any top-level domain you want: .yourname, .america, .whatever. Don't do it.
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