31 janeiro 2005

.DE!

How to disappear in America without a trace: There are many good reasons to run and hide from people (or the government) just as there are many bad reasons. Please don't take the existence of this web page as any endorsement of any kind

VITAMEDIAS

Should journalists link their work to their bios? Tradition says that the reporter keeps his or her mouth shut, refrains from nodding, grimacing, applauding. In short, the reporter keeps a distance in an attempt to maintain impartiality.
But the blogger world says that no one is impartial, and it urges us to jump right in. I was perplexed, distressed, yes, even a tad defensive.
(via Ponto Media)

VITAMEDIAS

Steal This Show: Millions of viewers are now watching illegal copies of television programs - even full seasons copied from popular DVD's - that are flitting about the Internet, thanks to other new programs that allow users to upload and download the large files quickly. And entrepreneurial souls are busily concocting even newer applications, including one that searches the Internet for illegal copies of any television shows you may desire and automatically downloads them to your computer.
These high-tech tricks address desires that have become standard in an age of instant media gratification: the desire to watch what you want, when and how you want it. And they're turning television - traditionally beamed into homes at the convenience of the broadcast and cable networks - into something more flexible, highly portable and commercial free.
[ver também texto anterior]

TECNOSFERA

Digital scenarios for media: Imagine a future in which media consumers, empowered by new technology, demand everything for free.
What they can't get legitimately, they show no qualms about pirating. August names of film studios, television networks and newspapers lose their aura of trust and authority. TV viewers turn off advertising with nifty digital devices - or simply tune out apathetically, leaving marketers powerless and media companies with no way to finance their content.
Some media industries, particularly the music business, have already had to come to terms with such dystopian visions. Others may never have to, as new technologies offer more opportunities than threats. [...]
The Futurist: John Battelle, visiting professor, University of California at Berkeley.
From his perch on the "Left Coast of America," in the outskirts of Silicon Valley, Battelle feels the media industry is at a "chasm-crossing moment." The era when big media companies delivered news, information or entertainment to consumers via mass-market television or printed publications, financed by the sale of advertising, is rapidly drawing to a close, he says.
Media consumers will increasingly seek out the democracy of the Internet, getting their news from blogs instead of print on paper, and seek their entertainment from a limitless supply of quirky online content, he says.

VITAMEDIAS

Os blogues têm um problema: o que é dito numa discussão verbal de forma salutar, apesar da discórdia intelectual mas rapidamente gerida nesse plano, provoca reacções epidérmicas muitas vezes mal resolvidas entre os envolvidos nos escritos. Não é novidade mas pode, por vezes, ser doloroso, nomeadamente com pessoas que prezamos no aspecto pessoal ou meramente intelectual. Sucedeu neste caso quando dificilmente tento atingir pessoas mas discutir as suas ideias, muito também por má explicitação minha.
Resolvido este patamar desta conversa, continuemos para esclarecimentos necessários.
Diz Manuel Pinto que tem duas salutares discordâncias com as minhas opiniões:

1) "o jornalismo já está mais escrutinado do que qualquer outra profissão ou actividade, e que, por conseguinte, esse escrutínio público não é necessário".
A primeira parte da frase é verdadeira; a segunda não. É obviamente necessário o escrutínio e a análise públicos, cada vez mais, como comprova qualquer pessoa que lê jornais, ouve rádios ou vê televisão. Por isso, ambos concordamos na necessidade de uma análise crítica, séria e independente aos mesmos.
Esse "escrutínio" pode passar, como já referi, pela criação de um instituto de análise dos media, com objectivos que não são preenchidos pelo Obercom ou (apesar dos resultados meritórios, até agora) pelo Clube dos Jornalistas.
Repare-se que o investimento em termos de pessoas e financiamento não é pequeno, razão pela qual (suponho) entidades universitárias de investigação dos media como na Universidade do Minho produzem (ou publicam ou divulgam) poucos resultados.
O objectivo deste tipo de entidades "não é necessariamente "bater", "dar porrada", "malhar"" mas criticar de forma construtiva. Nisso estamos de acordo.
Como estamos na estranha inexistência de "think thanks" nacionais para outras áreas da sociedade, nomeadamente na prospectiva económica. Parece que não queremos analisar de forma independente o que t(iv)emos e para onde vamos (será porque serve para financiar estudos a qualquer governo?)

"Vê agora porque é que não nos entendemos quanto ao conceito de vigilância a que foi tão sensível?" (e, dos comentários, "Apesar de tudo, não creio que sejam questões de "privacidade individual" que estejam aqui em causa".)
Continuamos a não nos entender, possivelmente por questões semânticas. Vigilância e escrutínio, análise, estudo são diferentes. Defendo as últimas, não a primeira, tanto mais quando é proposta em forma individual - e isto seja para um jornalista como para um engenheiro, político, padre ou sem-abrigo. Uma coisa é analisar os media e os jornalistas de forma global, outra é avaliar caso a caso. E isso, no limite e como já exemplifiquei, está obviamente relacionado com as questões da privacidade de qualquer indivíduo.

2) Sobre "a multiplicação de vozes, por exemplo através dos blogues, não contribui para a qualidade do jornalismo", o que eu acho é que, em Portugal, isso ainda não se verificou. Em termos gerais e tanto nos blogues como na comunicação social, perante a quantidade de asneiras, confirmações e desmentidos, citações desavergonhadas sem referência à fonte original, os blogues raramente se pronunciam e são contra-poder. Pelo contrário, apropriam-se do que é escrito na comunicação social tradicional para emitirem opiniões e, nalguns poucos casos, desmentirem ou contradizerem o que é publicado/emitido.
Isto pode ou não melhorar o jornalismo (eu já acreditei nisso mais do que hoje) mas espero que sim.
Como diz e eu concordo, "poderíamos ficar a discutir interminavelmente, cada um a defender o seu ponto de vista. É que não é fácil medir estas coisas", nomeadamente o que é qualidade. Concordo, repito, tal como o faço relativamente a que "haver mais pessoas ou grupos atentos ao espaço público e em particular ao trabalho jornalístico é tendencialmente salutar para o jornalismo e para a sociedade". O que eu contraponho é que nos blogues não se viram ainda resultados fortes, de tendência, mas apenas episódicos.
"Estamos a viver e a intervir - inclusive com esta polémica - no coração de um fenómeno novo, cujo alcance estamos porventura longe de captar em toda a sua dimensão". Certo, talvez seja eu que quero mais e mais depressa.

Também o Luís Santos (aqui e nos comentários) pensa "que não devemos confundir a privacidade que deve ter um jornalista na sua vida não profissional com a privacidade que não pode exigir ter num exercício tão exposto (e por isso socialmente tão influente; e por isso tão desgastante; e por isso, talvez, tão interessante)".
Precisamente mas como é que se evita essa fronteira quando um "blogger" "adoptou" um jornalista? A tentação é demasiado grande.
Já reparou na quantidade de jornalistas da política que escreveram e citaram dirigentes políticos sobre a questão das mulheres, da homossexualidade, dos casamentos "gays", nos últimos tempos (ou embrulhando isso em artigos sobre rumores e boatos na campanha política)? Já reparou que é o formato do "eu sei que tu sabes que sabes que eu sei" sobre certos dirigentes partidários e por isso se pode escrever sem ter de explicitar muito?
A tentação para cair no mau gosto é enorme, a fronteira entre privacidade individual e profissional também - como muito bem sabem os políticos. Se os jornalistas andam na fronteira porque têm um código deontológico, que código abriga os "bloggers"? Apenas o Civil...

Sobre "A ausência de exposição significativa, no passado, resulta, fundamentalmente, de um enquadramento tecnológico não favorável à participação e de níveis de literacia da população mais baixos", discordo. No passado recente, os níveis de participação pública (seleccionada, sem dúvida, mas não deixa de ser opinião pública) nos ambientes mediáticos tem sido enorme (estou a pensar nos fóruns da TSF e certos programas de TV). Os blogues são mais um.
(Sobre isto, não posso deixar de recomendar esta leitura, no feliz regresso do Bloguítica: "Com esta oferta de jornais e televisão, não é de surpreender o enorme interesse que certos blogues têm registado em Portugal. [...]
Existe uma enorme abertura dos jornais [suecos] a artigos de opinião e de debate, e a correio de leitores, que é preenchida com um grande interesse participativo. Não surge, portanto, uma necessidade de blogues como surgiu, manifestamente, em Portugal, sinal evidente da incapacidade, impossibilidade ou falta de vontade dos media de responder à procura do público".)

Não defendo um exercício opaco da profissão. Podem e devem haver formas de escrutínio, de análise do trabalho jornalístico. Mas sejamos realistas e criativos. E os blogues não têm - ou apenas o fizeram parcialmente - contribuído para esse debate crítico, como bem lembra no ponto 2 ("Esta discussão ocorre, por ora, num ambiente corporativo - jornalistas falam sobre jornalistas (dois deles afastaram-se do excercício diário))". Porque será? Não é exactamente porque (alguns) jornalistas se prestam a mostrar em público os seus erros e críticas, sabendo como é estimulante esta participação crítica e criativa de quem os lê/vê/ouve?

Luís Santos discorda "da ideia de que a actividade profissional deve ser entendida como um exercício privado e, portanto, não sujeito a observação (seja de grupo, seja individual)". Eu discordo da análise individual, já o disse, precisamente porque, como diz, já é um "exercício tão exposto". Isto não significa que ele seja escondido: devem existir meios de saber o que um jornalista recebe, os seus rendimentos particulares, o seu partido político, o clube de futebol, os seus gostos sexuais? Porquê só ele? Porque está mais exposto? Caímos na questão dos personagens com mérito que não querem ir para a política por serem escrutinados ao milímetro na sua vida privada. Será isto positivo no caso do jornalismo? Tenho imensas dúvidas.
O conhecimento da vida privada de um jornalista tornará o jornalismo melhor? Não sei.

30 janeiro 2005

VITAMEDIAS

Contra "factos", alguns argumentos? (ainda a vigilância a jornalistas por "bloggers")
Luís Santos e Américo de Sousa resolveram - e ainda bem - comentar o estilo das minhas respostas e pouco a proposta de Manuel Pinto sobre a vigilância directa a jornalistas.
Penso que a resposta ao primeiro satisfará o segundo. De qualquer forma, a caixa de comentários continua disponível para me elucidarem.
Luís Santos acusa-me de corporativismo. Não me conhece pessoalmente, mas isso é o menos, para perceber minimamente a minha posição sobre esse assunto. Neste caso, o problema é que parece não ter lido o que eu escrevi para disparar desta forma e assim passou ao lado - da mesma forma que não o atingiria se eu o acusasse de corporativismo só porque vem defender um outro professor. A deselegância tem limites.
Em seguida, o termo "salazarento". Eu continuo a não entender no que escrevi uma acusação a Manuel Pinto nesse sentido. E não percebo como poderia ser "acanhado" a titular quem quer que fosse num texto cheio de deselegâncias, como referem.
Repito aqui o primeiro parágrafo do que escrevi: "Já cá faltavam, as propostas de vigilantismo (só não digo salazarento por conhecer minimamente o autor) ao jornalismo".
Leio o Manuel Pinto há mais tempo do que ele me lê a mim (nos blogues, pelo menos), ele sabe que tenho respeito intelectual e estima pessoal por ele, já discordámos em variadas situações, já trabalhámos em conjunto (ele mais do que eu) em tarefas que nos interessavam, parece-me que temos preocupações comuns ao jornalismo. Mas não com esta proposta que para Luís Santos está morta - mas eu acredito que não - e que o próprio autor veio depois referir nem sequer lhe merecer grande simpatia. O debate estava lançado e eu marquei presença.
Tudo isto não é sobre corporativismo, é sobre vigilantismo, vigilância individual, "homem-a-homem", a uma pessoa só porque tem uma certa profissão. Querem debater isso? Querem fazer isso? Tudo bem. Eu já clarifiquei a minha posição.
Mas, caro Luís Santos, parece que estamos num jogo de empate: você acusa-me de coisas que eu não escrevi para me atacar de forma (soez? miserável? Não, vamos manter o seu nível) muito deselegante.
Você não sabe o que eu penso das élites, descobre coisas que eu não escrevi ou uma percepção sobre o que digo do texto de Manuel Pinto que não existem.
"Mas vamos ao que realmente interessa", como diz? Questiona: "Será assim tão perigoso que um cidadão - munido desta nova ferramenta - transponha para o texto algumas das apreciações que eventualmente sempre fez, sobre o trabalho deste ou daquele jornalista, sobre a postura deste o daquele jornal. A diferença está no espaço - deixa de ser a mesa do café e passa a ser a blogosfera. O que haverá de tão pernicioso nisto?"
Nada (ou muito pouco). Mas essa não era a proposta original, que visava a marcação individual numa única profissão, quando o mesmo não é pedido para outras - eu dei exemplos.
É que, nesse sentido, a avançar para esse tipo de vigilância, defendo uma transparência total no modelo de uma "sociedade transparente": todos vigiam todos e não são apenas as élites que se podem proteger da devassa da privacidade, como Pacheco Pereira tem referido várias vezes sobre o poder dos info-ricos e pobres numa sociedade de meios tecnológicos.
Exemplos? Um, relativo a um autor que gosta de citar, está em "My Troll Follows Me Here". Não é caso único, como sabe. Em Portugal, há (ou havia) um blogue sobre uma jornalista do Público, com o seu nome, e onde era feita a vigilância sobre os seus textos. Isto é a democracia a funcionar mas não há qualquer contribuição cívica - é perseguição pessoal, com a agravante de todos saberem quem é a jornalista mas não quem se esconde por detrás do blogue atacante (excepto se ela os processar por difamação...)
Ora nada disto tem a ver com a discussão sobre o jornalismo nem sequer está minimamente relacionado com a aproximação e a participação cívica que defende(mos) entre cidadãos e jornalistas. Não, essa não é má. O que pode ser péssimo é o vigilantismo individual. E esse era a base do texto de Manuel Pinto com o título "Irão os bloggers portugueses "adoptar" um repórter?" (repare no "um"...)
Como muito bem se diz no Atrium, "seremos também o que discutimos e a forma como o fazemos". O "tom truculento" e a indignação na resposta a Manuel Pinto é por ver como se generaliza na sociedade o à vontade crescente sobre a diminuição das privacidades individuais - seja neste caso dos jornalistas ou em muitos outros, muitos dos quais nem têm acesso a escrever em blogues ou nos jornais. Ao contrário de jornalistas, professores, advogados ou políticos. (E, só para me manter nas "élites", não seria interessante debater, já agora, se um jornalista deve apresentar publicamente a declaração de rendimentos tal como fazem os políticos? Ou que os "bloggers" na área política desvendassem os seus apoios políticos claramente, quem lhes paga, etc.). O vigilantismo quando existe não deve ser para todos?
Pensei que entendessem isso e que se tratava de debater a sério, sem "paninhos quentes", esta questão. Preferiram acreditar que era uma questão pessoal, de corporativismo ou militância, de defesa das élites, de simples truculência. É mentira. E é pena porque é muito pouco para um debate sério.

28 janeiro 2005

VITAMEDIAS

Third columnist caught with hand in the Bush till: Michael McManus, conservative author of the syndicated column "Ethics & Religion," received $10,000 to promote a marriage initiative.
Writer Backing Bush Plan Had Gotten Federal Contract: In 2002, syndicated columnist Maggie Gallagher repeatedly defended President Bush's push for a $300 million initiative encouraging marriage as a way of strengthening families. [...]
But Gallagher failed to mention that she had a $21,500 contract with the Department of Health and Human Services to help promote the president's proposal.
PR spending doubled under Bush: The Bush administration has more than doubled its spending on outside contracts with public relations firms during the past four years, according to an analysis of federal procurement data by congressional Democrats.

VITAMEDIAS

Blog Overkill - The danger of hyping a good thing into the ground.
[C]onference participants declared blogs the destroyers of mainstream media. [...] Others prescribed blogs as the medicine the newspaper industry should take to reclaim its lost readers: Publishers should support reader blogs and encourage their reporters to blog in addition to writing stories. Podcasts would undermine the radio network empires. "Open source" journalism, in which readers and bloggers help set the news agenda for newspapers, was promoted as a tonic for what ails the press. Reporters were encouraged to regain the lost trust of readers by blogging drafts of their stories, their notes, and even their taped interviews so other bloggers could dissect and analyze them for fairness. [...]
The premature triumphalism of some bloggers indicates that they haven't paid attention to how Webified journalists have become. They also ignore media history. New media technologies almost never replace old media technologies, they merely force old technologies to adapt and find new ways to connect with their audiences. Radio killed the "special edition," but newspapers survived. When television dethroned radio as the hearthside infobox and cratered the Hollywood box office, radio became a mobile medium, and Hollywood devoted itself to spectaculars that the tiny TV set couldn't adequately display. The competitive spiral has continued, with cable TV, VCRs and DVDs, satellite TV and radio broadcasters, and now Internet broadcasters entering the fray. The only extinct mass medium that I can think of is the movie house newsreel.
The likelihood that blogs will vanquish mainstream media recalls the prediction Michael Crichton made in his 1993 essay "Mediasaurus." Crichton wrote that the New York Times and one commercial TV network would vanish within a decade and would be replaced by artificial-intelligence agents, skimming information and the news from news databases and composing front pages or broadcasts tailored to the interests and needs of individuals.

ECOPOL

A quantidade de propostas aprovadas em Conselho de Ministros, segundo os comunicados, desde que este governo entrou em funções (repare-se nas últimas duas semanas para um governo que está em gestão...):
2005-01-27: 36
2005-01-20: 39
2005-01-13: 15
2005-01-06: 15
2004-12-23: 17
2004-12-15: 07
2004-12-11: XVI Governo Constitucional apresenta demissão
2004-12-07: 27
2004-12-02: 14
2004-11-30: Jorge Sampaio dissolve o Parlamento
2004-11-25: 16
2004-11-16: 13
2004-11-11: 14
2004-11-04: 12
2004-10-28: 10
2004-10-21: 09
2004-10-14: 10
2004-10-07: 13
2004-09-30: 15
2004-09-24: 12
2004-09-16: 06
2004-09-10: 08
2004-09-02: 10
2004-08-27: 11
2004-08-19: 14
2004-08-05: 14
2004-07-30: 07
Este e este não contam.

VITAMEDIAS

Questão: Quando não se consegue debater o conteúdo, pode tentar atingir-se o autor?
Resposta: Sim, apesar deste já ter dito que não era uma questão pessoal.

Sobre um comentário a um post indignado:
Não deve, "alguma experiência passada menos agradável, para se sentir atingido de forma tão pessoal". Repito o que já escrevi: houve um autor de um blogue colectivo que quis ser meu vigilante. Apesar de honrado pela escolha e termos trocado "emails" sobre o assunto e tendo-me eu prestado a ser cobaia duma situação dessas - ele desistiu... -, continuo a achar que é uma violação à capacidade profissional quando o mesmo não sucede noutras profissões que são muito menos vigiadas e quando nem sequer os "bloggers" estariam dispostos a serem escrutinados desta forma.

O jornalismo está muito mais vigiado e controlado (apesar de parecer que não) do que outras profissões que merecem um escrutínio igualmente semelhante. E ninguém (ou poucos) reclamam uma vigilância sobre as mesmas.

Claro que é fácil dar pontapés na cabeça de quem está no chão. Mas isso não ajuda quem está em baixo - o jornalismo - nem propicia o levantamento da qualidade do mesmo.

Há claramente um "olho salazarista" (salazarento, chamo-lhe eu), com esses fantasmas que "talvez não existam". Talvez? Talvez.

(Não percebi - e a falha é obviamente minha - de que "seja apenas uma forma de evocar um caso de que se falou há algum tempo e sobre ele levantar uma preocupação". Que caso? Que preocupação? Lamento mas não percebi e gostava de ser elucidado...)

Apesar da "marcação de jornalistas por parte de bloggers nem sequer me suscita[r] grande simpatia" (já somos dois - e já somos muitos para os poucos que se pronunciam nestas matérias), a verdade é que a proposta estava inscrita na escrita do texto original...

A preocupação "de escrutinar de perto um trabalho sensível como é a cobertura de uma campanha eleitoral" é apenas uma tentativa honesta de alertar para uma forma útil de usar os blogues, presumo eu, ao contrário do silêncio sobre o nascimento de tantos blogues nesta altura... Não duvido. Mas marcar jornalistas?!?!?!? Marcar?!? Eu sei que não o disse - e presumo quem nem o pensa, caro Manuel - mas o resultado não é ter uma estrela amarela pregada nos jornalistas?

E qual "militância"? Tomara nós que houvesse essa militância para eu não estar aqui feito parvo a defender uma classe em que poucos se identificam com a minha posição!

Como sabemos, é óbvio que "são escassos os espaços de reflexão e de debate nos media "mainstream" sobre o jornalismo que se faz. E a blogosfera, com todas as suas contradições e potencialidades, constitui uma ampliação das possibilidades de alimentar uma conversa pública que - julgo eu - contribui para a qualidade do jornalismo".

Mas, já agora, contribui mesmo? Quer dar um exemplo concreto? Três ou quatro desmentidos num ano em que são publicados milhares de artigos nos jornais (para não falar da rádio ou da TV). Contribui o tanas!! A qualidade do jornalismo continua na mesma - fraca, fraquinha, fracota... - e a decrescer. E não são os blogues - com todas as suas potencialidades e fraquezas - que a está a modificar.

Por isso, apesar de recusar esse "espírito "vigilantista"" mas ao mesmo tempo perfilhar "o escrutínio público do jornalismo - "E não só do jornalismo - também dos blogues, dos professores, dos provedores, das universidades. Afinal, não é isso, também, a democracia?", sou eu quem não percebe como é que se pode misturar vigilantismo com democracia.

E se, "Sinceramente, não percebo tanta indignação", também eu não percebo tanto interesse em vigiar os jornalistas. Não que eles não o mereçam e devam ser vigiados. Mas não é por "bloggers" que a maioria das pessoas não sabe quem são. Se é para vigiar, escrutinem-se todos. E quando todos formos vigiados e vigilantes, eis a sociedade-maravilha: o vizinho fica contente e o vizir também!

Até lá, vamos evitar o mais possível esta mania para a vigilância.